Resumo Semanal

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Com referências negativas na agenda de indicadores econômicos e de resultados corporativos e os intensos conflitos no Egito, o Ibovespa sentiu ainda o peso dos temores com a inflação no país e com as medidas que o governo pode implementar para controlar a entrada de dólares e a alta dos preços e encerrou esta semana com baixa de 2,14%, aos 65.269 pontos – sua menor pontuação desde 31 de agosto de 2010. Assim, o principal índice da bolsa brasileira completou três semanas consecutivas de perdas.

Por aqui, as ações PN da TAM não responderam bem à suspensão da fusão com a chilena LAN por parte do tribunal antritruste do Chile (TDLC), e encerraram a semana com o pior desempenho dentre as ações que compõem o Ibovespa, acumulando perdas de 10,70% e fechando esta sexta-feira (4) cotadas a R$ 35,21.

A expectativa da criação de uma gigante no setor – a Latam Airlines, a maior operadora da América Latina e uma das quinze maiores do mundo no setor – foi temporariamente frustrada com a suspensão e, na última segunda-feira (31), e os ativos TAMM4 despencaram 7,15% no pregão após o anúncio.

Por outro lado, as ações ordinárias da Usiminas encerraram a primeira semana de fevereiro com alta acumulada de 10,73%, a maior variação positiva dentre os papéis que fazem parte da carteira teórica do Ibovespa, cotados a R$ 25,60 cada. O movimento positivo segue desde janeiro, quando a empresa registrou o melhor desempenho do benchmark, com ganhos de 17,05% no mês.

Outros destaques corporativos
Entre os papéis mais líquidos do Ibovespa, o desempenho não foi unânime. Enquanto as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras tiveram altas de, respectivamente, 5,62% e 3,56% na semana, os papéis PNA e ON da mineradora Vale auferiram quedas de 1,29% e 1,28%, nesta ordem. Os investidores seguem avaliando novos rumores em relação ao interesse da Petrobras na compra da fatia da portuguesa Galp detida pela Eni.

Ainda no noticiário corporativo da semana, chamou atenção o Banco PanAmericano, que enviou um comunicado ao mercado informando que o Grupo Sílvio Santos realizou um aporte adicional de R$ 1,3 bilhão, “decorrente do ajuste necessário” frente às inconsistências contábeis com apurações ainda em andamento. Segundo o banco, as investigações sobre a fraude cessarão até o dia 15 de fevereiro, data limite estipulada pelo banco para a entrega dos resultados referentes ao terceiro trimestre, em atraso perante a CVM.

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Semana de estreias
A semana também foi marcada por estreias na BM&F Bovespa. Na última quarta-feira (2), foi a vez das ações da Arezzo. Após serem precificados no teto das estimativas dos coordenadores da oferta, os papéis mostraram forte alta de 11,84% no primeiro dia de negócios na bolsa brasileira, ficando também com o quarto maior volume de negociações da bolsa na sessão.

Já na quinta-feira (3) a Sonae Sierra deu início às suas negociações na BM&F Bovespa. No entanto, o resultado não foi positivo no seu primeiro dia na bolsa, e a companhia, que teve suas ações precificadas abaixo do valor estipulado pelos coordenadores da oferta, assistiu os papéis SSBR3 se desvalorizarem 1,55%.

Nos EUA, atenção ao mercado de trabalho
Na pauta norte-americana, indicadores do mercado de trabalho dominaram as atenções dos investidores na semana. A economia norte-americana registrou a abertura de 36 mil postos de trabalho em janeiro, segundo o Relatório de Emprego divulgado pelo Departamento de Trabalho dos EUA. O resultado veio abaixo do esperado pelo mercado, que estimava uma alta de 148 mil postos no período. Já a taxa de desemprego caiu para 9,0%, ficando melhor do que as expectativas de 9,5%.

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Em contrapartida, o ADP Employment Report mostrou que foram abertas 187 mil vagas no setor privado dos Estados Unidos no último mês. O resultado foi superior às expectativas do mercado, contudo, o desempenho ficou abaixo da medição anterior, segundo dados revisados.

A atividade industrial também trouxe surpresa positiva nesta semana. O Chicago PMI atingiu um nível acima do previsto em janeiro. Do mesmo modo, o ISM Index revelou que a nível de atividade industrial nos Estados Unidos ficou melhor que o esperado no primeiro mês deste ano. Outro indicador que surpreendeu positivamente no período foi o Personal Spending, referente aos gastos da população, de dezembro.

Na contramão do fluxo positivo de referências, a agenda dos EUA também trouxe um PCE estável em dezembro. Vale destacar que tal indicador serve como um termômetro do poder de compra dos consumidores norte-americanos, e, consequentemente, da situação da atividade econômica local. Em linha, o Personal Income, que se refere à renda dos norte-americanos, desanimou em dezembro, assim como os gastos com construção civil nos Estados Unidos em igual período.

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Inflação em foco aqui…
A inflação voltou ao centro das atenções nesta semana no front doméstico. Dados divulgados no período mostraram aumento do ritmo de elevação dos preços no mercado brasileiro, ampliando as percepções de que o Copom realizará uma alta maior do que a praticada em janeiro na taxa Selic em sua próxima reunião, que acontecerá nos dias 1 e 2 de março.

