Resumo Semanal

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Em uma semana marcada pelo clima de cautela em relação à inflação doméstica, assim como pela perspectiva dos investidores de que o Governo poderá adotar novas medidas macroprudenciais para tentar frear a alta dos preços, o Ibovespa acumulou baixa de 1,38% entre os pregões de 25 a 29 de abril. Este desempenho colaborou para que o índice fechasse o mês com perdas de 3,58%, aos 66.132 pontos.

Com forte alta de 8,05%, cotadas a R$ 22,75 cada, as ações da Redecard encabeçaram a ponta compradora do Ibovespa nesta semana. O movimento decorre da avaliação positiva do mercado sobre o resultado da empresa no primeiro trimestre deste ano, o qual surpreendeu analistas consultados pela InfoMoney.

No mês, o principal destaque de alta do Ibovespa ficou com a ação ordinária da Lojas Renner, que avançou 12,47% no período, cotada a R$ 58,05. A companhia se beneficiou da positiva receptividade do mercado de seus resultados no primeiro trimestre deste ano.

Por outro lado, as ações da Usiminas tiveram a pior performance do Ibovespa na semana e no mês. O movimento de baixa dos papéis refletiu um cenário de deterioração para o setor siderúrgico – e seu efeito nos resultados da empresa – e o aumento da participação da CSN no capital social da siderúrgica mineira.

Entre as ações mais líquidas do Ibovespa, o desempenho foi unânime. Os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras caíram 1,58% e 2,15%, respectivamente, na semana, e 11,05% e 9,77% no mês. Já os ativos PNA e ON da Vale tiveram desvalorizações de 0,92% e 0,46%, nesta ordem, na semana, e 1,48% e 1,76% no mês.

Inflação doméstica preocupa
Na primeira sessão da semana, o relatório Focus do Banco Central apontou nova elevação nas projeções para a inflação medida pelo IPCA, enquanto os investidores ainda reagiam à decisão do Copom em elevar a taxa Selic em 25 pontos-base, na última quarta-feira. Vale lembrar que nos dias 21 e 22 de abril a bolsa brasileira esteve fechada devido aos feriados de Tiradentes e Páscoa.

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A aceleração dos preços também foi um assunto abordado pela presidente Dilma Rousseff no início da semana, quando afirmou que o Governo continuará trabalhando duramente para combater a inflação. A presidente ainda disse que a preocupação do Governo com os preços é “imensa”, e que todas as ações estão voltadas para o combate acirrado da inflação.

Os investidores também estiveram atentos aos pronunciamentos do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social na terça-feira. Ambas as autoridades reiteraram o compromisso do governo no combate à inflação e culparam o cenário mundial pela alta de preços no País – em especial a das commodities. Tombini também fez questão de defender o uso de medidas macroprudenciais no combate à inflação, mas reforçou que o capital externo acaba atrapalhando a efetividade dessas medidas.

Entre os índices de inflação divulgados nesta semana, o IGP-M de abril e o IPC-S mostraram variações nos preços menores do que os resultados anteriores. Já o IPC-Fipe revelou na prévia de abril um aumento nos preços maior do que aquele visto em março.

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De olho no cenário inflacionário, a ata da última reunião do Copom sinalizou que novas elevações da taxa básica de juro poderão acontecer ao longo de 2011.

Indicadores Econômicos do Brasil
A força vendedora vista no mercado nacional nesta semana ganhou força diante da expectativa de que novas medidas macroprudenciais ainda podem ser anunciadas pelo governo como parte do combate à inflação. Assim, a Nota de Política Monetária divulgada pelo Banco Central ganhou maior relevância. Nela, o governo revelou que o volume total de crédito do sistema financeiro nacional alcançou R$ 1,752 trilhão em março deste ano, o que representa um crescimento de 1,0% em relação ao apurado em fevereiro.

