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Os principais mercados de renda variável enfrentaram mais uma semana de perdas, embalados pelo cenário corporativo. A nova regulamentação ao sistema financeiro, proposta pelo presidente dos EUA, ajudou a aprofundar as quedas, levando os índices em Wall Street a sua pior semana desde março de 2009. O movimento negativo de algumas das principais commodities e as expectativas de que o governo chinês venha a implementar novas medidas para conter a concessão de crédito no país também pressionaram os mercados.
Assim, o Ibovespa encerrou a semana com desvalorização de 4%, a 66.220 pontos. Vale destacar que o exercício de opções sobre ações de janeiro movimentou R$ 5,25 bilhões na BM&F Bovespa na segunda-feira.
As ações ordinárias da Eletrobrás lideraram isoladas as altas do índice no período, com alta de 16,70% – os papéis preferenciais da empresa também subiram forte, 12,97%. A companhia informou a aprovação da quitação do Saldo da Reserva Especial de Dividendos, com pagamentos aos acionistas sendo efetuados em quatro parcelas anuais – encerrando dívida que carregava há mais de 30 anos.
A semana instável na Bolsa levou os ativos das Lojas Americanas a caírem 10,29%, o destaque de baixa na semana do índice. No acumulado de 12 meses, as ações da companhia varejista reportam valorização de 108,86%, e o que se viu durante as sessões recentes foi um movimento de realização. A retração também foi acompanhada de notícias publicadas pelo Banco Central, que mostraram que a inadimplência de pessoas físicas com o cheque especial registrou em dezembro seu maior nível.
Em relação às ações mais líquidas do índice, o movimento foi negativo. Os papéis ordinários da Petrobras recuaram 3,65% no período, enquanto os ativos preferenciais caíram 2,80%. Já as ações da Vale acumularam perdas de 5,50% e 5,18% na semana, na mesma ordem.
Noticiário
Uma das principais referências foi o discurso do presidente norte-americano, que reafirmou a intenção de Obama de implementar uma regulação mais rígida no sistema financeiro do país, limitando o tamanho das instituições financeiras. A proposta inclui restrições aos bancos comerciais para impedi-los de fazer investimentos de alto risco e proíbe que as instituições sejam donas de hedge funds, entre outras medidas.
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Ademais, a China reportou crescimento de 10,7% no seu PIB (Produto Interno Bruto) em 2009 na base de comparação anual, resultado acima do esperado. Os dados revelam a elevação mais acelerada do produto chinês desde o ano de 2007, aumentando as expectativas por uma reversão dos estímulos monetários e fiscais no curto prazo.
Agenda
A pauta de indicadores seguiu movimentada nos EUA. O Leading Indicators, que compreende vários índices já divulgados, veio acima das expectativas. O PPI (Producer Price Index) também veio acima do esperado, embora seu núcleo, que exclui itens como alimentação, tenha registrado variação nula em dezembro.
No mercado imobiliário, o Building Permits mostrou aumento inesperado, mas o Housing Starts trouxe queda no início de construção de novas casas nos Estados Unidos e veio abaixo das expectativas. O nível de atividade industrial na Filadélfia também decepcionou, assim como os pedidos de auxílio-desemprego.
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Por aqui, tanto o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor – Fipe) quanto o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) mostraram forte aceleração da inflação. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) apontou inflação de 0,52% em janeiro, variação de 0,14 ponto percentual superior à registrada no mês passado.
Já a balança comercial fechou a segunda semana do mês deficitária em US$ 592 milhões, com exportações ficando em US$ 2,420 bilhões e importações na ordem de US$ 3,012 bilhões.
Cenário corporativo
Os resultados do setor financeiro norte-americano atraíram atenções durante a semana. O Bank of America postou seu primeiro prejuízo anual em mais de duas décadas, enquanto o Morgan Stanley decepcionou as projeções dos analistas com lucro abaixo do esperado. Já o Wells Fargo postou o maior lucro de sua história em 2009, enquanto os resultados do Citigroup e do Bank of New York Mellon vieram em linha com as expectativas. Por fim, os números do Goldman Sachs superaram as estimativas.
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Da mesma maneira, os analistas receberam bem os números da Continental Airlines, Google, IBM, Xerox, General Electric, McDonalds e American Express. Ainda no cenário externo, destaque para a Kraft Foods, que enfim conseguiu arrematar a britânica Cadbury, e para o pedido de concordata da Japan Airlines.
No panorama doméstico, a Braskem comunicou nesta sexta-feira a aquisição da Quattor. Por meio de operações societárias, a empresa passará a ser controlada por Odebrecht (50,1% do capital votante) e Petrobras, que consolida sua participação no setor petroquímico, e a Braskem passa a ser a maior empresa do setor na América em termos de capacidade de produção de resinas.
A Petrobras, por sua vez, anunciou que sua produção total média em 2009 cresceu 5,2% em relação a 2008. No entanto, a média da produção total de óleo, LGN (Líquido de Gás Natural) e gás natural da empresa em dezembro apontou leve recuo em relação ao resultado de novembro. Ainda sobre a estatal, o ministro de Energia do Qatar, Abdullah bin Hamad Al-Attiyah, declarou que a Petrobras está analisando proposta feita pelo país de aquisição de participação acionária na estatal brasileira.A Qatar Investment Authority (QIA) – fundo soberano no país – também vem manifestando interesse em adquirir uma participação acionária no capital do Banco do Brasil.
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Ainda entre fusões e aquisições, a mídia italiana divulgou informações sobre uma possível compra da controladora da TIM, a Telecom Italia, pela espanhola Telefônica.
BR Malls, Le Lis Blanc, Cremer e Trisul divulgaram seus resultados prévios.
Câmbio e renda fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,82. Com ganhos de 2,65% no acumulado das últimas cinco sessões, o dólar renovou a maior valorização dos últimos 26 meses. O Banco Central, que interveio em todas as sessões, lançou dados sobre o fluxo cambial brasileiro, que nos primeiros dez dias úteis de janeiro ficou positivo em R$ 95 milhões.
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em alta na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,38%, avanço de 0,12 pontos percentuais em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 135,20% de seu valor de face, alta de 0,52% na semana.
O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 222 pontos-base, alta de 13 pontos na variação semanal.