Resumo Semanal

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O Ibovespa encerrou a semana em alta de 0,74%, aos 68.485 pontos. O período foi um dia mais curto por conta do Natal. Embora a crise fiscal na Europa tenha novamente pressionado as bolsas nos últimos pregões, dados positivos tanto na cena doméstica quanto no quado norte-americano sustentaram o ganho semanal do índice.

Por aqui, amenizando as fortes perdas acumuladas em 2010 e refletindo os dados de telefonia móvel de novembro, as ações preferenciais da Brasil Telecom subiram 9,3% nesta semana, sendo o melhor desempenho do Ibovespa no período. Por outro lado, as ações da Cemig encerram o período com queda acumulada de 4,11% e cotadas a R$ 26,80, na pior posição do Ibovespa.

No noticiário corporativo da semana, destaque para a Fibria. A companhia anunciou a venda de seus ativos na Conpacel para a Suzano, por R$ 1,45 bilhão. 

Agenda doméstica
Tradicionalmente, a semana começou com o relatório Focus, que voltou a trazer maiores projeções para a inflação tanto de 2010 quanto de 2011. Já a balança comercial mostrou um saldo positivo de US$ 330 milhões durante a terceira semana de dezembro, enquanto a Nota do Mercado Aberto mostrou que a dívida pública federal interna cresceu 1,43% em novembro, indo para R$ 1,575 trilhão.

Além disso, o Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central mostrou que a variação positiva dos preços deverá ficar acima do centro da meta do CMN, de 4,5%, até 2012. O BaCen ainda manteve a expectativa de crescimento de 7,3% do PIB brasileiro em 2010 e de 4,5% em 2011.

Ainda no campo inflacionário, o IPCA-15 apontou redução no ritmo de alta dos preços, com inflação de 0,69% em dezembro. O economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, disse em entrevista coletiva que o IPCA deverá fechar o ano que vem em 5,2%, enquanto a Selic deverá chegar a marca de 12,25% ao ano.

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Também por aqui, o mercado avaliou ainda o resultado global do balanço de pagamentos brasileiro em novembro deste ano, que foi superavitário em US$ 2,995 bilhões. Por sua vez, a conta de transações correntes marcou um saldo negativo de US$ 4,696 bilhões no décimo primeiro mês deste ano.

Já a confiança do consumidor apresentou recuo de 2,1% entre novembro e dezembro deste ano, segundo a FGV. Enquanto isso, a Nota de Política Monetária revelou que o volume total de crédito do sistema financeiro nacional alcançou R$ 1,677 trilhão em novembro deste ano. Por fim, o noticiário econômico contou com a aprovação feita pelo Congresso Nacional para o Orçamento Geral da União para 2011, tendo reduzido R$ 3 bilhões nas despesas, enquanto o ministro do Planejamento havia sugerido um corte de R$ 8 bilhões.

Europa e Ásia: entre crise e conflitos
No front internacional, ganhou destaque mais uma vez o noticiário do Velho Continente, que reforçou o clima de cautela dos investidores em relação à crise fiscal na região. Logo no início da semana, ficaram em evidência as declarações de Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, dizendo que a “quebra” da Zona do Euro é uma hipótese absurda, destacando que os problemas são de estabilidade financeira e não de moeda.

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Também contribuindo para amenizar o clima de tensão pela Europa, a China sinalizou a intenção de ajudar a União Europeia, com o objetivo de garantir a estabilidade financeira da região. O vice-premiê do país, Wang Qishan, em encontro de autoridades europeias e chinesas sobre comércio e economia, afirmou que a China “tem tomado medidas concretas para ajudar alguns membros da UE conter a crise da dívida soberana”.

Por outro lado, o rating de Portugal foi posto em revisão para um possível rebaixamento pela agência de classificação de risco Moody’s, na última terça-feira. Depois disso, nesta quinta-feira, a Fitch cortou o rating de longo prazo de Portugal de “AA-”para “A+”, tanto em moeda local quanto estrangeira, com perspectiva negativa. Além disso, agência de classificação de risco também rebaixou o rating da Hungria de longo prazo em moeda estrangeira em um degrau, passando de BBB para BBB-, o que deixa o país a apenas um passo de investimento considerado especulativo pela Fitch.

Adicionando mais volatilidade aos mercados durante a semana, a ata do Bank of England mostrou uma maior preocupação dos membros do comitê britânico, embora eles tenham optado por manter a taxa de juro inalterada.

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Ainda lá fora, o clima de tensão também ganhou força na semana com os novos episódios de conflitos armados entre as Coreias.

Nos Estados Unidos, PIB decepciona
Na cena norte-americana, o principal destaque da agenda econômica decepcionou os mercados. A economia norte-americana avançou 2,6% no terceiro trimestre de 2010, levemente abaixo das expectativas do mercado, que sugeriam um aumento de 2,7% na atividade do país. Já o deflator do PIB, que mede basicamente o custo de uma cesta de bens na economia norte-americana, surpreendeu ao registrar um avanço de 2,1%, inferior tanto às projeções quanto ao resultado da prévia anterior, ambos de 2,3%.

Entre os indicadores econômicos que influenciaram o ânimo dos investidores na semana, mostraram dados aquém do esperado pelo mercado o número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria dos EUA em novembro, assim como o volume de vendas de casas novas em igual mês e a confiança do consumidor norte-americano em dezembro.

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Por outro lado, outros indicadores econômicos apresentaram dados melhores que o previsto pelo mercado. É o caso do número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana. Já o núcleo do índice de preços PCE, um dos indicadores mais observados pelo Banco Central norte-americano, veio dentro as expectativas do mercado em novembro. No período, o Personal Income, que se refere à renda dos norte-americanos, ficou acima das projeções, enquanto o Personal Spending, referente aos gastos da população, decepcionou as estimativas.

Projeções da Fitch
A semana também foi marcada pela divulgação de projeções pela Fitch Ratings, que elevou as perspectivas para o crescimento da economia norte-americana nos próximos dois anos em 0,6 ponto porcentual cada, esperando agora avanço de 3,2% e 3,3% no PIB em 2011 e 2012. A expectativa para a economia global também aumentou para 3% e 3,3% para os próximos dois anos.

A agência de classificação de risco também revisou para cima a expectativa para o crescimento do PIB brasileiro em 2010, que passou de 7% para 7,6%. Ademais, a Fitch estima que o crescimento da economia para o próximo ano se desacelerará, apontando para avanço de 4,5%, por conta principalmente dos efeitos do aperto monetário e do fim das medidas fiscais anticíclicas, que se somam ao enfraquecimento da demanda externa.

O mercado também avaliou a notícia sobre a elevação da recomendação do Brasil para overweight pelo Morgan Stanley.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,698, com variação negativa de 0,99% na semana.

No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em abril de 2011, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,14%, alta de 0,16 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 133,85% de seu valor de face, alta de 0,15% na semana.

Por outro lado, o risco-país fechou esta quinta-feira cotado a 177 pontos-base, queda de 17 pontos-base na variação semanal.