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Em uma semana marcada pela volatilidade nos principais mercados internacionais, o Ibovespa encerrou o período em alta de 0,19%, fechando esta sexta-feira (10) em 66.806 pontos. Com feriado do dia do Trabalho nos EUA e de Independência no Brasil, a semana, apesar de mais curta, contou com movimentados noticiários econômico e corporativo.
A ponta positiva do índice contou com a presença dos papéis da LLX, braço do ramo de logística do Grupo EBX, do megaempresário Eike Batista, que dispararam durante a tarde desta sessão. O papel fechou com ganhos de 8% nesta sexta-feira, e alta de 12,97% na semana. Contatada pela InfoMoney, a assessoria da companhia disse desconhecer o motivo por trás da forte variação positiva dos papéis da empresa.
Em sentido oposto, entre as ações mais líquidas do índice, o movimento de queda foi unânime. As ações ordinárias da Petrobras caíram 5,17% na semana e lideraram as perdas do benchmark paulista no período. Já os ativos preferenciais da estatal recuaram 4,44%, garantindo o terceiro lugar no ranking de perdas. Por sua vez, os papéis PNA e ON da Vale tiveram desvalorizações de 2,97% e 3,18%, respectivamente.
Petrobras e Vale
Assim como na semana passada, as discussões acerca da capitalização da companhia continuaram colocando a estatal em evidência no noticiário corporativo. Em meio à maior proximidade da oferta de ações, a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, disse que “o interesse dos investidores em derrubar a Petrobras no processo de formação do preço para a oferta de ações” poderia pressionar os papéis da companhia, projeção concretizada durante a semana.
Miriam comentou ainda que os papéis já haviam sido fortemente penalizados anteriormente. Além da pressão dos investidores para formação de preço para a oferta, pesou negativamente solicitação feita pelos sindicatos dos petroleiros, que entraram com um pedido de paralisação das atividades na plataforma P-25, na Bacia de Campos, alegando más condições de segurança. Em nota, a petrolífera desmentiu os rumores de interdição, dizendo que as operações já haviam sido paralisadas para uma manutenção programada.
Vale mencionar ainda que, na segunda-feira (6), a Caixa Econômica Federal informou que apenas os trabalhadores que já tenham conta vinculada ao FGTS, que sejam cotistas de Fundo Mútuo de Privatização e já detenham ações da companhia poderão adquirir papéis da Petrobras no processo de capitalização. O pregão em questão foi o único no qual os ativos da companhia conseguiram fechar em alta na semana.
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A Vale, por sua vez, esteve em destaque após anunciar a assinatura de contrato com duas instituições financeiras chinesas para financiar a construção de 12 navios no país asiático.
Outros destaques corporativos
As ações de exportadoras como a Embraer fecharam a semana no campo positivo, repercutindo a notícia de que o governo anunciou um pacote de estímulos para impulsionar as vendas do País ao exterior. Conforme publicado no Diário Oficial da União, a Medida Provisória 501 visa repassar aos estados e ao distrito federal o montante de R$ 1,95 bilhão.
O setor elétrico foi sacudido, na última quarta-feira, pela divulgação da nova proposta de WACC – índice para retorno regulatório sobre o capital das distribuidoras – por parte da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O número veio em 7,15%, bem abaixo das expectativas do mercado.
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Por outro lado, a MMX fechou a semana em baixa, repercutindo a notícia da Bloomberg de que a CISA (China Iron & Steel Association) está mantendo conversas com as mineradoras para reajustar os preços do minério de ferro mensalmente, ao invés do atual – e recentemente incorporado – reajuste trimestral. Com o novo sistema, aumentariam as chances de as siderúrgicas chinesas darem calote em seus contratos.
Agenda
Na agenda econômica da semana, o principal destaque do front doméstico ficou por conta da ata da última reunião do Copom, sinalizando manutenção da política monetária nas próximas reuniões. Dois pontos principais ganharam destaque no documento. Primeiro, a percepção de que, apesar da desaceleração recente, a economia doméstica continuará em ritmo de expansão, com a demanda interna ainda robusta. E segundo, os efeitos do enfraquecimento da recuperação global – especialmente a norte-americana – no Brasil.
Ainda por aqui, a última versão do Relatório Focus, do Banco Central, revelou que a mediana das estimativas do mercado apontou uma expansão de 7,34% na economia brasileira ao final deste ano, alta frente ao resultado da semana anterior, de 7,09%.
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Entre os indicadores econômicos conhecidos na semana, destaque para dados inflacionários. O IGP-DI teve a maior variação desde maio, apontando inflação de 1,10% em agosto. Já o IPCA marcou no acumulado do último mês alta de 0,04% nos preços, atingindo em 12 meses inflação de 4,49%, praticamente no centro da meta do CMN. Por fim, o INPC registrou deflação de 0,07% em agosto, taxa idêntica à apurada em julho.
O mercado também se atentou para o resultado da balança comercial no front doméstico. De acordo com o MDIC, a balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 138 milhões nos três primeiros dias úteis de setembro, quando foram registradas exportações da ordem de US$ 2,616 bilhões e importações de US$ 2,478 bilhões.
Referências externas
Nos EUA, entre os principais destaques da semana ficou o Livro Bege do Federal Reserve. O documento revelou que a economia segue se recuperando a passos lentos, afirmando que “o crescimento econômico em ritmo moderado foi a descrição mais comum das condições”. Já as pressões inflacionárias seguem moderadas.
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Ainda por lá, o presidente dos EUA, Barack Obama, declarou que o país não pode arcar com a extensão dos incentivos fiscais dados na era Bush aos mais ricos, ao mesmo tempo em que voltou a defender o pacote de US$ 50 bilhões para investimentos em infraestrutura. Obama pretende estender os cortes para cidadãos com renda anual até US$ 250 mil. “Eu acredito que devemos tornar os incentivos fiscais para a classe média permanentes”, afirmou.
Entre os indicadores de peso na semana, destaque para o Consumer Credit, que revelou recuo ajustado sazonalmente de US$ 3,6 bilhões no montante de crédito concedido ao consumidor norte-americano na passagem entre junho e julho – resultado melhor do que indicavam as projeções. Ampliando o otimismo dos investidores, o Initial Claims da última semana apontou um número menor do que o esperado de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, 451 mil. Já o déficit na balança comercial norte-americana recuou no mês de julho em relação a junho, além de ficar abaixo do esperado por analistas.
Na China, o superávit da balança comercial em agosto de US$ 20 bilhões veio abaixo das projeções, que giravam em torno de US$ 30 bilhões. Embora as exportações tenham mantido o forte ritmo de expansão, de 34,4% na passagem anual, as compras chinesas no exterior reagiram, com alta de 35,2% frente agosto de 2009.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,720, acumulando na semana depreciação de 0,64%.
No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2012, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,30%, queda de 0,07 pontos percentuais em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 136,55% de seu valor de face, queda de 0,18% na semana. O risco-país fechou cotado a 209 pontos-base, queda de 4 pontos na variação semanal.