Resumo Semanal

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Em uma semana repleta de referências no âmbito macroeconômico e corporativo, o Ibovespa fechou em alta de 1,67%, puxado pela performance dos papéis da Petrobras, que por sua vez refletiram a oferta de ações da companhia. O principal índice da bolsa paulista fechou a semana aos 66.678 pontos.

No campo macroeconômico, o mercado repercutiu a manutenção da Selic no Brasil e dados do mercado de trabalho, que mexeram com o ânimo dos investidores ao longo da semana. Lá fora, destaque para a ata do Fomc, que alimentou o sentimento de cautela dos investidores frente a recuperação da economia norte-americana, mas não foi o suficiente para ofuscar indicadores econômicos positivos.

Mais uma vez em foco por conta de seu processo de cessão onerosa e capitalização, as ações ON e PN da Petrobras foram os dois principais destaques de alta do Ibovespa na semana. Já na ponta negativa, destaque para os ativos da Brookfield.

Petrobras
A companhia revelou os termos de sua oferta de ações, que poderá lhe render uma captação de até R$ 128 bilhões, caso os lotes adicional e complementar sejam exercidos. Se confirmado, será um dos maiores volumes já captados por uma empresa em tal operação na história mundial.

No total, inicialmente, serão emitidas 2,174 bilhões de ações ordinárias e 1,585 bilhão de preferenciais, cujo preço, como de praxe, será fixado no processo de bookbuilding. O investidor de varejo poderá investir diretamente entre R$ 1 mil e R$ 300 mil na oferta. O período de reservas começa dia 13 de setembro, ao passo que a estreia das ações está agendada para 27 de setembro.

Na quarta-feira, o preço do barril de petróleo da cessão onerosa para a Petrobras foi definido em US$ 8,51 (ou R$ 14,96), pondo um fim às especulações que rodeavam a questão. Este é o valor médio para os barris envolvidos no processo – de campo para campo, os preços variam entre US$ 5,82 (no campo Iara) e US$ 9,04 (no campo Franco, que tem a maior quantidade de barris). Estão incluídos ainda os campos Tupi Sul, Florim, Tupi Nordeste, Peroba e Guará.

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Segundo o comunicado apresentado pela empresa, o valor do barril de óleo bruto foi fixado através da negociação entre a Petrobras e a União Federal, baseado em laudos técnicos elaborados por entidades certificadoras independentes contratadas pela própria empresa e pela ANP.

Outros destaques corporativos
As ações da OGX se destacaram entre as perdas na semana, refletindo a oferta de ações da Petrobras. Com parte do cenário duvidoso acerca da capitalização da estatal já resolvido, muitos investidores reveem seus posicionamentos, deixando os papéis da empresa de Eike Batista e migrando para as ações da Petrobras.

Os papéis da Cemig também estiveram em foco na semana devido ao andamento da campanha eleitoral no estado de Minas Gerais, que segue como um driver para as cotações das ações. O mercado pondera a possibilidade de a companhia ser privatizada após a troca de governo na região.

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A Vale também voltou a figurar no noticiário corporativo. Com adesão de 38,28% das ações em circulação, abaixo dos 50% mais um necessários, a mineradora falhou em adquirir a Paranapanema no leilão realizado na véspera. Especulações entre analistas agora dão conta de que o caso não esteja encerrado, e de que a Vale deva elevar o preço a ser pago por ação, que atingiu R$ 6,75 durante o leilão, acima dos R$ 6,30 iniciais.

Agenda
Um dos principais destaques da agenda doméstica nesta semana foi o PIB brasileiro que apresentou no segundo trimestre de 2010 um avanço de 1,2% em relação aos três meses anteriores. Na comparação com o mesmo período de 2009, o indicador registrou crescimento de 8,8%. O resultado ficou abaixo da expansão de 2,7% vista nos três primeiros meses deste ano, mas superou as expectativas de analistas, que esperavam alta entre 0,6% e 1,1% na comparação trimestral.

