Resumo Semanal

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Apesar da pressão sentida ao longo da semana por referências internacionais, o Ibovespa se sustentou no campo positivo e fechou esta sexta-feira (18) com alta acumulada de 3,52%, aos 68.066 pontos – sua maior pontuação desde 26 de janeiro.

Mesmo a inflação ainda sendo um ponto preocupante por aqui, o mercado recebeu bem a aprovação pela Câmara do salário mínimo em R$ 545,00 e a fala de Mantega, dando sinais de que o governo pode adotar mais medidas para controlar o fluxo de capital. O noticiário corporativo também contribuiu positivamente para a performance do índice. Além disso, o aumento nas projeções de crescimento econômico nos EUA também foi um driver favorável na semana.

As ações ordinárias da Cielo apresentaram um forte desempenho ao longo da semana e lideram as altas entre as ações que compõem o Ibovespa no período. Os papéis da empresa apresentaram variação positiva de 14,62% na passagem semanal, cotados a R$ 13,25. O investidor parece ter se animado com os planos da empresa, reiterado pelo presidente Rômulo de Mello Dias, após a divulgação de resultados. As fortes quedas acumuladas recentemente e a elevação da recomendação pelo Morgan Stanley também deram fôlego ao papel.

Por outro lado, a GOL foi o principal destaque de queda do Ibovespa nesta semana, ao repercutir o cenário desfavorável para suas ações. Os papéis registraram queda de 2,99% no período, cotados a R$ 23,00. Em termos operacionais, a alta do petróleo, um dos principais insumos utilizados pela companhia aérea, no mercado internacional ganha especial destaque. A entrada de novas empresas do setor na BM&F Bovespa, com a Webjet dando início ao seu IPO e o mercado especulando sobre a abertura de capital da Azul, também é avaliada pelo mercado.

Resultados Corporativos
Na agenda de resultados corporativos desta semana, os números do Banco do Brasil, da Lojas Renner, da BM&F Bovespa estiveram em foco. O banco reportou um lucro líquido de R$ 11,70 bilhões no acumulado do ano, o que significa um avanço de 15,32%. No entanto, o último trimestre de 2010 representou um recuo de 3,69% sobre o mesmo período de 2009, com ganhos de R$ 4 bilhões. O resultado anunciado superou as expectativas dos analistas, que elogiaram a queda na provisão para perda com crédito duvidoso e destacaram que o resultado líquido teve grande impulso do Precvi, o fundo de previdência do BB.

Já a varejista apresentou lucro líquido de R$ 123,2 milhões no quarto trimestre de 2010, avanço de 22,8% na comparação anual. A receita líquida, por sua vez, subiu 15,5% na mesma base de comparação, vindo acima da projeção média compilada pela InfoMoney. Enquanto isso, o Ebitda veio inferior ao montante médio que as prévias indicavam, mas teve crescimento de 14,2% no trimestre frente a 2009.

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A administradora da bolsa brasileira, por sua vez, atingiu R$ 1,586 bilhão de lucro líquido ajustado em 2010, o que configura um avanço de 29,6% frente a 2009. No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 368 milhões, alta de 16,7% frente ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado teve alta de 6,8% no 4T10 em relação ao 4T09. Já a receita líquida aumentou em 10,7% na mesma base de comparação. Os números vieram em linha com o esperado pelo mercado.

Fusão de bolsas
Outro destaque na semana foi o movimentado noticiário acerca de fusões de bolsas de valores ao redor do globo. Nos Estados Unidos, as controladoras das bolsas de Frankfurt (Deutsche Böerse AG) e de Nova York (NYSE Euronext) anunciaram na última terça-feira um acordo de fusão que, dentre outras consequências, será responsável pela maior plataforma mundial de negociação de contratos derivativos e gestão de risco.

Apesar disso, nesta sexta-feira, fontes não identificadas informaram à CNBC que a bolsa de tecnologia Nasdaq está em conversas com a Intercontinental Exchange (ICE) e a gigante CME para formar parcerias a fim de colocar uma proposta maior do que a da Deutsche Böerse pela Nyse.