Os investidores avaliam como favorável para as perspectivas de inflação a divulgação do superávit primário de 4,2% do PIB em abril, pela Nota de Política Fiscal do Banco Central. O resultado é quase o dobro do obtido nos últimos dois anos para o mês. Já em sua Nota de Mercado Aberto referente ao mês de março, o BC revelou que o estoque total da DPMFi aumentou em R$ 25,517 bilhões.

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Por sua vez, a Nota do Setor Externo de março mostrou que o balanço de pagamentos no período cresceu 192% na comparação com o mesmo mês de 2010, enquanto o saldo positivo na conta capital e financeira subiu 70,34% em relação a março de 2010. Outra referência econômica de peso na semana foi a balança comercial brasileira, que registrou superávit de US$ 696 milhões nas quatro primeiras semanas de abril.

Além disso, destaque para a queda de 1,1% na confiança da confiança da indústria em abril, ao passo que a confiança do consumidor também recuou – pela segunda vez seguida – no mesmo período.

Fed mantém juros e QE2
Nos Estados Unidos, a decisão do Fomc sobre a política monetária esteve em foco no pregão de quarta-feira. A autoridade monetária norte-americana manteve a linguagem tanto em relação ao QE2 quanto à Fed Funds Rate, que seguirá em seu menor patamar histórico, de 0% a 0,25% ao ano.

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Mas, mesmo mantendo sua postura em relação à política monetária nos EUA, o Fed elevou sua projeção para a inflação no país e reduziu a perspectiva de crescimento da economia para este ano, enquanto o presidente da autoridade monetária, Ben Bernanke, disse em coletiva que o PIB dos EUA no primeiro trimestre deveria ser fraco.

A despeito da projeção do presidente do Fed, a divulgação do PIB norte-americano superou as projeções dos analistas ao avançar 1,8% no primeiro trimestre de 2011. Bernanke também afastou a possibilidade de um QE3 e disse que segue otimista com os EUA. “A recuperação da economia dos EUA está relativamente lenta por razões compreensíveis. As recuperações de grandes economias tendem a ser desta maneira, especialmente porque os mercados de crédito não estão funcionando bem”, disse. “Nada durante a recessão mudou nossos fundamentos”, completou.

Rerefências da agenda dos EUA
Além do PIB e da reunião do Fomc, os demais indicadores econômicos norte-americanos revelados nesta semana trouxeram dados mistos. O mercado de trabalho mostrou leve piora, com o Initial Claims tendo registrado cerca de 40 mil novos pedidos de auxílio-desemprego a mais do que o aguardado na semana que terminou no dia 23 de abril.

Falando de inflação, o núcleo do PCE, uma das principais medidas de inflação para o consumidor acompanhada pelo Federal Reserve, apontou alta de 0,1% em março, em linha com as expectativas. Já o custo da mão de obra ficou acima do projetado no 1T11, enquanto a atividade industrial de Chicago ficou abaixo do esperado em abril.

A agenda de indicadores dos EUA também contemplou o mercado imobiliário, com o número de contratos de compra e venda de casas nos EUA acima das expectativas em março. Também referente ao terceiro mês do ano, o avanço de 2,5% do Durable Good Orders – que mede o número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria norte-americana – superou as projeções do mercado.

Outro indicador que surpreendeu positivamente foi a confiança do consumidor medida pelo Consumer Confidence em abril. Em linha, o Michigan Sentiment, que também mede a confiança do consumidor dos EUA, subiu para 65,4 pontos em abril, um ponto a mais do que o estimado pelo mercado. Ainda na principal economia do mundo, os preços do setor imobiliário recuaram mais que o previsto em fevereiro.

Por fim, o New Home Sales surpreendeu os analistas ao apontar que o número de imóveis novos vendidos no último mês saltou de 270 mil em fevereiro para 300 mil em março, frente à expectativa de 280 mil unidades.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,573, valorização de 0,13% na passagem semanal.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, que fechou a semana em queda, o contrato com vencimento em janeiro de 2013, o qual apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,67%, estável em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 135,31% de seu valor de face, alta de 0,33% na semana.

Já o indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 168 pontos-base, baixa de sete pontos na variação semanal.