Resumo Semanal

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O Ibovespa fechou a semana em queda de 3,20%, aos 69.529 pontos. O movimento do índice reflete uma realização à alta vista na semana passada, quando atingiu seu maior nível em dois anos, de 71.830 pontos. Com a baixa nesta semana, o Ibovespa interrompeu uma sequência de sete altas semanais consecutivas.

Por aqui, as ações da Brasil Ecodiesel tiveram forte alta de 25% e fecharam o período no topo da ponta compradora do Ibovespa. Apenas na sessão desta sexta-feira (22), os papéis da empresa dispararam 15,74%, fechando o dia cotados a R$ 1,25 cada. O movimento das ações se deu em resposta a notícia do Portal Exame que afirma que a empresa anunciará em breve sua fusão com a Maeda Agroindustrial.

De acordo com as informações, será criada uma nova empresa por meio de troca de ações e a divisão do capital será de 70% para a Brasil Ecodiesel e 30% para a Maeda. O valor por ação da Brasil Ecodiesel teria sido definido em R$ 1,80 no processo – 44% acima do fechamento nesta sexta-feira. A InfoMoney não conseguiu contato com o departamento de Relações com Investidores e com a assessoria de imprensa da empresa.

Liderando as perdas do Ibovespa na semana, com baixa acumulada de 11,58%, valendo R$ 22,60 cada, estão as ações da Cyrela. Os papéis tem fechado em queda desde o dia 15 de outubro, quando a companhia negou estar em disputa com a mexicana Homex para assumir o controle da MRV Engenharia, de acordo com notícia veiculada pelo Relatório Reservado.

Segundo a publicação, a Cyrela “enxerga a MRV como o trampolim perfeito para saltar sobre a PDG Realty e reassumir o posto de maior construtora e incorporadora residencial do País”. Além disso, Rubens Menin, o atual controlador da companhia, seria mantido como sócio minoritário da nova empresa.

Outros destaques corporativos
Entre os papéis mais líquidos do Ibovespa, o desempenho não foi unânime. As ações preferenciais da Petrobras registraram baixa semanal de 7,91%, encerrando cotadas a R$ 24,21 cada, enquanto os ativos ordinários da estatal caíram 6,60% no período, valendo R$ 26,75 cada. No sentido oposto, as ações ON da Vale somaram valorização de 1,12%, a R$ 53,95 cada, ao passo que os papéis PNA subiram 0,96%, para R$ 48,24 cada.

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O movimentado noticiário envolvendo a Petrobras colocou a empresa em destaque no mercado. O presidente da petrolífera, José Sergio Gabrielli, afirmou que a relação entre dívida líquida e capital próprio deve subir a 30% depois do endividamento previsto para os próximos sete anos, de US$ 76 bilhões.

Além disso, o banco de investimentos suíço UBS elevou sua recomendação para as ações da estatal de “venda” para “neutra”. Cabe destacar que a companhia também anunciou a conclusão da perfuração do poço 3-BRSA-854-RJS e confirmou o potencial da área de Tupi, estimado entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo equivalente.

No caso da Vale, a mineradora se manteve em foco devido ao discurso de seu principal executivo, Roger Agnelli, ao longo do Vale Day na Nyse (New York Stock Exchange). Entre afirmações bastante otimistas sobre a empresa, o executivo afirmou que o minério de ferro está – e deve permanecer – em um patamar de preço razoável, entre US$ 130 e US$ 160 por tonelada. O evento levou o Citigroup a reiterar sua recomendação de compra dos papéis e revelar que a companhia deve reportar “o maior lucro de sua história”.

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Ainda em relação a empresa, o mercado segue na expectativa do anúncio do plano de investimentos da companhia, que pode ser revelado junto com os resultados no próximo dia 27 – Agnelli afirmou que a Vale será “duas empresas do tamanho da atual” em alguns anos, destacando o pesado volume de investimentos planejados pela mineradora.

Outros papéis de destaque na semana foram os das siderúrgicas CSN, Gerdau e Usiminas. O governo estabelecerá preços mínimos para diversos tipos de aço plano e longo importados, e cobrará impostos sobre esse preço mínimo. Para Cristiane Viana, analista da Ágora, o fato alivia preocupação com as importações, o que pressionou os papéis ao longo da semana.

Agenda
A primeira sessão desta semana foi marcada pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa brasileira, que movimentou R$ 4,87 bilhões na BM&F Bovespa em outubro, maior patamar desde abril. Além disso, o Relatório Focus mostrou que novamente as projeções para os índices de preço registraram aumentos, tanto para 2010 quanto para 2011. Para o PIB do País, as estimativas ficaram inalteradas em um crescimento de 7,55% ao final deste ano.

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Mas o principal destaque de segunda-feira foi a notícia de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nova elevação da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para investimento estrangeiro em renda fixa, que passou de 4% para 6%. Além disso, Mantega também anunciou a elevação, de 0,38% para 6%, do IOF cobrado sobre a margem de garantia, apenas para investimentos estrangeiros no mercado futuro.

