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Com o clima mais ameno em relação à crise fiscal na Europa, o Ibovespa encerrou a semana com alta de 1,26%, aos 70.940 pontos. Indicadores econômicos positivos nos Estados Unidos e o movimentado noticiário corporativo interno também contribuíram na performance positiva do índice na semana.
As ações ordinárias da Embraer foram o principal destaque de alta do Ibovespa na semana, com avanço expressivo de 11,20%, cotadas a R$ 13,50 cada. Este desempenho foi praticamente alcançado com a performance auferida nesta sexta-feira, quando os papéis subiram 10,02%, refletindo a elevação da recomendação do banco de investimentos Goldman Sachs.
Por outro lado, as ações da AmBev terminaram a segunda semana de janeiro como a principal baixa dentre os papéis que compõem o Ibovespa. Após ter marcado a segunda maior alta do ano em 2010, a empresa acumulou perdas de 5,87% na semana, encerrando cotada a R$ 46,83. A companhia enfrenta a perspectiva de um resultado abaixo do esperado pelo mercado no 4º trimestre de 2010, refletindo os volumes mais fracos da indústria. Além disso, 2011 traz um fluxo limitado de notícias positivas sobre a empresa. Neste cenário, o Goldman Sachs rebaixou nesta semana sua recomendação para ações preferenciais da companhia, de compra para neutra.
Petrobras e Vale
Entre os papéis mais líquidos do Ibovespa, o desempenho semanal foi unânime. As ações ordinárias e preferenciais da estatal do petróleo, a Petrobras, tiveram variações positivas de 2,57% e 3,07%, respectivamente, enquanto que os papéis PNA e ON da mineradora Vale subiram 3,24% e 3,38%, nesta ordem.
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira que suas reservas provadas de óleo, condensado e gás natural atingiram 15,986 bilhões de barris ao final de 2010, um aumento de 7,5% frente ao ano anterior. Do total de quase 16 bilhões de barris, 96% estão localizados no Brasil. Segundo a estatal, em 2010 1,990 bilhão de barris foram apropriados às reservas provadas. Outros 869 milhões foram produzidos, resultando assim num aumento de 1,121 bilhão de barris de óleo equivalente (boe) em relação às reservas ao final de 2009.
Enquanto isso, no noticiário da mineradora imperaram os rumores de uma possível saía de Roger Agnelli, diretor-presidente da Vale. A Valepar, por meio de carta direcionada à Vale, reiterou que a substituição do diretor-presidente da companhia não está em discussão entre seus acionistas. Além disso, a mineradora anunciou nesta sexta-feira a distribuição de R$ 1,67 bilhão em remuneração extraordinária a seus acionistas. O valor equivale a R$ 0,32 por ação ordinária ou preferencial em circulação.
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Europa traz leilão de títulos como destaque
Diferente do movimento visto na última semana, o fluxo de notícias vindo do Velho Continente foi favorável nos últimos cinco pregões. O leilão da dívida portuguesa surpreendeu os mercados, levando os juros para os papéis com vencimento em 10 anos a registrar retornos de 6,716% ao ano – lembrando que um yield superior a 7% indicaria que o país estaria precisando de recursos do FMI e do Fundo de Estabilização Financeira da Zona do Euro.
O leilão dos títulos da dívida espanhola também surpreendeu os mercados. O governo do país conseguiu bastante êxito em sua venda de bônus, captando € 3 bilhões em emissões de títulos de dívida com vencimento em 5 anos. Contudo, o yield chegou a 4,542%, superior aos 3,576% registrados no mesmo tipo de operação de novembro do ano passado. A Itália também promoveu leilão de títulos nesta semana, com demanda acima do esperado.
Apesar disso, em sua primeira apresentação no ano, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, enfatizou a necessidade de executar reformas estruturais na Zona do Euro, com ênfase nos ajustes fiscais, devendo ser rapidamente implantadas para fortalecer as bases para um crescimento sustentado da região.
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Segundo o noticiário do último fim de semana, Alemanha e França estariam liderando as negociações de um plano de ajuda para a Portugal. No entanto, e assim como ocorreu na Irlanda no final de 2010, o primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, rejeitou a possibilidade de que seu país precise de socorro financeiro. França e Alemanha também posicionaram-se contra a proposta de extensão do fundo de ajuda aos países do bloco.
Agenda doméstica
Como de costume, na cena interna a semana começou com os investidores repercutindo dados do Relatório Focus. Os economistas ouvidos pelo Banco Central esperam que na próxima reunião do Copom seja decidido um aumento na Selic de 0,50 ponto percentual.
