Resumo Semanal

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Pressionado pelo noticiário desfavorável tanto no Brasil quanto no exterior, o Ibovespa encerrou esta sexta-feira com baixa acumulada na semana de 3,52%, aos 66.697 pontos – menor pontuação desde 9 de setembro de 2010. Vale lembrar que o período foi mais curto e contou apenas com quatro pregões, visto que na última terça-feira a BM&F Bovespa permaneceu fechada devido ao feriado de aniversário da cidade de São Paulo.

Por aqui, os papéis da Usiminas foram o principal destaque de alta do Ibovespa na semana. Na última quinta-feira, a CSN elevou sua participação no capital da Usiminas e deu sinais de que está avaliando comprar uma fatia ainda maior da empresa, segundo comunicado ao mercado. O analista Max Bueno, da Spinelli Corretora, destacou à InfoMoney que o controle da siderúrgica mineira “parece ter voltado ao radar” da CSN. O mesmo acreditam as equipes de análise da Ativa e da Ágora. Os papéis ON da CSN caíram 3,28% na semana, enquanto que os ativos ON da Usiminas subiram 4,33% no período.

As ações da Marfrig fecharam esta semana como principal baixa dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando queda de 13,31%, cotadas a R$ 13,35 cada. O setor frigorífico amarga fortes quedas desde o último ano, e a pressão dos preços de grãos mostra-se como um novo desafio para o setor neste momento. Em 2010, as exportações de empresas de carne acabaram por ficar abaixo do esperado por conta de uma recuperação mais lenta no front externo e a trajetória de desvalorização do dólar.

Outros destaques corporativos
Entre os papéis mais líquidos do Ibovespa, o desempenho semanal foi unânime. As ações ordinárias e preferenciais da estatal do petróleo, a Petrobras, tiveram variações negativas de 1,74% e 1,40%, respectivamente, enquanto que os papéis PNA da mineradora Vale caíram 2,78%, ao passo que a ação VALE3 recuou 3,27%.

Fora do Ibovespa, o grande destaque do noticiário corporativo na semana foi o Banco PanAmericano, depois de reconhecer a manutenção de conversas com outras instituições financeiras, as quais pretendem assumir o banco. Não foram confirmadas quais instituições estariam interessadas, uma vez que nenhum acordo formal foi fechado. Cabe destacar que o PanAmericano também foi alvo nesta semana de especulações dando conta de que o rombo descoberto no final do ano passado poderia ser maior que R$ 2,5 bilhões. As ações PN do PanAmericano caíram 3,09% na semana.

Inflação sobe mais que o esperado
No front doméstico, o principal vetor para o clima de cautela dos investidores ficou por conta da inflação, que mostrou elevação nos preços maior do que o esperado. Entre os indicadores de inflação divulgados nesta semana, ganhou destaque o IGP-M, que apontou inflação de 0,79% em janeiro, taxa superior àquela do mês anterior e acima da mediana das expectativas para o resultado mensal do índice, de 0,62%, segundo o último Relatório Focus.

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Vale lembrar que na última quarta-feira o IPCA-15 também mostrou aceleração no ritmo de elevação dos preços acima da registrada no mês anterior. Os recentes dados de inflação corroboram a necessidade de mais ajustes monetários, conforme sinalizou o Copom na ata de sua última reunião, divulgada na última quinta-feira.

Segundo membros do comitê, o aumento dos juros pode ser sucedido por novas elevações da Selic, em uma tentativa de trazer a inflação para a trajetória das metas. O mercado já esperava por isso, divergindo apenas quanto ao tamanho total do ajuste. No mais, os membros do comitê deram especial ênfase ao papel que as medidas macroprudenciais vêm desempenhando na condução da política monetária.

Câmbio também traz cautela
Além da inflação, o noticiário sobre câmbio também repercutiu nesta semana no mercado. Na véspera, o Banco Central realizou um leilão de swap cambial reverso surpresa. Nos últimos três leilões realizados neste ano, sendo um deles na última segunda-feira , o BC havia anunciado a operação com a antecedência de um dia útil.

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Além disso, o BaCen anunciou que na próxima segunda-feira (31) realizará os três primeiros leilões a termo de sua história, com datas de liquidação em 9, 16 e 23 de fevereiro. De acordo com o comunicado do BC, poderão participar dos leilões apenas as instituições financeiras autorizadas a operar como dealers do BC no mercado cambial.

