Resumo Semanal

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Invertendo a alta de 2,26% auferida na última semana, o Ibovespa fechou esta sexta-feira (10) com perdas acumuladas de 2,04% desde segunda-feira (6), aos 68.341 pontos. Os investidores seguiram repercutindo negativamente o noticiário externo, cautelosos com a Europa e a China, além de dados relevantes na pauta doméstica.

Por aqui, por conta da má recepção dos investidores a alguns termos acordados na OPA (Oferta Pública de Aquisição) para deter o controle da PortX, as ações da MMX fecharam a semana com forte queda de 9,77%, liderando as perdas do Ibovespa no período. O movimento mais abrupto dos papéis da mineradora de Eike Batista foi vista na quinta-feira (9), dia em que foi divulgado o comunicado sobre a OPA – na ocasião, os ativos da empresa caíram 4,55%.

Por outro lado, os ativos da Gerdau lideraram os ganhos da semana entre as ações listada no Ibovespa. Os papéis preferenciais da companhia acumularam ganhos de 8,16%, encerrando o período cotados a R$ 22,81. Além do avanço nas cotações de algumas commodities metálicas no período, um relatório do Barclays indicou a tendência de valorização de ações de mineradoras e siderúrgicas no curto prazo, com a diminuição da importação de aços planos na passagem de outubro a novembro.

Outros destaques corporativos
Uma ação que dominou o noticiário econômico na semana foi a Brasil Ecodiesel, que viu suas ações sofrerem pesadas variações ao longo da semana, tanto para cima e quanto para baixo. Na quarta-feira (8), os ativos despencaram 7,21%, depois que a empresa anunciou os termos da incorporação da Maeda Agroindustrial. A Brasil Ecodiesel expandirá o capital social em R$ 320,14 milhões, resultado da troca de ações na proporção de uma ação ordinária da Brasil Ecodiesel por 3,3695 da Maeda.

Já nesta sexta, logo após o início das negociações os papéis da companhia já dispararam, registrando valorização de 8,91% às 11h48 (horário de Brasília), após rumores de um aporte de R$ 250 milhões provenientes de um fundo chinês. Os ativos fecharam o dia com ganhos de quase 5%.

Segundo notícia publicada no portal Exame, um sócio chinês irá comprar 11,35% do capital social da companhia após o processo de incorporação da Maeda, por R$ 1,80 por ação, o que equivale a um prêmio de 78% frente ao fechamento dos papéis no último pregão. A InfoMoney não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da Brasil Ecodiesel para obter um pronunciamento oficial da empresa sobre o assunto.

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Entre os papéis mais líquidos do Ibovespa, o desempenho não foi unânime. As ações ordinárias da Petrobras fecharam o período com baixa de 0,87%, cotadas a R$ 28,33 cada, enquanto os papéis preferenciais da estatal encerraram a semana estáveis em R$ 25,70 cada. Já os ativos PNA da Vale tiveram alta de 0,10% na semana, valendo R$ 50,00, ao passo que as ações VALE3 registraram ganhos de 0,30% na semana, a R$ 56,77 cada.

Europa volta a pressionar os mercados
Na Europa, o noticiário mostrou-se mais uma vez conturbado ao longo da semana, com o anúncio da União Europeia de que haverá uma nova rodada de testes de estresse nos bancos do continente em fevereiro. Segundo o comissário econômico da UE, Olli Rehn, os novos testes buscarão aprofundar o monitoramento dessas instituições pela recém criada Autoridade Bancária Europeia.

Ainda por lá, foi aprovado o orçamento da Irlanda para o próximo ano, questão crucial para o país, uma vez que já considera o resgate de € 85 bilhões proveniente da UE e do FMI (Fundo Monetário Internacional). Por fim, o Banco Central Europeu informou que retirou na última terça-feira (7) € 147,1 bilhões do mercado para conter o excesso de liquidez provocado pelo final do período de manutenção de reservas mínimas.

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Na véspera, a Fitch Ratings rebaixou em três notas o rating da dívida soberana da Irlanda, de A+ para BBB+. A agência de classificação de risco destacou a dificuldade do país de se financiar, apesar do pacote de ajuda. Além disso, a grande incerteza com relação ao cenário econômico e a perda de acesso a financiamentos no mercado a um custo razoável deverá resultar em uma menor flexibilidade de financiamento fiscal.

Obama, Bernanke e Mantega
Nesta semana, os investidores repercutiram a notícia de que o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, declarou que o banco central norte-americano poderia estender o valor do atual pacote de ajuda de US$ 600 bilhões frente à manutenção do nível de desemprego e do cenário econômico desfavorável.

Ainda nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama anunciou um acordo com o partido Republicano para estender os cortes de impostos implantados na era Bush por mais dois anos. A decisão contará com a extensão dos benefícios federais contra o desemprego, além de uma série de benefícios fiscais para pessoa física e jurídica.

