Resumo Semanal

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Sentindo o peso da intensificação das manifestações populares na Líbia e a agressiva retaliação do governo, que deixou os mercados globais em alerta, o Ibovespa fechou esta semana com baixa acumulada de 1,71%, aos 66.902 pontos. Com este desempenho o índice interrompeu uma sequência de duas altas semanais consecutivas. O período também foi marcado pelo intenso fluxo de notícias corporativas, com a temporada de divulgação de resultados em andamento na cena interna.

Contrariando a tendência do Ibovespa, as ações PN da Klabin encerraram a semana com forte avanço, encabeçando a ponta compradora do índice. No período, as ações da companhia do setor de papel e celulose subiram 10,09% e fecharam a última semana de fevereiro cotadas a R$ 6,22.

Os papéis da Klabin responderam positivamente à divulgação do resultado referente ao 4T10. Apesar de os analistas não terem se surpreendido com os números, por considerá-los em linha com as projeções anteriormente lançadas, a expectativa futura para a empresa foi bastante otimista. 

Por outro lado, as ações preferenciais classe A da Usiminas fecharam esta semana como a principal baixa dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando queda de 11,55%, para encerrar esta sexta-feira (25) cotadas a R$ 18,60 cada. O cenário da siderurgia é de preocupação, uma vez que a elevação dos preços do aço não é capaz de recompor o aumento dos custos de matérias-primas como o minério de ferro.

Além disso, a siderúrgica marcou um lucro líquido de R$ 413 milhões, 38% menor que o apurado no mesmo período de 2009, enquanto o Ebitda teve queda de 60%, passando para R$ 332 milhões. A receita líquida totalizou R$ 3,092 bilhões, alta de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Petrobras e Vale
A continuidade da temporada de divulgação de resultados colocou duas blue chips da bolsa em foco nesta semana: a Vale e a Petrobras. No acumulado de 2010, a mineradora brasileira mostrou lucro de R$ 30 bilhões, “o maior da história na indústria de mineração”. No geral, a receita e o lucro vieram acima das projeções, enquanto o Ebitda veio dentro da média das expectativas do mercado.

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A petrolífera, por sua vez, registrou lucro líquido de R$ 10,636 bilhões no quarto trimestre do ano passado, montante 16,5% superior ao reportado no 3T10 e 48% acima do apurado entre outubro e dezembro de 2009. Dessa forma, o lucro líquido acumulado pela estatal ao longo de 2010 chegou a R$ 35,901 bilhões. O número mostra uma expansão de 7,7% frente ao resultado de 2009. Os investidores repercutirão os números na sessão de segunda-feira (28).

As ações PNA da Vale fecharam a semana em baixa de 1,95%, cotadas a R$ 49,26 cada, enquanto que os papéis ON da mineradora tiveram uma performance negativa de 2,96% no mesmo período, valendo R$ 55,70. Já as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras subiram 6,21% e 4,49%, respectivamente, cotadas a R$ 32,86 e R$ 28,60, nesta ordem.

Temor com Líbia mexe com cotações do petróleo
Principal responsável pelo mau humor externo, a instabilidade política na Líbia parece não ter solução próxima. Na quarta-feira, um dia após o líder Muammar Gaddafi prometer continuar no cargo que ocupa há mais de 40 anos e dizer na televisão estatal que desejava “morrer como um mártir” na Líbia, o país continuou a presenciar fortes protestos.

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O mercado temia que com a saída de grandes petrolíferas da Líbia, haveria uma pressão maior na oferta global de petróleo. Assim, as cotações da commodity dispararam no meio da semana. Contudo, entre quinta e sexta-feira houve uma melhora do humor em relação à crise na Líbia, associada com os movimentos da comunidade externa frente ao tema, colaborando para que as cotações do petróleo perdessem força. Autoridades sinalizaram que as reservas globais dariam conta de suprir a demanda não atendida pela Líbia.

Inflação doméstica traz alívio no final da semana
O aumento nos preços dentro do mercado interno voltou ao foco dos investidores logo no início da semana. Na segunda-feira, o relatório Focus voltou a mostrar preocupação em relação à inflação: todos os quatro índices de preços monitorados pelo relatório de projeções do Banco Central – IPCA, IGP-DI, IGP-M e IPC-Fipe – mostraram que o mercado elevou mais uma vez na última semana suas estimativas para os indicadores no acumulado de 2011.

O clima de cautela em relação ao assunto foi intensificado na sessão seguinte, quando o IBGE divulgou que o IPCA-15 registrou aumento no ritmo de elevação dos preços, com inflação de 0,97% em fevereiro, taxa 0,21 ponto percentual acima da registrada em janeiro.

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Trazendo um pouco de alívio, na quarta-feira tanto o IPC-Fipe quanto o IPC-S mostraram desaceleração do ritmo de aumento nos preços. Além disso, nesta sexta, o IGP-M apontou inflação de 1,00% em fevereiro, praticamente em linha com a apurada no mês anterior.

Salário mínimo em R$ 545
No plano político, a semana contou com mais um capítulo da votação sobre o novo valor do salário mínimo no País. Depois de passar pela Câmara, foi a vez do Senado aprovar na última quarta-feira em votação simbólica o projeto de Lei 1/11, que muda para R$ 545 o valor do salário mínimo vigente para este ano, atualmente fixado em R$ 540, e determina a política de valorização do piso até 2015.

