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Invertendo a tendência de baixa auferida nos primeiros pregões da semana, o Ibovespa encerrou o período com modesta alta de 0,75%, a 70.897 pontos. O período contou com um movimentado noticiário econômico, que trouxe instabilidade aos mercados globais entre segunda e sexta-feira. Cabe lembrar que, na semana passada, o benchamark teve baixa de 3,08%.
Por aqui, a questão da forte valorização do real frente ao dólar norte-americano voltou à pauta e mexeu com o ânimo dos investidores na semana. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, interferir no câmbio constantemente não é uma atitude muito saudável. Contudo, ele não descarta tomar novas medidas caso sejam necessárias.
Mantega também se manteve em foco dentro do noticiário da semana, em meio às especulações sobre sua permanência à frente do Ministério da Fazenda no próximo governo. Nesta sexta-feira, o ministro confirmou que recebeu o convite da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) para permanecer no cargo, mas a resposta será revelada apenas na próxima semana. O mesmo foi dito por Henrique Meirelles, presidente do Banco Central.
Outro catalisador importante para o desempenho dos mercados nesta semana veio do Velho Continente. O mercado voltou a se preocupar com a Irlanda. A expectativa de o país de fato aceitar ajuda financeira internacional tem ganhado cada vez mais força.
Já na China, especulações sobre uma nova alta no juro básico do país para conter o forte avanço da inflação contaminaram os mercados no início da semana, derrubando os principais índices ao redor do globo no período.
Destaques Corporativos
Uma semana após divulgar seu resultado do terceiro trimestre, as ações da MRV aparecem liderando os ganhos semanais da carteira teórica do Ibovespa, registrando um avanço de 8,49% no acumulado e encerrando o pregão desta sexta-feira cotadas a R$ 17,25.
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A companhia reportou lucro líquido de R$ 216 milhões durante o terceiro trimestre, marcando uma alta de 110,6% em relação ao apurado em igual quarto de 2009, desempenho que valeu o título de “melhor trimestre da história” por parte dos executivos da empresa. Vale lembrar que, no pregão seguinte à publicação do balanço trimestral, as ações da empresa registraram forte alta de 6,8%.
Do outro lado do índice, a Marfrig passou de resultados positivos no trimestre anterior e no terceiro trimestre de 2009 para um prejuízo de R$ 30,1 milhões entre os meses de julho a setembro deste ano. Por conta da receptividade negativa do mercado ao balanço, as ações da empresa somaram baixa de 7,04% na semana, cotadas a R$ 13,46 cada, liderando as perdas do Ibovespa no período.
Os analistas Carlos Albano e Marcio Kawasaki, do Citigroup, avaliaram os resultados do Marfrig como fracos, com destaque para as despesas financeiras maiores que o esperado e as variações cambiais piores que as expectativas do banco. “A principal diferença entre nossos números vieram dos contratos de derivativos, que elevaram as despesas financeiras em R$ 143 milhões”, afirmaram em relatório.
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Entre os papéis mais líquidos do Ibovespa, as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras registraram baixa semanal de 0,58% e 0,25%, respectivamente. No sentido oposto, as ações ON da Vale somaram valorização de 0,82%, ao passo que os papéis PNA subiram 0,92%.
Nesta semana, a estatal anunciou que, apesar de não ter atingindo suas desafiadoras metas de produção até o terceiro trimestre, ela não pretende revisar seus objetivos para este ano, segundo Bianca Nasser Patrocínio, gerente de divulgação e marketing de relações com investidores da Petrobras.
Já a Vale divulgou na última quarta-feira (17) seus planos de investimentos no Canadá, que preveem investimentos superiores a C$ 10 bilhões ao longo dos próximos 5 anos. Segundo o executivo Tito Martins, CEO da mineradora no Canadá, “o programa de investimentos que estamos fazendo é um indicador do bom futuro que óos vemos para a Vale no Canadá”.
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Agenda
Como de costume, a semana começou com a divulgação do Relatório Focus, do Banco Central. O documento mostrou mais uma vez tendência de aumento das projeções dos índices de inflação, com a nona alta consecutiva nas estimativas para o IPCA neste ano, que agora apontam para uma alta de 5,48%.
Também na pauta, o Banco Central revelou que, até o dia 12 deste mês, a saída de dólares do Brasil superou a entrada em US$ 14 milhões. No acumulado de 2010, o saldo continua superavitário em mais de US$ 24 bilhões.
Segundo dados do Caged, o Brasil registrou a abertura de 2,4 milhões de vagas de trabalho de janeiro a outubro deste ano. O resultado representa novo recorde para o período, sendo superior em 12% ao anterior.
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Já no campo inflacionário, destaque para o IPC-Fipe, que mostrou alta de 0,87% na segunda quadrissemana de novembro. Por fim, vale lembrar que a sessão de terça-feira foi marcada pelo exercício de opções sobre ações de novembro, que movimentou R$ 2,85 bilhões na BM&F Bovespa – o menor patamar desde junho.
Referências Externas
Além dos temores em relação à economia irlandesa e à taxa de juros na China, o front internacional também contou com importantes indicadores econômicos nos Estados Unidos.
Entre os dados referentes a outubro, vieram piores que o esperado pelo mercado o Leading Indicators, que compreende vários índices já divulgados, assim como a evolução dos preços ao consumidor, o número de casas em início de construção, a produção industrial, a capacidade industrial utilizada e o indicador norte-americano de preços pagos a fábricas, agricultores e produtores em geral, que é análogo no Brasil ao índice de preços no atacado.
O único indicador referente a outubro que mostrou números melhores que o projetado por analistas foi o volume das vendas ao mercado varejista dos EUA. Já em relação aos dados de novembro, a atividade industrial na região de Nova York surpreendeu negativamente, enquanto que a atividade industrial na região da Filadélfia veio acima do esperado.
Ainda no front internacional, pesaram nesta semana as palavras nada animadoras do analista da Moody´s, Steven Hess. Em entrevista ao portal financeiro norte-americano Marketwatch, Hess afirmou que os ratings de crédito dos EUA podem ser “afetados negativamente” caso o país mantenha sua política de juros baixos, tendência predominante nos últimos anos.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,719, acumulando na semana depreciação de 0,29%.
No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,68%, alta de 0,02 ponto percentual em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 138,45% de seu valor de face, queda de 0,50% na semana. Por outro lado, o risco-país fechou cotado a 175 pontos-base, alta de um ponto-base na variação semanal.