A fim de acabar com as brechas pelas quais os investidores externos poderiam escapar da maior cobrança de IOF, o CMN (Conselho Monetário Nacional) publicou na quinta-feira uma resolução proibindo as instituições financeiras autorizadas pelo BC a realizarem aluguel, troca ou empréstimo de títulos, valores mobiliários e ouro como ativo financeiro a investidores estrangeiros que pretendam utilizar os recursos obtidos com operações nos mercados de derivativos. Além disso, o Banco Central determinou a exclusão das cartas de fiança do rol de garantias aceitas pelas câmaras de compensação da BM&F Bovespa para colateralização de operações realizadas por investidores estrangeiros.

Já a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que optou por manter a taxa básica de juro em 10,75% ao ano, mexeu menos com os mercados, já que já era amplamente antecipada. Também influenciou o mercado doméstico na semana a notícia de que foram geradas 246.875 vagas de trabalho em setembro, de acordo com dados do Caged.

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No campo inflacionário, destaque ao IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15), que apontou inflação de 0,62% em outubro, acima da taxa apurada no mesmo período de 2009. Outro dado relevante na semana foi o fluxo cambial acumulado nos primeiros dez dias úteis de outubro, quando houve superávit de US$ 2,391 bilhões.

Na véspera, o Ministério da Fazenda publicou o relatório bimestral “Economia Brasileira em Perspectiva”, no qual estima crescimento de 7,5% neste ano e inflação de 5,1%. Já o último indicador revelado na semana, do Serasa Experian, apontou um avanço de 0,3% da economia brasileira na passagem de julho para agosto.

Referências externas
Nos Estados Unidos, a principal referência da semana ficou por conta do Livro Bege do Federal Reserve. O documento revelou que a economia dos EUA segue se recuperando a passos lentos. De acordo com a autoridade monetária norte-americana, os gastos dos consumidores foram “moderadamente positivos”, enquanto os setores imobiliário e de construção permaneceram “fracos”.

Entre os indicadores econômicos revelados no país, destaque para o número de casas em início de construção nos EUA em setembro e para o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados na última semana. Ambos registraram dados melhores que o esperado pelo mercado. Já o Leading Indicators, que resume alguns dos principais indicadores da economia norte-americana, registrou variação positiva no último mês, em linha com as projeções.

No sentido oposto, alguns indicadores surpreenderam negativamente ao longo da semana. É o caso da produção e capacidade industrial, bem como o número de autorizações para construção de novas casas e dados da produção industrial na Filadélfia, todos referentes à setembro.

Ainda no front externo, a China chamou atenção do mercado ao longo da semana. Na terça-feira, o gigante asiático surpreendeu ao elevar suas taxas de referência para depósitos e empréstimos em 0,25 ponto percentual, para 5,56% e 2,50% ao ano, respectivamente. Já na última quinta-feira, o governo chinês anunciou o PIB do terceiro trimestre, que cresceu 9,6%, melhor do que o esperado pelo mercado. Também foi divulgada inflação de 3,6% no país, superior à variação medida em agosto.

Em foco no final da semana, a reunião de ministros do G-20, iniciada nesta sexta-feira na cidade de Gyeongju, na Coreia do Sul, deve repercutir no próximo pregão. As pressões sobre o encontro são muitas, principalmente no que se refere ao câmbio internacional.

Discursos
Declarações voltaram a chamar a atenção do mercado nesta semana. Depois de Guido Mantega, Henrique Meirelles afirmou na segunda-feira que o governo está monitorando de perto o fluxo cambial no País. O presidente do BC se disse preocupado com a possibilidade de formação de bolha nos ativos do País.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou o coro sobre as necessidades de adoção das medidas para frear o ritmo de valorização do real frente ao dólar. Acerca do novo aumento do IOF, o presidente elogiou a medida e deixou bem claras as intenções do governo – “Nós tomaremos tantas medidas quanto necessárias para que o real não se valorize muito em relação ao dólar”.

Lá fora, o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, reafirmou ser favorável a novas medidas de estímulo por parte do banco central dos EUA, citando os riscos de desaceleração econômica e deflação. Lockhart também falou sobre a desvalorização do dólar frente as principais moedas do mundo. Segundo ele, a retomada do programa de compras de Treasuries pode afetar ainda mais a moeda, elevando os receios do mercado quanto à saúde econômica do país.

Outros membros do Fed também se pronunciaram na semana – especialmente sobre a nova rodada de flexibilização quantitativa (QE2), que o banco central deve anunciar em sua próxima reunião, no início de novembro. Entre eles, James Bullard, presidente do Fed de St. Louis, disse ser a favor de um programa de aquisição de títulos orçado em US$ 100 bilhões mensais, mas afirmou que há discordância dentro da autoridade sobre o tamanho das compras.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,709, acumulando na semana apreciação de 2,58%.

No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2013, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,85%, alta de 0,34 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 139,45% de seu valor de face, queda de 0,68% na semana.

Por outro lado, o risco-país fechou cotado a 182 pontos-base, alta de 14 pontos na variação semanal.