Resumo Semanal

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Apesar da continuidade da pressão trazida pelo clima ainda instável na Líbia, que impulsionou as cotações de petróleo nesta semana, o Ibovespa fechou o período com ganhos de 1,66%, aos 68.012 pontos. O avanço do índice reflete o movimentado noticiário corporativo interno, assim como dados favoráveis da economia, como o PIB nacional em 2010 e o menor ritmo de crescimento da inflação.

Com baixa de 6,47%, cotadas a R$ 15,90 cada, as ações da Cyrela lideraram a ponta vendedora do Ibovespa nesta semana. O mercado continua a temer que a pressão inflacionária afete o setor de construção civil, assim como a contenção no crédito via medidas macroprudenciais que possam ser adotadas. Além disso, logo no início da semana, a redução de R$ 5,1 bilhões no orçamento para o programa “Minha Casa, Minha Vida” para este ano trouxe uma acentuada queda aos ativos do setor. Fica também a expectativa pelos resultados da empresa, agendados para o dia 15.

Por outro lado, as ações PNA da Usiminas subiram forte na semana, encerrando o período na liderança entre os papéis que compõem o Ibovespa. As ações acumularam alta de 11,83%, cotadas a R$ 20,80. As ações reagiram bem ao resultado da Gerdau e seguem em recuperação após forte queda durante a semana, quando testaram a região dos R$ 18,50 e reagiram com bom volume de compra, fato ocorrido na quarta-feira. Na sessão em que foi divulgado o resultado da concorrente, o papel subiu 5,80%, deixando para trás o gap aberto no dia 23 de fevereiro.

Tensões na Líbia e alta do petróleo trazem cautela
O clima de tensão na Líbia voltou a trazer um clima de cautela nos principais mercados internacionais esta semana, com os investidores temendo uma restrição na oferta global de petróleo, visto que o país é um importante produtor e exportador mundial da commodity. A cautela aumenta ao passo que os conflitos e manifestações populares ameaçam chegar na Arábia Saudita, outro gigante do petróleo.

Nesta sexta-feira, as tropas líbias bombardearam pelo terceiro dia consecutivo locais de concentração de rebeldes, no leste do país, informou a agência France Press. Enquanto isso, a oposição planeja protestos na capital, Trípoli, contra o ditador Muamar Kadhafi. Ao passo que cresce a pressão por intervenções internacionais, o petróleo subiu forte em Londres e Nova York nesta semana.

O clima em relação à crise no mundo árabe foi afetado também pela fala do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenando durante entrevista coletiva ao lado do presidente do México, Felipe Calderón, a violência usada contra os manifestantes na Líbia, por conta da qual ambos estão “indignados”. “A violência deve parar. Kadhafi perdeu sua legitimidade para liderar e deve sair”, afirmou o Obama, ao mesmo tempo em que defendeu as aspirações do povo líbio por liberdade, democracia e dignidade.

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Detalhes do corte no orçamento
Por aqui, na primeira sessão da semana, os investidores estiveram de olho na divulgação dos detalhes do corte de R$ 50 bilhões no orçamento do governo para este ano. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a ministra chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, apresentaram as diretrizes para o corte, que terá um peso maior sobre a previdência (redução do abono salarial e seguro desemprego), turismo e esporte. Mantega disse que o corte visa um ajuste fiscal e não inflacionário.

Dentre os pontos mais polêmicos, encontra-se a redução de 10% no abono salarial e seguro desemprego, o que equivale R$ 3 bilhões. Entretanto a ministra garante que não haverá maior dificuldade dos trabalhores em obter o benefício, apenas haverá um foco maior no combate às fraudes. O ministro da Fazenda manteve sua posição sobre os impactos no crescimento serem reduzidos, reiterando a projeção de expansão de 5% da economia neste ano.

