Resumo Semanal

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O Ibovespa começou a semana com forte baixa, com o mercado novamente preocupado acerca do crescente avanço nos preços. O temor era de que novas medidas macroprudenciais pudessem ser tomadas para conter a demanda e assim acomodar a inflação. Mas, após o corte no Orçamento anunciado pelo governo, a bolsa esboçou um alívio, estimulado em seguida pela renúncia do ditador egípcio Hosni Mubarak. Assim, o índice conseguiu sustentar um avanço semanal, ainda que pequeno, de 0,75%, ficando aos 65.755 pontos.

Por aqui, as ações ordinárias da Lojas Renner tiveram bom desempenho semanal e encerraram o período como a maior alta dentre os papéis que compõem o Ibovespa. Na semana, as ações da empresa avançaram 8,67%, terminando esta sexta-feira (11) cotadas a R$ 51,40.

Por outro lado, as ações da Cosan encerraram a segunda semana de fevereiro com queda acumulada de 4,66%, cotadas a R$ 24,55, registrando assim a maior queda do Ibovespa. Parte da queda vista nos últimos dias deve-se à divulgação do resultado relativo ao terceiro trimestre de 2011, que incorreu na redução de algumas partes do guidance da companhia.

Petrobras e Vale
Dentre as ações mais líquidas do Ibovespa, não foi unânime. Enquanto as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras, assim como os papéis PNA da Vale, caíram 4,42%, 4,61% e 1,43%, respectivamente, os ativos ON da mineradora registraram ligeiro avanço de 0,20% na semana.

Egito em foco
No noticiário econômico internacional, ganhou destaque na semana o desenrolar dos conflitos populares no Egito. A população egípcia manteve os protestos iniciados há duas semanas no Cairo, pedindo a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. Depois de muitos rumores sobre a renúncia do político, entre falas desencontradas de governantes do país, Mubarak anunciou apenas nesta sexta-feira sua saída do cargo.

O comando militar do país prometeu garantir que as eleições de setembro sejam “livres e honestas” após a saída do ditador, além de viabilizar mudanças na Constituição.

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Inflação e corte de gastos no Brasil
Além do conturbado cenário externo, o mercado brasileiro sentiu pressão nesta semana da ainda elevada inflação. Depois que o IBGE divulgou a inflação apurada pelo IPCA em janeiro, que foi de 0,83%, superando tanto a medição de dezembro (+0,63%) quanto a mediana das projeções contidas no último relatório Focus (+0,78%), o governo agiu novamente para tentar conter o avanço desenfreado dos preços na cena interna.

Assim, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciaram a extensão dos cortes no Orçamento. De acordo com os ministros, serão cortados R$ 50 bilhões em gastos previstos para 2011. Do Orçamento aprovado pelo Congresso, o governo reviu a previsão com receitas líquidas de transferência de R$ 819 bilhões para R$ 891,7 bilhões. Já as despesas passarão para R$ 719 bilhões, o que resultará em resultado positivo de R$ 81,8 bilhões.

Agenda doméstica
Além do IPCA, o IBGE também publicou na última terça-feira (8) o resultado de janeiro do INPC, que registrou inflação maior do que a apurada no mês anterior. O INCC, por sua vez, apresentou alta de apenas 0,1 ponto percentual sobre o resultado de dezembro (0,26%).

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A produção industrial também foi destaque na semana depois de ter registrado crescimento em todas as regiões pesquisadas em 2010. Já na passagem de novembro para dezembro, a produção caiu em 11 das 14 regiões. A taxa de emprego na indústria brasileira aumentou 3,4% ao longo de 2010, o índice mais elevado da série histórica iniciada em 2002.

Por fim, o BC divulgou as informações preliminares de crédito de janeiro, mostrando dados próximos àqueles vistos no primeiro mês de 2010. Segundo a consultoria Rosenberg & Associados, “isso mostra que as medidas macroprudenciais já estão tendo efeitos” . Os analistas apostavam na possibilidade de novas medidas para conter o avanço do crédito, um dos motivos para a alta inflação.

Geithner no Brasil
Em visita pelo Brasil, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, afirmou que economias com moedas subvalorizadas e câmbio controlado estão sobrecarregando o País e outras nações que enfrentam um aumento potencial do investimento estrangeiro.

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O secretário do Tesouro disse também que o Brasil tem a ganhar com políticas cambiais mais flexíveis, especialmente entre seus parceiros comerciais. “Isso pode ajudar o Brasil se algum dos outros grandes países parceiros comerciais tiverem uma política de câmbio mais flexível”, afirmou Geithner. “Esta flexibilização está vindo. Irá ocorrer e queremos encorajá-la, mas encontra-se em um estágio muito inicial”, acrescentou.

Referências norte-americanas
Nos Estados Unidos, a semana veio carregada de referêcias. Na última quarta-feira (9), as atenções lá fora se voltaram para o discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no Congresso norte-americano. Embora tenha sinalizado uma maior confiança na economia dos EUA, Bernanke também demonstrou que a situação do mercado de trabalho do país continua sendo motivo de preocupação, e afirmou que a inflação segue em baixa por lá.

Entre os indicadores econômicos, mostraram dados melhores que o esperado o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados na última semana, o orçamento do governo em janeiro, o nível dos estoques no atacado norte-americano no mês de dezembro e o montante de crédito concedido ao consumidor dos EUA no último mês do ano passado.

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Por outro lado, a balança-comercial norte-americana de dezembro e a prévia da confiança do consumidor medida pela Universidade de Michigan em janeiro trouxeram dados aquém daquilo que o mercado estava aguardando.

Dívida soberana europeia
No velho continente, o Banco da Inglaterra manteve a taxa de juros em 0,50%, patamar mínimo histórico, e o programa de compra de títulos. O movimento da autoridade monetária do Reino Unido já era amplamente esperado pelo mercado.

Por outro lado, a preocupação foi a respeito dos novos desdobramentos da crise da dívida soberana europeia, após a notícia, propagada por agências internacionais, de que o BCE voltou a adquirir títulos da dívida de Portugal.

Jordânia e China
De volta ao front internacional, o Banco Popular da China decidiu elevar o juro básico chinês em 0,25 ponto percentual, como medida para tentar combater o avanço da inflação. Contudo, a maior parte dos investidores já havia antecipado tal medida, e com isso seu anúncio teve efeito reduzido.

Também no noticiário externo, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s cortou o rating soberano em moeda local da Jordânia, após o agravamento da situação na região. O panamora de longo prazo, em moeda local e estrangeira, também foi reavaliado, saindo de uma posição estável para uma perspectiva negativa. 

Renda Fixa e Câmbio
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,667, com variação negativa de 0,54% na semana.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato com vencimento em janeiro de 2013, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,79%, queda de 0,11 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 133,65% de seu valor de face, queda de 0,82% na semana.

O indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 177 pontos-base, alta de 19 pontos na variação semanal.