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Falando em CME, depois de diversas especulações no mercado, o presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, afirmou nesta sexta-feira que por ora não há planos de uma fusão com a principal parceira da bolsa brasileira, a gigante norte-americana CME. “Temos uma parceria forte, que pode continuar evoluindo”, disse o presidente da bolsa, comparando a relação a um relacionamento amoroso, que pode acabar em noivado e casamento ou separação. “Por ora, não há planos de noivado em discussão”, brincou.

Por aqui, a ideia de que a BM&F Bovespa ganhará em breve uma nova concorrente foi apoiada pela gestora de recursos Claritas e a Bats Global Markets, uma plataforma eletrônica com sede nos EUA, que divulgaram um comunicado afirmando que estão explorando as oportunidades no mercado brasileiro.

Apontada como envolvida na criação de uma bolsa de valores concorrente à BM&F Bovespa, a Bovesba – bolsa de valores da Bahia, Sergipe e Alagoas – ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto. O superintendente da Bovesba, José Carlos Monteiro, disse à InfoMoney que a bolsa está organizando uma reunião com seus sócios para discutir o assunto, o que deve acontecer na próxima semana. Ele também disse que a Bovesba tem protocolos com Claritas e Bats.

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Salário Mínimo
No cenário interno, os mercados repercutiram nesta semana a primeira grande batalha do Governo em 2011, que chegou com a aprovação do salário mínimo em R$ 545,00 na Câmara, e agora segue para discussão no Senado. A decisão, de um modo geral, pareceu ter agradado os analistas.

A posição do Governo na questão do salário mínimo foi interpretada como sinal de comprometimento com o ajuste fiscal anunciado recentemente. Com a ameaça da base aliada de votar a favor de um reajuste maior, a postura adotada pelo Governo foi de classificar como aliados apenas os deputados que votassem a favor dos R$ 545,00 desejados.

A confirmação do reajuste salarial caminha a favor do corte do orçamento e dos gastos públicos, proposto pelo governo em 9 de fevereiro. O mercado afirmava que apenas com um ajuste fiscal a alta da inflação poderia ceder. Resta ainda certo ceticismo no mercado sobre a eficiência dessa política, mesmo porque faltaram detalhes no anúncio, o que de certa forma frustrou as expectativas dos economistas.

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Destaques da agenda interna
Dentro da pauta doméstica, o destaque ficou com dados de inflação. Publicado pela FGV, o IGP-10 de fevereiro mostrou aumento maior nos preços do que o apurado em janeiro. O mesmo foi visto com o IPC-Fipe e com a segunda prévia do IGP-M no mesmo mês.

Além da inflação, o Banco Central divulgou o IBC-Br, mostrando baixa de 1,95%, sem ajuste sazonal, na passagem de novembro para dezembro. No entanto, de acordo com a leitura dessazonalizada, o indicador mostrou alta de 0,07%.

Já o fluxo cambial de fevereiro até a última sexta-feira (11) teve superávit de US$ 2,546 bilhões. Ainda por aqui, as vendas do comércio varejista registraram crescimento recorde ao longo do ano passado, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE.

A balança comercial brasileira, por sua vez, foi destaque ao mostrar superávit de US$ 548 milhões na segunda semana de fevereiro. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, afirmou em reunião com empresários na sede da CNI no início da semana que a balança comercial brasileira deve terminar o ano positiva em R$ 10 bilhões.

Enquanto isso, o relatório Focus do Banco Central apontou redução das projeções de crescimento do PIB brasileiro neste ano, de 4,60% para 4,50%, além de indicar também aumento na expectativa para os principais índices de preços.

G-20
Começou nesta sexta-feira o encontro dos ministros das Finanças do G-20, em Paris. Representantes das vinte maiores economias globais discutem temas como o controle do fluxo de capital e o limite para acumulação de reservas.

