Resumo Semanal

...

Publicidade

Acompanhando a baixa de 2,04% auferida na última semana, o Ibovespa acumulou entre os pregões de 13 a 17 de dezembro uma desvalorização de 0,53%, fechando o período aos 67.981 pontos. Mesmo com o alívio vindo do adiamento do aperto monetário chinês, os investidores ainda seguem cautelosos em relação à crise fiscal europeia.

Por aqui, as ações da Fibria encerram a terceira semana de dezembro com queda acumulada de 9,04% e cotadas a R$ 26,27, na pior posição do Ibovespa. O mau desempenho pode ser relacionado ao delicado momento para o mercado de fibras curtas, principal negócio da companhia, no front externo. Nos Estados Unidos, o mercado presencia o fraco consumo de papel e a redução da demanda por celulose em todas as etapas das cadeias de produção, apesar dos esforços para reduzir os estoques de final de ano.

Por outro lado, mantendo o momentum positivo, as ações da Braskem fecharam essa semana com a maior alta do Ibovespa, acumulando ganhos de 7,83%. Recomendações em torno da petroquímica serviram de impulso para o desempenho dos papéis. O Bank of America Merrill Lynch elevou a recomendação para a empresa para compra, enquanto o Itaú BBA aumentou o preço-alvo dos ativos para R$ 24,30 ao final de 2011, reiterando a recomendação outperform.

Outros destaques corporativos
Entre os papéis mais líquidos do índice, o desempenho não foi unânime. As ações ordinárias da Vale tiveram valorização de 0,23%, enquanto os papéis PNA da mineradora caíram 0,28% no período. Já as ações PETR3 e PETR4, da Petrobras, tiveram performances positivas de 1,02% e 0,93%, respectivamente.

Na semana, destaque para a notícia de que a Petrobras não precisa, no curto prazo, de uma captação no mercado internacional. A declaração foi do presidente da petrolífera, José Sergio Gabrielli, em entrevista aos jornalistas após ter participado de uma cerimônia sobre o balanço dos oito anos de governo Lula, em Brasília. Além disso, a empresa anunciou a descoberta de óleo leve no pós-sal na Bacia do Espírito Santo, o que foi bem recebido pelos analistas do JP Morgan.

A Vale, por sua vez, voltou ao noticiário corporativo por conta de novos rumores sobre mais uma possível oferta pela Paranapanema. A mineradora já negou mais de uma vez a informação – na segunda, em contato com a InfoMoney, a assessoria de imprensa da Vale afirmou que não comenta rumores de mercado, e que sua posição sobre a Paranapanema segue a mesma: não será feita uma nova oferta. Em meio a este cenário, os papéis ordinários da Paranapanema subiram forte na semana, com alta de 15,50%.

Continua depois da publicidade

Também dentro do Ibovespa, a CCR foi outra empresa que marcou o noticiário corporativo na semana. Na última quarta-feira, as ações ordinárias da companhia registraram o maior volume negociado da história de seu papel (R$ 1,4 bilhão), após a concessionária portuguesa Brisa ter anunciado a conclusão da venda da totalidade de sua participação de 16,35% no capital da brasileira.

Anúncios do Ministério da Fazenda e Ata do Copom dominam a pauta interna
Dentro do cenário doméstico, o noticiário econômico foi movimentado na semana. Destaque para os anúncios do Ministério da Fazenda, como desoneração do financiamento privado para projetos de infraestrutura, desenvolvimento do mercado de títulos privados de longo prazo, estímulo à recuperação de crédito rural e crédito pessoal e incentivo à securitização de créditos imobiliários.

Somado a isso, o BNDES disse que colocará em prática uma série de iniciativas que fazem parte do pacote de medidas anunciadas pelo governo para estimular o desenvolvimento dos instrumentos do mercado de capitais voltados ao financiamento de longo prazo.

Continua depois da publicidade

Além de aperfeiçoar as condições para aquisição de debêntures em ofertas públicas, o banco também passará a atuar de maneira direta no mercado secundário de títulos de renda fixa. O BNDES também disse estar trabalhando em parceria com outros agentes do mercado na elaboração e difusão de indexadores mais adequados ao financiamento de longo prazo, procurando incentivar a substituição do CDI como principal referência no mercado de dívida corporativa.

Outra notícia relevante no front doméstico que mexeu com o ânimo dos investidores na semana partiu da autoridade monetária nacional. O Copom divulgou a ata de sua última reunião, no qual a inflação aparece como ponto principal a ser considerado, influenciada não apenas pela dinâmica interna, mas também pela injeção de liquidez no plano internacional – ainda que não cite eventos, a autoridade monetária faz referência à segunda rodada de estímulos adotados nos Estados Unidos. O recente aumento do compulsório também foi abordado.

Diante desse cenário, o Copom sinalizou claramente a iminência de uma alta no juro básico brasileiro. Além de ser categórico nas afirmações de que há risco para a concretização do cenário inflacionário benigno, o comitê frisou que, embora haja equivalência entre ações macroprudenciais e ações convencionais de política monetária, não há respaldo para que esses instrumentos sejam vistos como substitutos perfeitos.