Conforme pretendia o governo, o novo valor do mínimo deve começar a valer em 1º de março.

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Mais destaques da agenda interna
Ainda por aqui, também tivemos ao longo da semana outros indicadores importantes de atividade. A balança comercial teve superávit de US$ 577 milhões na terceira semana de fevereiro, contribuindo para o saldo positivo de US$ 1,98 bilhão em 2011.

Em sua Nota de Mercado Aberto referente ao mês de janeiro, o Banco Central do Brasil revelou que o estoque total da DPMFi diminuiu em R$ 61,437 bilhões, ou 3,83%, na comparação com o mês anterior. O BC também revelou, em sua Nota de Política Fiscal, que o setor público brasileiro apresentou um superávit primário de R$ 17,748 bilhões durante o mês de janeiro.

Além disso, as contas do governo central (Tesouro Nacional, INSS e Banco Central) registraram superávit primário de R$ 14,097 bilhões em janeiro, correspondente a 4,53% do PIB. Também repercutiu na semana a notícia de que a economia brasileira cresceu 7,4% em 2010 segundo o indicador Serasa Experian de Atividade Econômica. Essa é a maior taxa registrada num ano desde que o indicador começou a ser calculado, em 1991.

A agenda doméstica trouxe ainda a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País, que em janeiro permaneceu como a menor para o mês desde o ano de 2003, segundo o IBGE, ficando em 6,1%. Os investidores também ficaram de olho na confiança do consumidor, que aumentou em fevereiro deste ano após registrar estabilidade em janeiro.

Por fim, o Banco Central realizou uma pesquisa junto aos participantes do Sistema Expectativas de Mercado para entender quais as hipóteses relevantes na construção do cenário de inflação no País. Quando perguntados sobre que variação da taxa Selic causaria impacto sobre a inflação equivalente ao causado pelo conjunto de ações macroprudenciais do Banco Central, a média das respostas ficou em 80,1 pontos básicos, com mediana de 75 pontos-base.

Referências norte-americanas
Nos Estados Unidos, apesar da agenda repleta de indicadores, a semana foi mais curta por conta do feriado do Dia do Presidente na segunda-feira. Assim, os mercados do país permaneceram fechados neste dia.

Por lá, ganhou destaque a notícia de que a economia norte-americana avançou 2,8% no quarto trimestre de 2010, de acordo com a segunda prévia dos dados anualizados divulgada pelo Departamento de Comércio dos EUA. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que sugeriam uma expansão de 3,3% na atividade do país. Da mesma forma, o desempenho foi inferior ao mostrado pela primeira preliminar do indicador, de crescimento de 3,2%.

Em geral, os dados trazidos pela agenda de indicadores econômicos no país mostraram dados melhores que o esperado. É o caso dos preços dos imóveis norte-americanos, que caíram menos que as expectativas de mercado em dezembro, segundo a S&P. Em linha, a confiança do consumidor no país medida pela Conference Board ficou acima do esperado no mês de fevereiro. O mesmo foi verificado pelo indicador que denotou o número de vendas de casas usadas nos EUA em janeiro.

Já o Initial Claims registrou um total de 391 mil novos pedidos por auxílio-desemprego nos EUA na semana até 19 de fevereiro, melhor do que o esperado pelos analistas, cujas projeções giravam em torno de 410 mil. Os pedidos de bens duráveis, por sua vez, cresceram 2,7% em janeiro sobre o mês anterior, configurando o primeiro avanço do indicador em quatro meses, tendo superado ligeiramente as expectativas de analistas.

Fechando a lista de indicadores melhores que o esperado, a confiança do consumidor norte-americano medida pela Universidade de Michigan surpreendeu positivamente em fevereiro, com o Michigan Sentiment apontando 77,5 pontos, enquanto as expectativas do mercado e a medição anterior eram ambos de 75,1 pontos.

Por outro lado, além do PIB, o número de casas novas vendidas em janeiro foi o único indicador divulgado nesta semana nos Estados Unidos que ficou abaixo do esperado pelo mercado.

Japão, China e Europa
Na última terça-feira, a agência de classificação de risco Moody’s cortou a perspectiva para o rating soberano do Japão de “neutra” para “negativa”, em meio às dificuldades do país em lidar com seu crescente endividamento e o déficit fiscal.

Perto de lá, na China os números preliminares do Manufacturing Purchasing Managers’ Index mostraram uma queda de 54,5 pontos para 51,5 pontos entre janeiro e fevereiro. Embora uma desaceleração da atividade manufatureira, em um primeiro momento, tenha um viés negativo, ameniza os temores de pressão adicional nos preços e potenciais medidas de aperto monetário para conter a inflação.

Também no gigante asiático, o líder do banco central, Zhou Xiaochuan, afirmou que o país não tem planos para acelerar a apreciação de sua moeda. Segundo reportagens do jornal estatal China Daily, o People’s Bank of China afirmou que continuará com a ideia de uma internacionalização gradual do yuan.

Na Europa, foi divulgada a minuta da última reunião do BoE, mostrando que cresceu o número de membros da autoridade monetária que votam a favor de um aumento dos juros no Reino Unido.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,664, sem variação na semana.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, que encerrou a semana com as taxas sem tendência definida, o contrato com vencimento em abril de 2010, o qual apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,66%, alta de 0,16 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,10% de seu valor de face, avanço de 0,58% na semana.

O indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 182 pontos-base, alta de 10 pontos na variação semanal.