Agenda interna traz PIB e Copom em destaque
Outra referência relevante na semana foi a divulgação do PIB brasileiro em 2010. O IBGE revelou na última quinta-feira que a economia doméstica teve avanço de 7,5% no ano passado e de 0,7% na passagem do terceiro para o quarto trimestre. Na avaliação de Alexandre Tombini, presidente do BC, este crescimento “confirma que, após a rápida recuperação dos efeitos da crise financeira de 2008/2009, a economia brasileira entrou em um novo ciclo de expansão”.

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E por falar em PIB, na segunda-feira o Relatório Focus do Banco Central mostrou que houve uma redução da perspectiva de crescimento para a economia brasileira em 2011, passando de 4,5% para 4,3%.

Outro importante destaque do noticiário nesta semana foi a elevação da Selic. Como já era previsto pelo mercado, a reunião do Copom na última quarta-feira terminou com a decisão de elevar a meta para a taxa básica de juro da economia brasileira em 50 pontos-base, para 11,75% ao ano.

Inflação traz alívio
Depois de semanas como o principal driver de preocupação para os investidores, os recentes dados inflacionários divulgados ao longo das últimas cinco sessões trouxeram certo alívio ao mostrarem redução no ritmo de avanço dos preços no mercado brasileiro. A começar pelo IPC-S, que registrou variação positiva de 0,49% na última semana de fevereiro, taxa 0,12 ponto percentual inferior àquela vista na semana anterior.

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O mesmo foi registrado no resultado de fevereiro do IPC-Fipe, que apontou taxa de 0,60%, queda de 0,55 ponto percentual na passagem mensal. O resultado foi pressionado principalmente pela menor inflação dos preços dos alimentos, educação e transportes. A mediação da inflação oficial confirmou esta tendência. Com taxa de 0,80% em fevereiro, o IPCA registrou leve queda de 0,03 ponto percentual do ritmo de aumento dos preços no último mês.

Vale destacar que esse resultado surpreendeu alguns analistas, que esperavam um aumento maior, sobretudo porque enxergavam o setor de serviços como um dos principais pontos de pressão sobre os preços. Mesmo mantendo a pressão inflacionária como o foco da questão econômica, muitos economistas avaliaram que a queda no IPCA foi possível, entre outras razões, por um comportamento extremamente benigno do grupo alimentação na margem.

Ao mesmo tempo, o IBGE também divulgou o INPC, que apontou queda mais acentuada da inflação: em fevereiro, o índice teve taxa de 0,54%, 0,40 ponto percentual menor do que a do mês anterior. Por fim, a FGV publicou o IGP-DI também referente ao mês passado, com variação de 0,96%, queda de 0,02 ponto percentual na passagem mensal.

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Atividade doméstica
Dentre os indicadores de atividade divulgados na cena interna, o IBGE divulgou sua Pesquisa Industrial de Produção Física referente ao mês de janeiro, período no qual foi registrado um avanço de 0,2% da produção industrial na passagem mensal. A agenda nacional também foi marcada pela divulgação do fluxo cambial de fevereiro que, até o dia 25, mostrava um saldo positivo em US$ 6,330 bilhões.

Fechando a lista de referências importantes na cena interna, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,199 bilhão em fevereiro, com exportações de US$ 16,733 bilhões e importações da ordem de US$ 15,534 bilhões.

Nos EUA, Livro Bege e indicadores em foco
Saindo do cenário interno, lá fora, as referências norte-americanas também ajudaram a dar o tom nas bolsas nesta semana. Entre os destaques, a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve apontou que a economia dos EUA segue melhorando em ritmo “modesto a moderado”, afirmando que algumas indústrias manufatureiras estão tendo sucesso ao elevar seus preços, uma das pré-condições para uma melhora no cenário inflacionário do país.

Dados do mercado de trabalho nos EUA também animaram. A economia norte-americana registrou a abertura de 192 mil postos de trabalho em fevereiro, segundo o Relatório de Emprego. O resultado veio acima do esperado pelo mercado, que estimava uma alta de 185 mil postos no período. Já a taxa de desemprego caiu para 8,9%, ficando abaixo das expectativas do mercado, de 9,1%.