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Por aqui, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também fez declarações polêmicas no período, que mexeram com o ânimo dos mercados. Na última segunda-feira, Mantega afirmou que a meta da equipe econômica é que o País chegue ao final do próximo governo com uma dívida pública de 30% do PIB (Produto Interno Bruto), ante os 41% projetados para 2010.

Sobre inflação, Mantega defendeu uma visão oposta ao consenso do mercado, afirmando que os analistas deveriam focar mais nos núcleos de inflação, ao invés de analisarem simplesmente a “inflação cheia”. O ministro afirmou que a inflação brasileira está em trajetória estável se excluídos dos índices o grupo de alimentos e outras commodities.

Além disso, Mantega disse que o Brasil está atento às oscilações da moeda nacional e que pode intervir mais uma vez contra a apreciação do real caso ache necessário. “Estamos prontos para adotar medidas adicionais no caso de uma nova apreciação do real”, disse, na última quinta-feira (9). O mercado repercutiu negativamente a fala do ministro, com receio de que o governo volte a adotar novas taxações para impedir que haja um fluxo elevado da moeda norte-americana entrando no País.

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No final do pregão desta sexta, o mercado recebeu também a notícia de que, na próxima quinta-feira (16), será anunciado um pacote de incentivo ao financiamento de longo prazo. A declaração foi de Guido Mantega. “Vamos mexer em tributação e em linhas de financiamento, de modo que o setor privado vai ter mais crédito de longo prazo, a um preço mais baixo”, disse o ministro.

Copom e PIB ganham destaque na agenda interna
No front doméstico, os dois principais eventos econômicos da semana ficaram por conta do PIB trimestral brasileiro e da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central).

A economia brasileira mostrou desaceleração na passagem do segundo para o terceiro trimestre deste ano, com destaque negativo para o setor industrial, assim como indicavam as projeções compiladas pela InfoMoney. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB do Brasil avançou 0,5% na comparação trimestral, enquanto se expandiu em 6,7% na base de comparação anual, com destaque positivo para o setor de serviços – alta de 1,0% sobre os três meses anteriores – e negativo para a indústria e a agropecuária – quedas de 1,3% e 1,5%, respectivamente.

Além disso, a autoridade monetária nacional manteve a taxa básica de juro brasileira em seu atual patamar, aos 10,75% ao ano. Cabe destacar que esta foi a última reunião da entidade com Henrique Meirelles à frente do BC. O mercado apostava na manutenção da taxa Selic.

Entre os destaques da agenda, a taxa de emprego na indústria brasileira aumentou em outubro, na comparação com o mesmo mês de 2009, segundo o IBGE. Enquanto isso, na passagem de setembro para outubro, a produção da indústria nacional recuou em 10 das 14 regiões pesquisadas, segundo dados da Pesquisa Industrial Produção Física – Regional.

No âmbito inflacionário, novamente mostrando aceleração no ritmo de aumento dos preços, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medida oficial da inflação doméstica, registrou taxa de 0,83% em novembro, o maior resultado mensal desde abril de 2005.

Por fim, a balança comercial mostrou que as exportações brasileiras superaram as importações em US$ 580 milhões na primeira semana de dezembro, elevando o superávit de 2010 para US$ 15,513 bilhões. Já o relatório Focus voltou a trazer maiores projeções para a inflação e menores perspectivas para o crescimento do PIB, ambos para este ano.

Referências Externas
Como sempre, indicadores norte-americanos também influenciaram os mercados nesta semana, apresentando resultados distintos. Entre aqueles que mostraram dados melhores que o esperado, destaque para o volume de crédito ao consumidor em outubro, o número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana e o nível dos estoques no atacado dos EUA no décimo mês deste ano.

Somado a isso, o déficit comercial dos EUA registrou em outubro seu menor saldo negativo desde janeiro deste ano. Já a confiança do consumidor norte-americano medida pela Universidade de Michigan foi maior do que a esperada em dezembro. Por outro lado, o orçamento do governo norte-americano registrou déficit de US$ 150,394 bilhões em novembro, enquanto as projeções apontavam para um saldo deficitário em US$ 134 bilhões. Este foi o vigésimo sexto mês consecutivo de saldo negativo do Treasury Budget.

Além disso, nesta semana cresceram as expectativas de que a China possa elevar o juro básico do país, com a divulgação de dados de inflação de novembro esperados para o final de semana. Nesta sexta-feira, o banco central chinês elevou o compulsório em 0,5 ponto percentual, o terceiro aumento em um mês, ratificando o propósito do governo em controlar o movimento de aceleração da inflação e da geração de crédito na economia chinesa. Ainda por lá, o saldo da balança comercial caiu para US$ 22,9 bilhões em novembro.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,715, acumulando na semana apreciação de 1,66%.

No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,64%, queda de 0,05 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 135,60% de seu valor de face, queda de 1,238% na semana.

Por outro lado, o risco-país fechou esta sexta-feira cotado a 167 pontos-base, queda de um ponto-base na variação semanal.