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Em uma semana fortemente influenciada pelo noticiário externo, o Ibovespa registrou baixa de 3,77% no período, fechando esta sexta-feira aos 68.226 pontos. Os mercados repercutiram o clima de cautela com economias europeias e asiáticas, enquanto que, por aqui, foco recaiu sobre a equipe econômica da presidente eleita Dilma Rousseff.
Dentro do Índice Bovespa, destaque para as ações da Klabin, que tiveram o melhor desempenho do benchmark na semana, acumulando uma valorização de 5,39%, cotadas a R$ 4,89. A companhia revelou ao mercado durante a semana que o seu atual CEO, Reinoldo Poenbacher, deve deixar o cargo em fevereiro do próximo ano, após ter afirmando, na ocasião de sua posse, que o mandato seria temporário, pois já estava na iminência de uma aposentadoria. Assim, o novo diretor executivo da Klabin será Fabio Schvartsman.
Do outro lado, as ações da MMX fecharam esta semana como principal baixa dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando queda de 10,88% e cotadas a R$ 12,20. As mineradoras enfrentam um momento delicado por conta de medidas do governo chinês para conter a alta da inflação no país.
Destaques Corporativos
Entre as ações mais líquidas do Ibovespa, o desempenho negativo foi unânime. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras tiveram baixas de, respectivamente, 4,29% e 4,28%. Já os ativos PNA da mineradora Vale tiveram queda de 2,10% na semana, enquanto que os papéis ordinários auferiram perdas de 2,45% no mesmo período.
Outros destaques no plano corporativo ficaram por conta das fortes desvalorizações registradas pelas siderúrgicas. Usiminas, Gerdau e CSN viram seus papéis despencarem no período, repercutindo não apenas os temores em relação à economia chinesa, mas também dados do setor. Segundo a Inda, os estoques de aço registraram recorde mensal no ano em outubro, com 1,295 milhão de toneladas – equivalente a 4,1 meses de vendas da distribuição.
Fora do índice, o Banco PanAmericano voltou a chamar atenção dentro do noticiário corporativo. Em mais um capítulo sobre a fraude, o diretor do Banco Fator, Venilton Tadini, afirmou que a instituição de Sílvio Santos forneceu dados falsos para que o Fator avaliasse o banco para a Caixa Econômica Federal. Deste modo, o Fator analisa a possibilidade de processar os executivos envolvidos no caso, devido ao impacto na imagem que o evento resultou.
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Cautelosos, mercados assistem aos noticiários europeu e asiático
No Velho Continente, aumentaram os rumores de que o governo de Portugal pedirá ajuda ao FMI e ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, embora a notícia tenha sido negada pelo governo português, em Lisboa. Nesta sexta-feira, Portugal também aprovou o orçamento de 2011, com pesados cortes de gastos e elevação dos impostos no país.
O governo espanhol foi outro a refutar a possibilidade de pedido de resgate, tendo o presidente José Luis Zapatero afirmado que já possui um plano rigoroso de redução do déficit fiscal.
Ainda na Europa, a Irlanda surpreendeu o mercado após a notícia de que, em troca de socorro financeiro, os cinco maiores bancos do país serão total ou parcialmente nacionalizados, com participações governamentais que vão de 51% a 100%. A projeção foi feita por analistas da agência de classificação de risco Fitch e por autoridades do país.
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Também na pauta irlandesa, seguindo o anúncio pelo Partido Verde de sua saída da coalizão governista, as eleições parlamentares foram antecipadas para janeiro, o que pode redesenhar a distribuição do poder no país. Contudo, espera-se que o atual gabinete conclua os acordos de resgate econômico ao país e aprove os pacotes fiscais já esperados.
Cabe lembrar que, no último fim de semana, a Irlanda aceitou a ajuda financeira do FMI e da União Europeia. O ministro das finanças do país afirmou que o aporte não passará dos € 100 bilhões, enquanto os rumores sobre o montante giravam em torno de € 120 bilhões. Em troca desse apoio, a Irlanda deverá adotar medidas de austeridade fiscais equivalentes a 10% de seu PIB, além de promover uma reforma no setor bancário.