Continua depois da publicidade

Ainda dentro do noticiário econômico interno, os investidores assimilaram na semana a decisão do CMN de manutenção, em 6% ao ano, da TJLP que vigorará no primeiro trimestre de 2011. Também foi aprovada pelo Senado brasileiro, por 37 votos contra 7, a indicação de Alexandre Tombini para o cargo de presidente do Banco Central.

Indicadores internos
A agenda da semana também contou com indicadores de relevância no cenário doméstico, que também influenciaram o mercado por aqui. As vendas do comércio varejista registraram crescimento no décimo mês do ano, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada nesta terça-feira pelo IBGE.

O IBGE revelou ainda que, em novembro, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País permaneceu como a menor desde o ano de 2002, em 5,7%. Já o relatório Focus voltou a mostrar maiores projeções tanto para o PIB quanto para a inflação, ambos de 2010.

Continua depois da publicidade

No âmbito inflacionário, destaque para o IGP-M, que apontou inflação de 0,83% na primeira prévia de dezembro. Por fim, o O Banco Central divulgou o fluxo cambial, mostrando que até o dia 15 de dezembro a entrada de dólares no Brasil superou a saída em US$ 32 milhões.

Europa e China
Lá fora, a semana começou com foco no oriente. Logo no primeiro pregão do período, o mercado receava que, junto a dados de inflação, o governo chinês fosse anunciar no último final de semana uma nova elevação na taxa básica de juro, mas o temor não se confirmou. O adiamento de um aperto monetário mais forte por lá animou os mercados e trouxe um clima positivo à renda variável, que teve um dia mais tranquilo sem a apreensão de que um dos atuais motores do crescimento global perca o ritmo e pressione a demanda por commodities.

Vale lembrar que, nesta semana, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s anunciou ter elevado os ratings soberanos da China e Hong Kong, de “A+” para “AA-” no caso da primeira, e de “AA-” para “AAA” – o nível mais alto -, no caso da região administrativa especial. De acordo com a agência, a elevação da nota atribuída à dívida chinesa “reflete uma revisão positiva pela S&P dos riscos macroeconômicos e financeiros”, apontou o analista de crédito Kim Eng Tan.

Também lá fora, a Europa mais uma vez chamou a atenção. A Moody’s colocou o rating grego sob revisão negativa, temendo que o país não consiga ser capaz de reduzir significativamente sua dívida. A agência de classificação de risco também colocou o rating espanhol em revisão para possível downgrade nesta semana, além de anunciar o rebaixamento em cinco níveis da nota soberana da Irlanda, com perspectiva para negativa.

Enquanto isso, o BCE realizou o maior aumento de capital de sua história. Os líderes de finanças da União Europeia decidiram criar um fundo de resgate permanente para ajudar países da região em dificuldade a partir de 2013. Nesse sentido, para que a constituições desse fundo seja permitida, o Tratado de Listboa será modificado.

Ata do Fomc não surpreende e indicadores voltam ao foco nos EUA
Nos EUA, a última reunião do ano do Fomc terminou sem novidades sobre a política monetária norte-americana, como já esperado pelo mercado. A avaliação é de que a economia dos EUA segue em recuperação, ainda que em ritmo insuficiente para reduzir a taxa de desemprego.

A taxa de juro da maior economia do mundo foi mantida na faixa entre 0% e 0,25% ao ano. O Fed também atendeu às expectativas e não anunciou mudanças em seu programa de compra de títulos, mantendo a frase de que irá rever “regularmente” o patamar de compras de notas e também o montante total do programa, e que promoverá ajustes caso necessário.

Outro tema importante na cena norte-americana foi a extensão do corte de impostos nos EUA por dois anos – que totalizam US$ 858 bilhões -, que agora só depende do presidente Barack Obama, uma vez que a câmara dos representantes aprovou as medidas na última quinta-feira à noite, ao passo que o senado já havia votado a favor um dia antes.

Entre os indicadores econômicos norte-americanos que mexeram com o humor das bolsas nesta semana, mostrou desempenho melhor que o esperado pelo mercado o número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana, bem como o número de casas em início de construção em novembro, e a atividade industrial na região da Filadélfia em dezembro.

Somado a isso, no penúltimo mês deste ano, também surpreendeu positivamente o volume das vendas no varejo norte-americano, o nível de produção industrial no país, bem como a capacidade industrial e a atividade da indústria de Nova York. No âmbito inflacionário, destaque positivo para os preços ao produtor dos EUA, que tiveram em novembro a maior alta desde março deste ano.

Por outro lado, trazendo dados piores que o previsto pelo mercado, foco para o número de autorizações para construção de novas casas em novembro e o déficit em conta corrente dos EUA, que atingiu US$ 127,2 bilhões no terceiro trimestre deste ano. Vale mencionar ainda que o CPI, índice que mede a evolução dos preços ao consumidor nos EUA, também desapontou os analistas em novembro, assim como o Leading Indicators – indicador que compila diversos índices divulgados no país durante o mês em questão.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,715, com variação nula na semana.

No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,65%, queda de 0,01 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 133,65% de seu valor de face, queda de 1,438% na semana.

Por outro lado, o risco-país fechou esta sexta-feira cotado a 193 pontos-base, forte alta de 29 pontos-base na variação semanal.