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Após pregões marcados pela instabilidade nos mercados, o Ibovespa encerrou a semana em alta de 1,65%, aos 68.196 pontos. Cabe destacar que o principal índice da bolsa paulista chegou a retomar o patamar dos 69 mil pontos no intraday ao longo da semana, e conseguiu fechar o período no campo positivo mesmo com a queda dos ativos da Petrobras.
As fortes oscilações refletiram o movimentado noticiário econômico interno e externo, bem como notícias do campo corporativo. Por aqui, o principal destaque ficou por conta da oferta de ações da Petrobras, que influenciou positivamente o volume financeiro nos pregões da semana. Apenas nesta sexta-feira (24), o giro foi superior aos R$ 11 bilhões.
Entre os papéis mais líquidos do índice, as performances foram distintas. Enquanto os ativos ordinários e preferenciais da Petrobras caíram 1,79% e 0,53%, respectivamente, as ações PNA e ON da Vale dispararam 6,79% e 7,85%, nesta ordem, seguindo o fluxo de notícias sobre a mineradora e dando suporte à alta da bolsa na semana.
Petrobras
A estatal revelou na quinta-feira os preços das suas novas ações ordinárias e preferenciais dentro da oferta primária, que ficaram em R$ 29,65 e R$ 26,30, respectivamente, abaixo do preço das ações que já eram listadas na Bovespa. As novas ações da Petrobras somente estrearão no mercado acionário brasileiro na próxima segunda-feira (27).
Enquanto isso, a sessão desta sexta marcou a estreia dos novos ADSs (American Depositary Shares) representativos de ações ordinárias e preferenciais da estatal na Nyse (New York Stock Exchange), mostrando alta frente aos preços fixados no processo de bookbuilding, de US$ 34,49 e US$ 30,59, respectivamente, embora os papéis já negociados tenham reportado queda em relação à última quinta-feira.
Foram colocadas no mercado 2.402.611.655 ações ordinárias e 1.867.808.535 papéis preferenciais, correspondendo a uma captação total de R$ 120,361 bilhões. Convertendo este total em dólares, a operação totalizou US$ 70 bilhões, superando assim os US$ 22,1 bilhões levantados pelo Agricultural Bank of China, assumindo o posto de maior oferta de ações da história.
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Outros destaques corporativos
O noticiário carregado da Vale colocou a companhia em foco. A mineradora anunciou a criação de um programa de recompra de ações de sua emissão num total de até US$ 2 bilhões. Além disso, a empresa anunciou que passará a ser listada em Hong Kong, sob a forma de certificados de depósito, até o fim deste ano, e que também pagará dividendos adicionais.
Outras ações em destaque foram as da Gerdau e de sua controladora, a Gerdau Metalúrgica, que amargaram um movimento negativo na semana e terminaram como as mais desvalorizadas do índice no acumulado desses cinco dias – GOAU4 desabou 7,56%, para R$ 26,90, enquanto GGBR4 recuou 6,38%, para R$ 22,61.
Agenda
A semana começou marcada pelo exercício de opções sobre ações de setembro, que movimentou R$ 3,44 bilhões na BM&F Bovespa, número 6,8% menor do que o resultado obtido em agosto.
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O governo elevou suas projeções para o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2010 para 7,2%. Também foram alteradas as projeções para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), para a Selic média e para a taxa de câmbio média. Considerando as novas estimativas, o governo elevou também o limite de gastos da União, em R$ 1,7 bilhão.
O período contou ainda com os números do mercado de trabalho do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelando que a taxa de desemprego no País recuou para 6,7% no mês passado – a menor para o mês de agosto já apurada desde o início da série histórica, em 2002. O BC divulgou ainda que o estoque das operações de crédito registrou expansão de 2,2% em agosto, na passagem mensal, acumulando a cifra de R$ 1,582 trilhão.
Ainda por aqui, o fluxo cambial acumulado até o dia 17 de setembro mostrou que a entrada de dólares no País superou a saída em US$ 11,135 bilhões, atingindo o maior saldo (no comparativo com os meses cheios) desde outubro de 2009. Outro importante dado revelado pelo BC foi o resultado global do balanço de pagamentos brasileiro em agosto deste ano, que foi superavitário em US$ 4,38 bilhões.
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O mercado também repercutiu dados inflacionários. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) de setembro e a segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) desde mês apontaram ambos taxas maiores do que aquelas vistas em agosto.
Por fim, a confiança do consumidor apresentou alta em setembro, de acordo com dados da FGV (Fundação Getulio Vargas), enquanto que o estoque total da DPMFi (Dívida Pública Mobiliária Federal Interna) aumentou em R$ 15,48 bilhões neste mês na comparação com agosto.
Referências externas
Nos Estados Unidos, o National Bureau of Economic Research (Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas) revelou no começo da semana que a pior crise na economia do país desde a Grande Depressão terminou em junho de 2009. Apesar disso, Robert Hall, professor da Universidade de Stanford e líder do NBER, destacou que os EUA ainda estão crescendo, “mas infelizmente em um ritmo mais devagar”.
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Mas, o principal destaque na cena norte-americana nesta semana ficou por conta do comunicado do Federal Reserve. Apesar de o Fed não ter anunciado medidas adicionais de estímulo à economia, se limitando a manter o atual programa de reinvestimento dos valores que receber dos títulos securitizados atualmente sob sua posse, a autoridade sinalizou estar pronto para implementar novas medidas de ajuda à economia norte-americana caso seja necessário.
A agenda dos EUA contou com dados que apontaram sinais distintos sobre a economia. O número de casas em início de construção, de autorizações para construção de novas casas, de vendas de casas usadas e de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria do país mostraram dados melhores que o esperado em agosto. O Leading Indicators também animou ao trazer números acima do previsto para o último mês.
Contudo, os preços dos imóveis nos EUA em agosto, assim como o número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana e o volume de casas novas vendidas no último mês mostraram dados aquém daqueles projetados pelos analistas.
A Europa também ficou no foco dos mercados. As agências de classificação de risco Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch atribuíram nota “AAA” – a mais elevada em suas escalas – às emissões de dívida que serão disponibilizadas pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, criado para auxiliar os países em crise da Zona do Euro. Ainda por lá, a Moody’s reafirmou o rating concedido do Reino Unido, reforçando sua visão de que as autoridades britânicas conseguirão honrar seus compromissos fiscais.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,711, acumulando na semana depreciação de 0,47%.
No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2013, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,79%, queda de 0,03 ponto percentual em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 137,65% de seu valor de face, baixa de 0,11% na semana. Por outro lado, o risco-país fechou cotado a 203 pontos-base, alta de 7 pontos na variação semanal.