Na Ásia, a possibilidade de novos ataques entre as Coreias inspirou cautela. Nesta sexta, a Coreia do Sul disse ter ouvido novos disparos em ilhas do Mar Amarelo, o que indicaria um possível exercício militar das tropas norte-coreanas. Mais cedo, a Coreia do Norte reafirmou sua oposição às manobras militares conjuntas entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos, marcadas para o próximo domingo, dizendo que os exercícios levariam a península “à beira da guerra”.
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Além das Coreias, a China também chamou atenção na semana. O BC local ordenou aos bancos comerciais que reduzam o ritmo de empréstimos ao longo das próximas semanas. A decisão foi tomada por conta da avaliação de que o rápido crescimento dos empréstimos pode gerar uma crise financeira sistêmica, ao passo que a liquidez abundante e o aumento de inflação podem aumentar as pressões desestabilizadoras.
Agenda interna tem foco em equipe econômica da Dilma
Enquanto a semana foi amplamente marcada pela influência externa, por aqui, o noticiário econômico foi pouco movimentado. O grande destaque ficou por conta do anúncio da equipe econômica do governo de Dilma Rousseff. Na última quarta-feira foi confirmada a saída de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central, que passará para Alexandre Tombinii, atualmente Diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro da instituição.
O grupo de transição da presidente eleita também confirmou a permanência de Guido Mantega no Ministério da Fazenda e que Miriam Belchior liderará o Ministério do Planejamento.
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Tradicionalmente, a semana começou com o mercado de olho no relatório Focus, do Banco Central, o qual mostrou que a mediana das projeções para o IPCA de 2010 subiu 0,1 ponto percentual na passagem semanal, indo para 5,58%.
Entre os indicadores econômicos do período, destaque ao Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Atividade Econômica, que apontou em setembro sua terceira alta mensal consecutiva. Além disso, a Pesquisa de Emprego e Desemprego revelou que a taxa de desemprego nas sete principais regiões metropolitanas do País diminuiu entre setembro e outubro deste ano.
Ainda no front doméstico, em sua Nota de Mercado Aberto referente ao mês de outubro de 2010, o Banco Central do Brasil revelou que o estoque total Dívida Pública Mobiliária Federal Interna aumentou 1,19% ante o mês anterior. Já a Nota do Setor Externo mostrou que o resultado global do balanço de pagamentos brasileiro em outubro foi superavitário em US$ 8,809 bilhões.
Por fim, no âmbito inflacionário, a atenção recaiu sobre o IPCA-15 de novembro, que superou as expectativas do mercado e deu mais força aos temores acerca da pressão inflacionária na economia.
Na pauta dos EUA, destaque para ata do Fomc
O plano econômico norte-americano ficou um tanto quanto ofuscado nesta semana, principalmente por conta do feriado do Dia de Ação de Graças e da famosa Black Friday, que encurtaram a agenda dos mercados por lá. O grande destaque ficou por conta da ata da última reunião do Fomc.
No documento, o Fed cortou as projeções para a economia norte-americana em 2010 e 2011. Além disso, a autoridade voltou a apontar um progresso desapontador do país, em meio a condições ruins no mercado de trabalho e imobiliário. O comitê agora espera que os EUA cresçam entre 2,4% e 2,5% este ano, abaixo dos 3% a 3,5% esperados em junho.
Outro vetor norte-americano importante aos mercados nesta semana foi a divulgação da segunda prévia do PIB dos Estados Unidos referente ao terceiro trimestre deste ano, que apresentou alta de 2,5%, valor levemente acima dos 2,4% previstos pelo consenso do mercado.
Também influenciou os mercados a notícia de que o FBI fez uma batida em escritórios de hedge funds no início desta semana.
Entre os indicadores econômicos, vieram melhores que o esperado pelos analistas o número de vendas de casas usadas e a renda individual dos norte-americanos em outubro, bem como a confiança do consumidor em novembro e os pedidos de auxílio-desemprego na passagem semanal. Por outro lado, o número de pedidos de bens duráveis, o gasto dos consumidores e a venda de casas novas no décimo mês do ano desanimaram ao mostrarem dados aquém do previsto.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,728, acumulando na semana apreciação de 0,52%.
No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,76%, alta de 0,08 ponto percentual em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 137,85% de seu valor de face, queda de 0,43% na semana.
Por outro lado, o risco-país fechou cotado a 174 pontos-base, queda de um ponto-base na variação semanal.