Antes do Relatório de Emprego, o mercado já havia recebido com bons olhos o número de postos de trabalho no setor privado dos EUA, que avançou mais do que o esperado em fevereiro, de acordo com os dados do ADP Employment Report.

Mas, não foram apenas os números do mercado de trabalho dos EUA que animaram nesta semana. O Factory Orders, indicador que mede o volume de encomendas à indústria norte-americana, subiu 3,1% durante o mês de janeiro. O resultado veio acima do esperado pelo mercado, que previa variação positiva de 2,1%.

Também mostrando dados melhores que o esperado, a renda dos norte-americanos em janeiro, assim como os gastos dos cidadãos do país no mesmo período estiveram no foco dos investidores. O índice de preços PCE no mês de janeiro, o nível de atividade industrial em fevereiro e o número de registros de pedidos de auxílio desemprego na última semana foram outras referências da agenda que surpreenderam positivamente o mercado.

Os dois únicos indicadores que denotaram números aquém do esperado foram os gastos com construção civil em janeiro e o número de contratos de compra e venda de casas nos EUA em dezembro.

Redução nos gastos públicos norte-americanos
A questão do corte nos gastos do governo norte-americano voltou a pauta nesta semana, com representantes do partido democrata nos EUA pedindo uma postura mais firme da Casa Branca sobre o projeto do partido republicano que consiste em cortar US$ 61 bilhões em gastos públicos neste ano, em uma tentativa de reduzir o déficit do país, previsto para fechar 2011 em US$ 1,65 trilhão.

À favor da medida, Bill Gross, CIO da Pimco – maior gestora de títulos públicos do mundo -, incitou os legisladores a cortar o déficit do país, porém, de maneira mais lenta, a fim de não impactar a recuperação econômica dos EUA. “Vamos cortar o déficit, mas vamos fazê-lo gradualmente,” disse.

Gross afirmou ainda que os Treasuries podem perder o apelo de serem considerados títulos seguros, preocupando muitos investidores que ao primeiro sinal de aversão ao risco correm para o mercado de notas públicas norte-americanas. Para ele, os rendimentos dos Treasuries sofrerão grandes variações quando o Fed encerrar seu programa “QE2” – Quantitative Easing 2, no qual a autoridade planeja compra US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro norte-americano até o final do segundo trimestre de 2011, a fim de injetar mais recursos na economia e estimular a recuperação.

Europa mantém juros, mas sinaliza aperto em breve
Na quinta-feira, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, sinalizou que a taxa de juro da Zona do Euro pode sofrer aumento na próxima reunião da autoridade monetária. “Não digo que vai acontecer, mas é uma possibilidade”, disse Trichet.

Ele lembrou que já tinha apontado para os riscos do aumento da inflação, que agora passam a se materializar. Embora não tenha revelado a magnitude da possível alta, Trichet disse que este não será o início de uma série de alterações na taxa. As falas vieram em coletiva após o anúncio de manutenção da taxa básica de juros da região em 1% ao ano.

Ainda no Velho Continente, a economia da Zona do Euro apresentou crescimento de 0,3% na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2010. Já na União Europeia, o avanço foi de 0,2%, na mesma base de comparação. De acordo com a Eurostat, agência oficial de estatísticas da região, no consolidado de 2010, o crescimento do PIB na Zona do Euro foi de 1,7%, enquanto na União Europeia a alta foi de 1,8%.

Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,645, queda de 1,14% na variação semanal.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, que encerrou a semana com as taxas de vencimento mais próximo praticamente estáveis e alta na parte longa da curva de juros, o contrato com vencimento em abril de 2011, o qual apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,66%, alta de 0,01 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,95% de seu valor de face, avanço de 0,63% na semana.

O indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 165 pontos-base, queda de 17 pontos na variação semanal.