A questão do câmbio segue pressionando também a indústria nacional. Segundo pesquisa da CNI, os empresários estão mais pessimistas em relação ao mercado interno e também em relação às exportações. O câmbio sobrevalorizado favorece as importações deixando um cenário difícil no mercado interno, enquanto as exportações permanecem afetadas pela crise de 2008, com uma demanda internacional ainda pouco aquecida.

Mercado de trabalho e consumo, porém, animam
Enquanto a inflação e o câmbio pesaram negativamente na bolsa ao longo da semana, dados do mercado de trabalho e do consumo nacional amenizaram a tensão entre os investidores. Em 2010, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País fechou o ano como a menor desde 2002, início da série histórica do IBGE. Já a confiança do consumidor brasileiro ficou praticamente estável entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, de acordo com dados do ICC, da FGV.

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Além disso, também na cena interna, os investidores se atentaram para a Nota de Política Monetária do Banco Central. O documento revelou que o volume total de crédito do sistema financeiro nacional cresceu 1,6% em dezembro em relação ao apurado em novembro e um avanço de 20,5% na passagem anual. O Governo Central – que inclui Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência Social – apresentou superávit primário de R$ 78,966 bilhões em 2010, equivalente a 2,16% do PIB – em linha com a meta oficial, de 2,15% do produto nacional.

Enquanto isso, a balança comercial registrou superávit de US$ 680 milhões na terceira semana de janeiro.

FMI e Mantega
O FMI divulgou relatório afirmando que o Brasil teve uma deterioração ‘brusca” nas contas fiscais, impedindo o País de atingir a meta do superávit primário. “Espera-se que o governo não alcance sua metal fiscal por ampla margem”, mostrou o Monitor Fiscal do FMI, que analisa dívidas e déficits globais. Para o diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, Carlo Cottarelli, dada a evolução dos preços das commodities, taxas de juros e a atividade econômica, as posições de países como o Brasil deveriam ser mais fortes do que são atualmente.

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reagiu às críticas. Para ele, a conclusão é equivocada e deve ter sido feita por um “velho ortodoxo”. Segundo ele, o fato de o Governo Central ter conseguido cumprir a meta de superávit primário fixada para 2010 é uma prova que a política fiscal brasileira caminha no sentido certo.

Nos EUA, crescimento menor que o esperado desanima
Passando para o quadro internacional, o resultado abaixo do esperado do PIB dos Estados Unidos no quarto trimestre afetou a confiança dos investidores. Depois de grande expectativa, os números prévios anualizados do Departamento de Comércio dos EUA indicaram que a economia norte-americana avançou 3,2% no quarto trimestre de 2010, enquanto os investidores aguardavam uma expansão de 3,7%.

Outra notícia desfavorável veio da agência de classificação de risco Moody´s, que declarou estar analisando atribuir uma perspectiva negativa para o rating dos Estados Unidos mais cedo do que o previsto. Vale destacar que a sinalização veio logo após outra importante agência de classificação de risco, a Standard & Poor’s, ter cortado a nota para a dívida soberana japonesa.

Também foi referência na semana a decisão do Fomc, que não trouxe surpresas. A autoridade avaliou que a economia dos EUA segue em recuperação, ainda que em ritmo insuficiente para reduzir a taxa de desemprego. Assim, a taxa de juro da maior economia do mundo foi mantida na faixa entre 0% e 0,25% ao ano. O Fed também atendeu às expectativas e não anunciou mudanças em seu programa de compra de títulos.

Obama, Pimco, Geithner e Tombini
Os investidores avaliaram ainda o discurso de Barack Obama, presidente do país. Na noite de terça-feira, Obama afirmou que os gastos do governo são insustentáveis e comprometeu-se a políticas de diminuição de gastos, com mais de US$ 400 bilhões que poderiam ser economizados na próxima década.

“Ele precisa agir rápido”, alertou Mohamed El-Erian, da Pimco, destacando a prioridade que Obama deu ao mercado de trabalho. Isso, segundo o diretor da gestora de recursos, é essencial, já que a taxa de desemprego e subemprego está em 17% nos EUA, e 6,4 milhões de pessoas são “desempregados de longo prazo”. Outros analistas já haviam criticado a falta de especificidade das propostas.