O presidente do Fed, Ben Bernanke, discursou focado na questão cambial da China, deixando o mercado um pouco frustrado, por não fazer maiores comentários sobre a economia norte-americana. Na mesma ocasião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil adotará mais medidas para controlar os movimentos de capitais se for preciso.

Referências dos Estados Unidos
Na agenda dos Estados Unidos, ganhou destaque nesta semana a ata da última reunião do Federal Reserve. O documento mostrou que os membros do comitê estão mais confiantes em uma retomada da economia norte-americana, com alguns deles vendo a possibilibade de ajustes no programa de US$ 600 bilhões em compras de títulos aprovado pelo banco central dos Estados Unidos no final de 2010, o chamado QE2.

Além disso, houve avanço nas projeções do Federal Reserve para o PIB dos Estados Unidos neste ano. A nova perspectiva da autoridade monetária norte-americana é de um avanço econômico entre 3,4% e 3,9% em 2011, frente a expectativa anterior de alta entre 3,0% e 3,6%. Contudo, a preocupação com a elevada taxa de desemprego também ganhou destaque na ata.

Entre os indicadores econômicos divulgados na semana, mostraram números melhores que o esperado o indicador de preços pagos a fábricas, agricultores e produtores em geral, que é análogo no Brasil ao índice de preços no atacado, assim como o número de casas em início de construção nos EUA em janeiro.

Ainda nos EUA, destaque para o desempenho em linha com o esperado do setor industrial de Nova York e para as vendas ao varejo em janeiro, que decepcionaram ao avançar abaixo das estimativas. Já o comércio norte-americano registrou alta de 0,3%, um pouco abaixo das projeções do mercado (+0,5%). A atividade industrial norte-americana em janeiro e a quantidade de autorizações para construções no mesmo período foram outros indicadores que desanimaram ao vir piores que o previsto.

A carregada agenda norte-americana na semana também contou com o CPI, índice que mede a evolução dos preços ao consumidor nos EUA, que animou ao mostrar inflação acima do esperado em janeiro. Porém, o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados nos EUA na última semana veio um pouco pior do que o antecipado pelos analistas. Também desanimou o resultado do Leading Indicators. Em contrapartida, o nível de atividade industrial na região da Filadélfia ficou acima das estimativas do mercado em fevereiro.

Europa e Ásia
No cenário europeu, na Alemanha foi divulgado que o PIB do país cresceu 0,4% no último trimestre do ano passado, abaixo das expectativas do mercado. Na mesma linha, o PIB da Zona do Euro, também no quarto trimestre de 2010, registrou um crescimento de 0,3% na passagem trimestral, enquanto o consenso do mercado apontava para crescimento de 0,4%.

Passando para a Ásia, destaque para o índice de preços ao consumidor chinês, que registrou elevação de 4,9% em janeiro, comparando-se ao mesmo período do ano anterior. Apesar de ser o maior valor para janeiro em ao menos seis anos, o salto foi menor que o projetado por analistas.

Com a inflação ainda em foco, o PBoC aumentou em 0,5 ponto percentual o compulsório bancário, com a nova taxa passando a vigorar a partir da próxima quinta-feira. Um movimento desse tipo já estava no radar dos investidores, mas mesmo assim pesou sobre as bolsas nesse pregão, já que renova os temores quanto a medidas adicionais que podem ser adotadas para controlar a inflação na segunda maior economia do mundo.

Os anúncios do BoJ também ficaram destaque, com a autoridade tendo melhorado a avaliação da economia do país, “gradualmente emergindo da fase de desaceleração atual”. A autoridade monetária também manteve, por unanimidade, a taxa de juro entre 0% e 0,1%, como era esperado.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,664, com variação negativa de 0,18% na semana.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, que encerrou a semana com as taxas acumulando alta, o contrato com vencimento em janeiro de 2013, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,69%, queda de 0,10 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 133,33% de seu valor de face, queda de 0,24% na semana.

O indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 172 pontos-base, queda de seis pontos na variação semanal.