Resumo semanal

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Com poucas novidades no noticiário, os mercados acionários voltaram os olhos sobretudo aos indicadores divulgados nos últimos cinco dias. E entre dados decepcionantes na China e nos EUA, o resultado foi uma semana de queda nas bolsas ao redor do mundo.

Por aqui, onde ao contrário do cenário mundial, o noticiário corporativo esteve repleto de acontecimentos, o Ibovespa recuou 5,23% no período, fechando a 61.429 pontos. As bolsas norte-americanas apresentaram recuo semelhante.

A maior alta do índice ficou com a Copel, cujas ações avançaram 4,57%, a R$ 37,07. O principal driver para os papéis foi o anúncio de que a empresa implantará o reajuste tarifário médio de 2,46% determinado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 22 de junho. No entanto, o destaque foi a possibilidade de uma nova política de descontos, a ser discutida na próxima reunião do Conselho da Empresa.

Na outra ponta do índice, as ações da Redecard lideraram as perdas, recuando 12,59%, cotadas a R$ 24,57. Contribuiu para esse recuo o fim sistema de exclusividade das bandeiras de cartão de crédito com as credenciadoras, que passou a valer nesta semana.

Entre as ações mais líquidas do índice, a semana foi de desvalorização. Os ativos ordinários da Petrobras tiveram queda de 5,37%, enquanto os papéis preferenciais caíram 4,08%. Já as ações da Vale recuaram 9,28% e 9,35%, na mesma ordem.

Noticiário
O encontro do G-20, grupo dos principais países emergentes e desenvolvidos, terminou com propostas de controle de déficit fiscal, como a de reduzir gastos públicos pela metade até 2013. Outro comprometimento da cúpula foi de manter medidas de estímulo econômico e exigir uma maior colaboração financeira dos bancos quando a recuperação econômica se consolidar.

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Deixando o continente europeu ainda em foco, a agência de classificação de risco Moody’s colocou o rating soberano da Espanha – “Aaa” – em moeda local e estrangeira em revisão para possível rebaixamento, além de rebaixar o rating de cinco regiões do país.

Cenário corporativo
A Petrobras teve seus ratings mantidos pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, que afirmou que o adiamento da capitalização e a ampliação do plano de investimentos não têm impacto imediato sobre as notas. Os analistas da S&P destacaram o forte vínculo entre a estatal e o governo brasileiro. Ainda sobre a estatal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que trata da capitalização da Petrobras.

Passando a mais uma blue chip, a agência de classificação de risco Fitch elevou os rating dos IDR (Avaliação de Risco de Inadimplência do Emissor) da Vale tanto em moeda estrangeira quanto local , de BBB- para BBB, e o rating da dívida não segurada da companhia e de sua subsidiária Vale Inco.

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Já o Goldman Sachs reiterou sua recomendação neutra com relação à Usiminas, mas afirmou que ela é uma das top picks do banco no Brasil e possui valuation atrativo, enquanto o O Citi elevou a recomendação para as ações da siderúrgica de “manter” para “comprar”. Mas a principal notícia sobre a empresa foi a criação da Mineração Usiminas, com objetivo de assumir ativos de mineração da companhia, e que já deve nascer avaliada em cerca de US$ 6,4 bilhões e com US$ 1,9 bilhão em caixa, segundo o diretor-presidente, Wilson Brumer.

As ações da Gerdau, por sua vez, tiveram sua recomendação reduzida para venda pelos analistas do Goldman Sachs. A empresa concluiu a compra das ações da Gerdau Ameristeel por US$ 11 por ação.

Os acionistas da Portugal Telecom votaram em assembleia a favor da proposta da Telefónica (que havia sido elevada na noite anterior para € 7,15 bilhões) de compra de sua fatia na Vivo, mas o Estado português usou a prerrogativa de vetar a transação. A Comissão Europeia deve se pronunciar sobre o direito de veto na próxima semana.

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A Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda) concluiu sua análise sobre os efeitos da fusão entre a Perdigão e a Sadia, recomendando ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que aprove a transação, mas “com restrições”. Depois do anúncio, o Cade anunciou que poderá flexibilizar as indicações.

Na quarta-feira os papéis da oferta pública de ações primária e secundária do BB foram precificados a R$ 24,65 cada. No total, o banco estatal captou R$ 9,76 bilhões e colocou 396 milhões de papéis.

Por fim, o Pão de Açúcar e a Casas Bahia celebraram acordo quanto à concretização de sua fusão, após quase três meses de intensas negociações. Segundo o novo acordo firmado, os acionistas da Globex votarão proposta de aumento de seu capital social no montante de pelo menos R$ 689 milhões.

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Agenda
Na agenda, a China trouxe alguns números preocupantes. O PMI (Purchasing Managers’ Index) chinês caiu para 52,1 pontos em junho, abaixo das projeções dos analistas, indicando fragilidade no nível de atividade industrial no país. O Leading Indicators do país também trouxe preocupações, ao ser revisado em abril de expansão de 1,7% para alta de 0,3%.

Nos EUA, destaque para os dados decepcionantes do mercado de trabalho: foram fechados 125 mil postos de trabalho em junho, ante expectativas de corte de 100 mil vagas; já a taxa de desemprego recuou para 9,5%, abaixo do esperado. Ainda por lá, o núcleo do índice de preços PCE (Personal Consumption Expenditures) subiu 0,2% em maio, acima das expectativa. A renda dos norte-americanos decepcionou ao avançar 0,4%, enquanto os gastos da população superaram estimativas.

Por aqui, destaque para o Relatório Trimestral de Inflação, onde o Banco Central elevou as projeções para inflação e PIB (Produto Interno Bruto) brasileiros neste ano (de 5,8% para 7,3% de avanço). A estimativa é de que o IPCA registre alta de 5,4% neste ano, 0,9 ponto percentual acima do centro da meta estabelecida pelo CMN.

O setor público brasileiro apresentou um superávit primário de R$ 1,430 bilhão durante o mês de maio, e o Governo Central apresentou um déficit primário de R$ 509,7 milhões no mês. A balança comercial encerrou o mês de junho com um saldo positivo de US$ 2,278 bilhões, o segundo maior resultado deste ano. Pelos dados da inflação, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apontou variação de preço positiva de 0,85% em junho.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,778, terminando esta semana com declínio de 0,11%.

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou estável frente a última semana.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,10% de seu valor de face, alta de 0,37% na semana. O risco-país fechou cotado a 243 pontos-base, alta de 8 pontos na variação semanal.