Entre tais dados, destaque para o IPC-S, que registrou alta de 1,27% na última semana de janeiro, taxa 0,09 ponto percentual maior do que a vista na medição anterior. Já o IPC-Fipe mostrou inflação de 1,15% em janeiro, taxa superior àquela apresentada no mês anterior.

…e na China
O contínuo aumento nos preços dentro do mercado chinês foi outro driver para os mercados nesta semana. Assegurando seu compromisso em manter a estabilidade dos níveis de preços na China e evitar uma forte escalada da inflação, o primeiro-ministro do país, Wen Jiabao, reiterou que o governo implementará “resolutamente” medidas para controlar o setor imobiliário e a demanda especulativa por moradia, segundo a agência de notícias local Xinhua.

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Entre os dados divulgados no gigante asiático, destaque para o PMI. O indicador revelou que em janeiro a produção industrial desacelerou frente a dezembro, na maior baixa em cinco meses e pior que o estimado por analistas. Além disso, o superávit em conta corrente em 2010 saltou 25% sobre o ano anterior, a US$ 306,2 bilhões, após registrar o avanço de 13% no último trimestre do ano, na base de comparação anual.

Atividade brasileira
A produção industrial brasileira também foi destaque na semana ao mostrar recuo de 0,7% na passagem de novembro para dezembro, encerrando 2010 com crescimento de 10,5%, segundo a Pesquisa Industrial de Produção Física, divulgada pelo IBGE. Na comparação com o ano anterior, o resultado de dezembro representa um avanço de 2,7%, enquanto no acumulado de 2009 fora registrado recuo de 7,4%.

Por outro lado, a FGV divulgou a Sondagem Industrial do mês de janeiro, revelando que o ICI teve redução de 1,5% na passagem mensal, passando de 114,5 para 112,8 pontos – já com ajuste sazonal. A FGV explicou que essa redução do índice – que havia alcançado seu nível mais elevado no segundo semestre de 2010 – foi motivada principalmente pela piora no grau de satisfação com o ambiente atual dos negócios.

A balança comercial brasileira, por sua vez, registrou saldo positivo de US$ 424 milhões em janeiro, segundo o MDIC. Já o conteúdo do Relatório Focus indicou projeções maiores tanto para o PIB (Produto Interno Bruto) como para a inflação e para a taxa básica de juros neste ano no País.

Outras perspectivas também foram reveladas ao longo da semana. É o caso da Febraban, que divulgou sua Pesquisa de Projeções Macroeconômicas e Expectativa de Mercado. Segundo o documento, a economia brasileira deverá crescer 4,6% em 2011, com o IPCA – medida oficial da inflação interna – marcando alta nos preços de 5,5% ao final deste ano, bem acima do centro da meta do governo, de 4,5%.

Os investidores também voltaram a se atentar ao mercado de câmbio nesta semana. Enquanto o BC vem realizando compra de dólares, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, informou que existe a possibilidade de que o FSB atue no mercado de câmbio, como instrumento de auxílio para a política cambial. “Esse é um caminho possível”, disse.

Conflitos no Egito
Foco do noticiário internacional ao longo de toda a semana, os investidores seguem avaliando novos movimentos referentes à crise no Egito, sendo que de acordo com o The New York Times, o governo dos EUA está em um processo de discussão com oficiais do governo egípcio para negociar a renúncia do presidente Hosni Mubarak.

Nos últimos dias, os confrontos entre oposicionistas e partidários de Mubarak se intensificaram, tendo sido registradas as mortes de pelo menos 8 pessoas, embora este dado não seja confirmado pelo governo local. Ainda sobre o país, depois de Moody’s e S&P, a agência de classificação de risco Fitch cortou na última quinta-feira (3) o rating do Egito e deixou a nota em perspectiva negativa.

Europa perde espaço na pauta
Após semanas em foco por conta do receio dos investidores frente a atual crise fiscal, a Europa nos últimos dias ficou alheia do radar do mercado, que deu mais atenção aos conflitos no Egito e às referências norte-americanas do período. O movimento reflete em partes os bem-sucedidos leilões de títulos públicos promovidos pelo governo de algumas economias da região, como Portugal, Itália e Espanha, no último mês.

Mas, apesar disso, os países do Velho Continente ainda enfrentam dificuldades para arcar com seus débitos. Assim, a Standard & Poor’s rebaixou os ratings de longo e curto prazo da Irlanda, passando de “A” para “A-“ e de “A-1” para “A-2”, respectivamente. A agência manteve a perspectiva negativa da nota. O corte segue a revisão da S&P sobre a avaliação de risco do setor bancário irlandês, pressionado pelas incertezas sobre as necessidades adicionais de capitalização do segmento, o qual é amplamente estatizado.

Renda Fixa e Câmbio
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,676, com variação negativa de 0,53% na semana.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato com vencimento em janeiro de 2013, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,91%, alta de 0,07 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,75% de seu valor de face, alta de 0,04% na semana.

O indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 158 pontos-base, queda de 17 pontos na variação semanal.