Também influenciou o mercado ao longo da semana a notícia de que o Copom optou por manter a meta para a Selic em 10,75% ao ano, interrompendo assim o ciclo de aperto monetário iniciado em abril. O movimento era amplamente esperado pelos analistas de mercado e trouxe pouca surpresa. A decisão foi tomada por unanimidade e sem viés.

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No Relatório Focus desta semana, o mercado diminuiu suas projeções para o crescimento econômico brasileiro neste ano, enquanto manteve suas expectativa no tocante à taxa básica de juro. A diminuição foi pouco expressiva, com a mediana das estimativas para a alta do PIB passando de 7,10% para 7,09% em 2010. Já para o ano que vem as expectativas foram mantidas, sendo esperado um avanço de 4,5%.

Indicadores econômicos também mexeram com o ânimo do mercado no período. A Pesquisa Industrial de Produção Física elaborada pelo IBGE mostrou que a produção industrial brasileira avançou 0,4% na passagem de junho para julho após três recuos mensais seguidos.

Ainda no front doméstico, a balança comercial de agosto fechou com superávit de US$ 2,44 bilhões, levando o saldo positivo acumulado em 2010 para US$ 11,673 bilhões. No âmbito inflacionário, destaque para o IPC-S, que marcou deflação de 0,08% na última passagem semanal, enquanto que o IGP-M apontou inflação de 0,77% em agosto, após registrar variação de 0,15% no mês anterior.

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Referências externas
Nos Estados Unidos, o principal destaque da semana ficou por conta da ata do Fomc (Federal Open Market Committee). O documento revelou que a autoridade monetária norte-americana reduziu suas projeções para o crescimento da atividade economica dos EUA no segundo semestre de 2010, mas continua a antecipar um fortalecimento da expansão em 2011.

Dados do mercado de trabalho norte-americano também influenciaram os mercados. O ADP Employment mostrou a perda de 10 mil postos de trabalho no setor privado dos EUA em agosto, enquanto que o Employment Report revelou que a economia do país perdeu 54 mil postos de trabalho no período. Embora tenha ocorrido cortes, o resultado veio melhor do que o esperado pelo mercado, que estimava perda de 120 mil postos.

Animando o mercado, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na última semana e o volume de vendas pendentes de casas no país entre junho e julho vieram melhores que o esperado pelos analistas, ofuscando assim outros indicadores que não foram tão bem, como o volume de encomendas à indústria norte-americana e o índice que mede a produtividade no mercado de trabalho local.

Ainda nos Estados Unidos, a confiança do consumidor norte-americano ficou acima do esperado em agosto ao marcar 53,5 pontos, além de mostrar melhora também frente a julho, cujo resultado foi revisado para 51 pontos. No mesmo sentido, o núcleo do índice de preços PCE, um dos mais observados pelo Fed, marcou variação positiva de 0,1%, também dentro do previsto.

Sem novidades relevantes na Europa, a China foi outra referência internacional na semana, trazendo dados animadores. O PMI (Purchasing Managers Index) elaborado pelo governo de Pequim subiu de 51,2 pontos em julho para 51,7 pontos em agosto, ficando acima do esperado.

Discursos
Honrando o título de “Dr. Doom” (Dr. Apocalipse), Nouriel Roubini disparou mais uma de suas previsões catastróficas: segundo ele, mais de 400 bancos norte-americanos irão falir e o sentimento de que a economia entrará em uma recessão será inevitável. “O grande risco é que haverá uma desaceleração nos mercados que poderiam impactar o mercado de títulos, de ações e de crédito”, afirmou Roubini.

Cabe destacar ainda que o mercado ficou de olho no discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, admitindo parte da culpa pela “impressão errada” de que o Banco Central dos EUA poderia ter evitado a quebra do Lehman Brothers em 2008 – ponto que ajudou a deflagrar a crise no sistema financeiro norte-americano.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,731, acumulando na semana depreciação de 1,26%.

No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2012, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,37%, queda de 0,02 pontos percentuais em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 136,80% de seu valor de face, queda de 0,03% na semana. O risco-país fechou cotado a 213 pontos-base, queda de 1 ponto na variação semanal.