Outro que falou durante a semana foi Timothy Geithner, secretário do Tesouro norte-americano, durante o Fórum Econômico Mundial, que ocorreu em Davos, na Suiça. Segundo ele, a economia norte-americana não se encontra em forte expansão, no entanto, sua recuperação está ocorrendo de forma sustentável, uma vez que se busca um consenso político com o objetivo de sanar os problemas da dívida pública.

Na mesma ocasião, o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, que também participou das discussões, afirmou que o País dispõe das ferramentas necessárias para manter a estabilidade monetária. De acordo com Tombini, o Brasil enfrenta a questão da valorização cambial, reflexo do forte fluxo de capitais, e a alta da inflação. O presidente do BC também acredita que a valorização do real “é uma situação temporária, reflexo do ambiente externo”.

Agenda norte-americana
Os indicadores econômicos divulgados nos Estados Unidos ao longo da semana voltaram a mostrar dados mistos. Entre aqueles que vieram melhores que o esperado, destaque para os dois indicadores de confiança do consumidor em janeiro, tanto aquele medido pela Conference Board quanto o medido pela Universidade de Michigan. Também surpreendeu positivamente o número de contratos de compra e venda de casas em novembro, bem como o número de casas novas vendidas em dezembro.

Por outro lado, alguns indicadores econômicos norte-americanos trouxeram números piores que o esperado pelo mercado nesta semana. É o caso do número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria durante o mês de dezembro, assim como os preços dos imóveis em novembro e o número de pedidos de auxílio-desemprego registrados na economia do país ao longo da última semana. Já o índice que mede o custo da mão-de-obra nos EUA ficou em linha com o esperado no quarto trimestre de 2010.

Velho Continente
No Velho Continente, o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, anunciou em entrevista ao The Wall Street Journal que não tomará nenhuma medida sobre um aumento temporário na inflação da Zona do Euro, ocasionado pela alta nos preços de commodities.

Ainda no continente, o presidente francês Nicolas Sarkozy discursou no início da semana sobre as metas do G-20, afirmando que as maiores economias do mundo precisam tomar medidas para modificar o sistema monetário mundial, reformar a governança econômica e conter a volatilidade nos mercados de commodities. “Se não fizermos nada, corremos o risco de revoltas por alimentos nos países mais pobres e de um efeito desfavorável sobre o crescimento econômico global”, disse Sarkozy, que tem a presidência do grupo em 2011.

Os líderes europeus também falaram no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Sarkozy afirmou que o Euro tem seu completo apoio e de Ângela Merkel, chanceler alemã, enquanto o primeiro-ministro grego, George Papandreou, afirmou que a Europa deve desenvolver um modelo de governança que seja sustentável, justo e que no fim humanize a economia global.

Ainda em Davos, John Lipsky, diretor do FMI afirmou que outro resgate pode ocorrer na Zona do Euro, caso os países periféricos falhem em se reestruturar. Vale lembrar que a União Europeia e o FMI já aprovaram, no ano passado, pacotes de resgate a Grécia e Irlanda.

Egito
A onda de manifestações continuou no Egito, chegando ao seu terceiro dia seguido, que já resultou em centenas de presos e feridos em confrontos policiais, e ao menos cinco mortos já confirmados. O alto índice do desemprego, a inflação, a corrupção e o autoritarismo do presidente Hosni Mubarak, que já completa 30 anos no poder, são os principais motivos para a ira dos manifestantes. O estopim para essa mobilização, no entanto, veio com a revolta popular que derrubou o governo da Tunísia nesse começo de ano. Além do Egito, a Argélia e o Iêmen também têm enfrentado protestos da população.

Por conta do cenário tumultuado, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou de estável para negativa a perspectiva de rating do país. “A manutenção ou o agravamento de distúrbios que possam ameaçar tanto o desempenho econômico ou financeiro quanto o processo de reforma econômica poderá levar a um rebaixamento do rating”, afirmou a Fitch.

Renda Fixa e Câmbio
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,685, com variação positiva de 0,72% na semana.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato com vencimento em fevereiro de 2011, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,14%, baixa de 0,01 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,70% de seu valor de face, baixa de 0,44% na semana.

O indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 183 pontos-base, alta de 15 pontos na variação semanal.