Resumo Semanal

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Após atravessar sessões marcadas por instabilidade, o Ibovespa fechou esta sexta-feira (12) com baixa semanal de 3,08%, aos 70.367 pontos. Com esta performance, o índice interrompeu uma sequência de duas variações semanais positivas consecutivas. O período foi influenciado pela reunião do G-20, na qual os investidores permaneceram atentos em relação às definições sobre a guerra cambial. No plano corporativo, todos os olhos ficaram voltados às fraudes no Banco PanAmericano.

Por aqui, as ações da Vivo chegaram ao fim desta semana com a maior alta entre os papéis que compõem a carteira teórica do Ibovespa, marcando uma valorização de 6,22% e encerrando o pregão desta sexta-feira cotadas a R$ 53,27. O desempenho positivo das ações da companhia vem na esteira de seu resultado trimestral. Com um lucro líquido de R$ 601,8 milhões, o balanço, referente ao terceiro trimestre, foi recebido com otimismo por investidores e analistas, com destaque para a elevação na participação no mercado, assim como a receita e a geração operacional de caixa da empresa.

Em sentido oposto, as ações da Gafisa mostraram o pior desempenho do Ibovespa na semana, ao marcar queda de 10,89% no período. A performance negativa acompanhou a tendência de queda do setor imobiliário, que ocupou as quatro piores posições na passagem.

Banco PanAmericano
Dentro do noticiário corporativo, apesar de fora do Ibovespa, o destaque ficou com o Banco PanAmericano. Os papéis do banco despencaram quase 30% na sessão da última quarta-feira, refletindo as reações do mercado quanto ao resgate à instituição feito pelo seu principal acionista, o Grupo Silvio Santos, no valor total de R$ 2,5 bilhões, contratado junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

O Banco Central, que identificou as inconsistências no balanço do banco, já afirmou que está investigando o assunto, e ressaltou que o resgate não contou com dinheiro público algum. Respondendo às declarações de que Eike Batista estaria interessado em comprar o SBT, uma das empresas do Grupo Silvio Santos que foram colocadas como garantia para o resgate efetuado no valor de R$ 2,5 bilhões, o próprio Silvio Santos respondeu que aceitaria o negócio.

“Se ele pagar R$ 2,5 bilhões que estou devendo, vendo, é claro que vendo. Não precisa nem pagar para mim, paga para o Fundo Garantidor de Crédito. Eu não posso vender nada sem passar pelo FGC”, disse o apresentador à Mônica Bergamo, colunista do jornal Folha de São Paulo.

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As ações fecharam a semana com perdas de 37,29%.

Vale e Petro
Entre os papéis mais líquidos do Ibovespa, as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras registraram baixa semanal de 5,14% e 4,77%, respectivamente. No mesmo sentido, as ações ON da Vale somaram desvalorização de 1,26%, ao passo que os papéis PNA cederam 0,43%.

No caso da estatal, o lucro líquido de R$ 8,566 bilhões acumulado no terceiro trimestre deste ano configura um alta de 7,8% sobre o mesmo período de 2009. No entanto, a média de projeções do Credit Suisse, Santander, Itaú, Fator e Ágora apontavam para ganhos de R$ 9,27 bilhões. Já o Ebitda (geração operacional de caixa) da estatal, R$ 14,73 bilhões, foi 6% menor que as expectativas, enquanto a receita operacional líquida superou a média das projeções em 3%, ao apontar para o valor de R$ 54,73 bilhões.

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Já o noticiário da mineradora nesta semana contou com a assinatura de um termo de cooperação técnica com a GE visando parcerias em projetos de desenvolvimento da infraestrutura brasileira. Segundo a empresa, “boa parte da cooperação será focada em projetos de armazenamento, geração e distribuição de energia”.

G-20, China e Europa
Apesar de muito aguardado, o enceramento do encontro dos chefes de estado das 20 maiores economias do mundo, em Seul, acabou sendo ofuscado por outras notícias, mesmo porque não contou com medidas de peso em relação ao câmbio, ficando apenas a ressalva da criação de um grupo de trabalho que buscará criar indicadores auxiliares no combate aos já desgastados “desequilíbrios globais”.

Referências da Ásia e da Europa também chamaram atenção na semana. Na China, é a inflação preocupou os investidores, uma vez que a aceleração dos preços ao consumidor, que atingiu 4,4% no mês passado, reaviva temores de um forte aperto monetário no país.

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Por sua vez, a principal questão proveniente do continente europeu ficou por conta dos temores frente à dívida da Irlanda, além da solvência de alguns países da região, como Grécia e Portugal.

Agenda
Como de costume, o Banco Central divulgou na segunda-feira o tradicional relatório Focus, que mostrou nova elevação na perspectiva de inflação anual, com a projeção do IPCA saltando de 5,29% para 5,31%, enquanto as estimativas do PIB mantiveram-se em 7,6% para o final deste ano.

Ainda por aqui, a produção da indústria nacional novamente recuou em nove das 14 regiões pesquisadas na passagem de agosto para setembro, mostrou a Pesquisa Industrial Produção Física – Regional, divulgada pelo IBGE. No campo inflacionário, o Instituto revelou o IPCA, medida oficial da inflação doméstica, que registrou elevação de 0,75% nos preços durante o mês de outubro.

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Também na agenda interna, a taxa de emprego na indústria brasileira aumentou em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2009. Essa foi a oitava taxa positiva consecutiva para este tipo de comparação. Por fim, as vendas do comércio varejista registraram crescimento no nono mês do ano, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio.

Boatos
As oscilações da bolsa na semana também sentiram reflexo da intensa boataria do período. Julio Hegedus, da Interbolsa Corretora, atribui parte da volatilidade à boataria que corre no mercado em torno do próximo governo. “Esta fase de transição de governo é recheada de boatos (…). Com isto, o mercado se volatiliza”, disse, em relatório. Hegedus comenta que entre os boatos que correm no mercado estão: “a redução voluntarista da taxa de juros em 2011; a hipótese da saída de Roger Agnelli da Vale, com a eleição para o cargo do atual presidente da Previ, Ricardo Flores, nomeado presidente do Conselho da empresa; redução da meta de inflação; saída de Meirelles do Banco Central, passando o cargo para o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e; a nomeação de Abílio Diniz ao Ministério do Desenvolvimento”.

Referências externas
Na agenda dos Estados Unidos, o número de pedidos de auxílio-desemprego caiu mais do que o esperado na última semana, enquanto que o déficit da balança comercial diminuiu mais do que previam os analistas na passagem de agosto para setembro, ficando em US$ 44 bilhões.

Também por lá, o orçamento do governo norte-americano registrou o vigésimo quinto mês consecutivo que as contas públicas dos EUA encerram no vermelho. Já o nível dos estoques no atacado surpreendeu ao avançar mais do que as expectativas no mês de setembro. Por fim, a confiança do consumidor norte-americano medida pela Universidade de Michigan foi maior que a esperada em novembro.

Na Europa, foco ao PIB (Produto Interno Bruto) sazonalmente ajustado da Zona do Euro e da União Europeia, cujo avanço na comparação entre os trimestes e na comparação anual ficaram em linha com as estimativas do mercado. Na China, além das referências de inflação, a agência de classificação de risco Moody´s elevou o rating do país de “A1” para “Aa3”.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,724, acumulando na semana apreciação de 2,74%.

No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2012, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,53%, alta de 0,10 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 139,15% de seu valor de face, queda de 0,78% na semana. Por outro lado, o risco-país fechou cotado a 174 pontos-base, estável na variação semanal.