A balança comercial brasileira registrou saldo negativo de US$ 486 milhões na primeira semana de janeiro. Além disso, na passagem de outubro para novembro, a produção da indústria nacional cresceu em metade das regiões pesquisadas, segundo dados da Pesquisa Industrial Produção Física – Regional, divulgada pelo IBGE. O IBGE revelou ainda que as vendas do comércio varejista ficaram no teto do intervalo das estimativas dos analistas em novembro, enquanto que a taxa de emprego na indústria brasileira aumentou 3% no período frente igual mês de 2009.
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Já o Banco Central divulgou o IBC-Br que, com dados ajustados por fatores sazonais, mostrou alta mensal pelo sexto mês seguido. No front inflacionário, destaque para a primeira prévia de janeiro do IGP-M, que apontou inflação menor do que a apurada no mesmo período do mês anterior.
O mercado repercutiu ainda o relatório divulgado pelo Banco Mundial na última quarta-feira, que prevê que o PIB do Brasil deverá crescer 4,4% e 4,3% em 2011 e 2012, respectivamente. O crescimento será sustentado por um cenário favorável de expansão da força de trabalho, ganhos reais de salário e expansão do crédito, facilitado por um sistema bancário sólido, uma economia diversificada e ampla gama de parceiros comerciais.
Governo age para conter baixa do dólar
No primeiro dia desta semana, em entrevista ao Financial Times, o ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou que o governo continua estudando novas medidas para conter a valorização do real frente ao dólar, sendo que o foco agora estaria no mercado futuro – que na visão do ministro é atualmente o responsável pela pressão no mercado de câmbio. No dia seguinte, foi a vez do Mantega falar sobre corte no orçamento do governo em 2011, afirmando que não haverá um número definido para essa redução.
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Nesta sexta-feira (14), o BC realizou o primeiro leilão de swap cambial reverso em cerca de 20 meses, em mais uma tentativa do governo de barrar a queda do dólar. O BC vendeu todos os 20 mil contratos ofertados em leilão. Segundo o seu comunicado ao mercado, o montante financeiro relativo à operação ficou em US$ 987,8 milhões.
Livro Bege é destaque da agenda nos EUA
Nos Estados Unidos, a principal referência da semana ficou por conta do Livro Bege do Fed, que apontou que a economia do país segue melhorando. O documento, que abrange o período entre meados de novembro e dezembro do ano passado, afirmou que o mercado de trabalho está se firmando na maioria dos 12 distritos analisados.
No geral, o Beige Book mostrou que a economia norte-americana demonstrou sinais de melhora moderada no final do último ano, impulsionada pelas condições do setor manufatureiro, varejo e serviços não-financeiros. A maioria dos distritos destacou que os empresários se mostraram otimistas, mas ainda com certa cautela em relação ao cenário macroeconômico e perspectivas do país.
Entre os demais indicadores econômicos revelados na economia do país ao longo da semana, os dados foram mistos. Trazendo números melhores que o esperado pelo mercado, destaque para a produção e capacidade industrial, bem como a evolução dos preços ao consumidor e o índice de preços ao produtor norte-americano. Todos referentes ao mês de dezembro. Além disso, a balança comercial dos EUA em novembro também surpreendeu positivamente.
Em contrapartida, mostraram dados aquém do esperado pelo mercado o volume das vendas ao mercado varejista norte-americano em dezembro, assim como a prévia da confiança do consumidor medida pela Universidade de Michigan em janeiro e os estoques das empresas dos EUA no mês de novembro. Também decepcionou o mercado o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados na economia do país ao longo da última semana, assim como o nível dos estoques no atacado norte-americano no mês de novembro. O orçamento do governo, por sua vez, veio em linha com as expectativas em dezembro.
Rating ameaçado?
Na última quinta-feira (13), a deterioração da situação fiscal norte-americana levou Moody’s e Standard & Poor’s a afirmarem que poderiam vir a rever o rating da dívida soberana do país caso não ocorressem mudanças na condução da política fiscal. Vale ressaltar que os EUA continuam, em ambas as instituições, com o rating máximo “AAA”, e perspectiva de estabilidade, mas as declarações devem servir como alerta.
Ainda sobre a economia dos Estados Unidos, o país deve crescer de 3% a 4% em 2011, afirmou na última quinta-feira o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. Esse ritmo, segundo ele, é saudável, mas não ajudará a diminuir o desemprego “da forma como gostaríamos”. Enquanto isso, Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, serviu quase como contraponto de Bernanke no dia. Enquanto o chairman do Fed fazia afirmações razoavelmente otimistas sobre a recuperação, Geithner apareceu no noticiário alertando para a possibilidade de novos resgates a grandes empresas, caso uma nova crise esteja à caminho.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,685, com variação negativa de 0,06% na semana.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato com vencimento em janeiro de 2012, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,37%, alta de 0,16 ponto percentual em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 136,05% de seu valor de face, alta de 0,89% na semana.