Resumo semanal

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Os principais mercados de renda variável tiveram mais uma semana de perdas, com resultados corporativos e decisões de política monetária em foco. Também houve divulgação de indicadores de peso, como o PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano, que veio acima das expectativas. Ainda assim, as bolsas encerraram em queda nos EUA, Europa e Ásia. 

Por aqui, o movimento não foi diferente, e o Ibovespa fechou a semana com desvalorização de 1,24%, a 65.401 pontos. Em janeiro, a queda foi de 4,65%, representando o pior mês desde outubro de 2008.

Os papéis preferenciais da Cemig e Usiminas dividem o posto de maior alta da semana, com ganho de 6,67%. Embora desmentida, a notícia de que o governo decidiu pela renovação das concessões do setor elétrico que vencem entre os anos de 2015 e 2020, descartando assim a possibilidade de tomá-las para realizar um novo leilão, mexeu com as ações do setor elétrico, entre elas a Cemig.

Já a Usiminas teve sua recomendação elevada pela Itaú Corretora, passando de “abaixo da média do mercado” para “acima da média do mercado”, refletindo as melhores projeções acerca do mercado doméstico neste ano. Além disso, segundo o Bank of America Merrill Lynch, a demanda doméstica por aço poderá impulsionar os preços da commodity no País, impulsionando os ativos da Usiminas. A reativação do último altoforno paralisado na época da crise também depositou grande otimismo sobre a empresa.

As ações ordinárias da B2W encabeçaram a lista das maiores perdas do índice no período, acumulando queda de 7,48%, cotadas a R$ 38,00. O movimento negativo sentiu influência da proximidade do fim dos estímulos fiscais propostos pelo governo no último ano, a fim de estimular o consumo interno e impulsionar uma recuperação da crise financeira global. O corte do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para eletrodomésticos da linha branca, materiais de construção e automóveis, manteve o setor varejista aquecido durante o momento de instabilidade econômica.

Em relação às ações mais líquidas do índice, o movimento foi negativo. Os papéis ordinários da Petrobras recuaram 0,80%, enquanto os preferenciais caíram 1,67%. Já as ações da Vale acumularam perdas de 3,17% e 3,68%, na mesma ordem. Na quinta-feira, a mineradora anunciou a assinatura de contrato com a Yara Brasil Fertilizantes para aquisição de ações da Fertifos e da Fosfértil, no valor de US$ 785 milhões, valendo-se do mesmo preço por ação firmado anteriormente em acordo com a Bunge, Heringer e Fertipar.

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Noticiário
A política monetária esteve no foco da semana, com reuniões nos EUA, Brasil e Japão. Os três países optaram pela manutenção da taxa básica de juro.

O Fomc (Federal Open Market Committee), comitê de mercado aberto do Federal Reserve, não surpreendeu e optou pela décima vez consecutiva pela manutenção do juro básico norte-americano na faixa entre 0% e 0,25% ao ano, menor patamar de sua história. Surpreendeu apenas o fato da decisão não ter sido unânime, com o diretor do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig, defendendo mudança na política de estímulos à economia.

Por aqui, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anunciou sua decisão de manter a taxa Selic em 8,75% ao ano. A decisão foi unânime e sem viés, e veio em linha com as expectativas. O comunicado que acompanhou o anúncio da Selic foi conservador e trouxe poucas pistas ao mercado.

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Na Ásia, pesaram ainda rumores de que o governo chinês teria pedido a grandes bancos do país para conterem a concessão de crédito.

Por fim, o Senado norte-americano aprovou a nomeação de Ben Bernanke para a presidência do Federal Reserve por mais quatro anos, com 70 votos a favor de sua continuidade e 30 votos contrários.

Agenda
A principal referência da semana foi a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano, que mostrou avanço de 5,7% no quarto trimestre de 2009, acima das expectativas de mercado, que esperavam aumento de 4,7% na atividade. Porém, no resultado anual houve uma forte contração, de 2,4% – a maior nos último 63 anos.

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No mercado imobiliário, o número de vendas de casas usadas durante os 12 meses encerrados em dezembro decepcionou analistas, enquanto o New Home Sales mostrou, em dezembro, uma queda maior que a esperada no nível de vendas de casas novas nos EUA. Já os preços das casas caíram 5,32% em novembro de 2009, recuo maior do que o projetado.

A confiança do consumidor veio acima do esperado, assim como a atividade industrial na região de Chicago. Já o custo da mão de obra no país no quarto trimestre veio mais alto que no período anterior.

Por aqui, destaque para o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que apontou inflação de 0,63% em janeiro, após variação negativa de 0,26% no mês anterior. A taxa veio acima do esperado.

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O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a taxa de desemprego das seis principais regiões metropolitanas do País em 2009, que ficou em 8,1% em média. O índice é 0,2 ponto percentual maior que a taxa de 2008. Para o mês de dezembro, a taxa ficou em 6,8%.

A indústria trouxe dados positivos, com a Sondagem Industrial divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) registrando aumentos na produção e na geração de empregos no quarto trimestre do ano passado, e a Sondagem conjuntural da Indústria de Transformação divulgada pela FGV mostrando em janeiro o maior nível do ICI (Índice de Confiança da Indústria) desde julho de 2008.

Na Europa, a economia britânica animou os investidores por ter registrado no quarto trimestre de 2009 um crescimento de 0,1%.

Cenário Corporativo
Em semana repleta de resultados nos EUA, Phillips,Yahoo!, Ford, BlackRock, Caterpillar e Boeing mostraram números melhores que o esperado. Já a maior produtora de chips para celular dos EUA, Qualcomm, reduziu projeções para o ano após postar resultado decepcionante.

No cenário local, a CSN registrou na CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) oferta feita para adquirir a Cimpor, pelo valor já anteriormente divulgado de € 5,75 por ação, fazendo com que a transação seja avaliada em um montante total de € 3,86 bilhões.

Entre os resultados divulgados no País, o Bradesco chamou atenção ao somar um lucro líquido de R$ 8,012 bilhões em 2009, 5,1% maior que o contabilizado em 2008.

Câmbio e renda fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,887. Com ganhos de 3,68% no acumulado das últimas cinco sessões, o dólar renovou a maior valorização semanal registrada nos últimos 14 meses. O Banco Central, que interveio em todas as sessões, lançou dados sobre o fluxo cambial brasileiro, que nos primeiros quinze dias úteis de janeiro ficou positivo em R$ 10 milhões.

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,32%, recuo de 0,06 pontos percentuais em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 133,15% de seu valor de face, recuo de 1,51% na semana.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 233 pontos-base, alta de 11 pontos na variação semanal.