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A temporada de resultados corporativos dos EUA trouxe novo fôlego para os mercados acionários, com grandes empresas superando expectativas. Contribuiu também uma série de indicadores positivos da agenda econômica, além de boas notícias vindas da China.
Por aqui, com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de diminuir o ritmo de aceleração da taxa básica de juro, subindo a Selic em 0,50 ponto percentual para 10,75% ao ano, o Ibovespa também teve uma semana de altas, com valorização de 6,39%, a 66.322 pontos – maior valorização semanal desde a primeira semana de maio de 2009. Vale lembrar que o exercício de opções sobre ações de julho movimentou R$ 2,42 bilhões na BM&F Bovespa, queda de 39% em relação ao resultado de junho.
A Usiminas viu suas ações lideraram os ganhos do Ibovespa na semana, com os ativos ordinários subindo 16,04%, cotados a R$ 55,20, após liderarem as perdas do benchmark na semana passada. Ao contrário das expectativas que estavam pressionando o papel, a siderúrgica anunciou um reajuste no preço do aço entre 3,5% e 6% em agosto, com a intenção de “compensar parcialmente” a alta nos preços da matéria-prima.
Apenas cinco ativos do benchmark terminaram a semana no terreno negativo. A maior queda foi das ações da Cielo, que recuaram 3,85%, cotadas a R$ 15,50. A segunda pior performance foi a das ações de sua concorrente, Redecard. Com a aproximação da divulgação dos resultados destas empresas, o mercado volta a se questionar sobre os impactos que o fim da exclusividade entre bandeiras e administradoras de cartões terá sobre os próximos balanços destas empresas.
Entre as ações mais líquidas do índice, o movimento foi de alta. As ações ordinárias da Petrobras fecharam em alta de 3,92%, enquanto os ativos preferenciais subiram 3,54%. Já os papéis da Vale avançaram 12,42% e 12,50%, na mesma ordem.
Noticiário
A China ultrapassou os Estados Unidos como maior consumidor de commodities energéticas do mundo: o país consumiu 2,252 milhões de toneladas de óleo equivalente no ano passado, aproximadamente 4% a mais que os Estados Unidos, que abandonou o posto de maior consumidor após quase um século na liderança.
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Em dois dias de discursos, o presidente do Fed, Ben Bernanke, adotou postura cautelosa e afirmou que a autoridade monetária está preparada para adotar novas medidas que estimulem a atividade no país, caso a retomada venha a ser menos intensa do que previamente suposto, mas não anunciou novas medidas, conforme chegou a ser especulado.
Na Europa, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou os títulos da dívida irlandesa de “Aa1” para “Aa2”, enquanto o FMI suspendeu o auxílio financeiro à Hungria. A Moody’s Investors colocou o rating “Baa1” húngaro em revisão para possível rebaixamento como reflexo do aumento das incertezas relacionadas à situação fiscal e econômica do país.
A Comissão Europeia divulgou o resultado dos testes de estresse realizados com 91 instituições financeiras do continente. De acordo o Comitê de Supervisores Bancários Europeu, ao todo, sete instituições foram reprovadas: o Hypo Real State, na Alemanha; o ATEbank, na Grécia; e cinco pequenas instituições espanholas: Cajasur, Civica, Espiga, Unnim Savings e Diada Savings. No total, o déficit de capital dessas instituições é de € 3,5 bilhões.
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Política Monetária
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu elevar a Selic em 50 pontos-base, para 10,75% ao ano. A decisão foi unânime e sem viés. Embora tivesse sido ventilado por alguns economistas, esse não era o desfecho mais aguardado do encontro, já que tanto a maioria dos analistas consultados pela InfoMoney quanto o relatório Focus, que traz a mediana das estimativas dos agentes de mercado, apontavam manutenção do ritmo das altas iniciado em abril com elevação em 75 pontos-base.
Resultados corporativos
A Natura, Rossi, ALL e NET divulgaram resultados referentes ao segundo trimestre.
Nos EUA, a Xerox, Caterpillar, AT&T, New York Times, 3M, Apple, Coca-Cola, Morgan Stanley e Wells Fargo postaram resultados acima do esperado, enquanto a GM anunciou a aquisição da AmeriCredit. Os balanços de Goldman Sachs e IBM decepcionaram estimativas.
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Cenário corporativo
A Petrobras divulgou queda de 1,39% na produção total de petróleo e LGN (Líquido de Gás Natural) na passagem entre maio e junho. O Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente) concedeu licenças de instalação para o início das obras dos parques eólicos de Mangue Seco. Por fim, a petrolífera ainda comunicou nova descoberta de indícios de petróleo, assim como a OGX.
A Embraer se destacou na semana, com anúncio de encomenda de aviões para a FAB (Força Aérea Brasileira), Trip Linhas Aéreas, Azul Linhas Aéreas e para a britânica Flybe, além de assinou acordo com a Republic Airlines, maior operadora de E-Jets do mundo, e carta de intenções com a Air Lease.
Dando continuidade à disputa pela Vivo, a Telefónica contratou uma segunda empresa de advogados, Dewey & Lebouef, para atuar na dissolução da joint-venture com a Portugal Telecom, Brasicel, por meio da qual as duas detém participação na Vivo. Outros rumores dão conta de que a PT estaria interessada na Oi, e as duas empresas já estariam conversando. Embora ambas as partes tenham negado, a aposta de um acordo ainda é forte no mercado.
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Agenda
Pelo setor imobiliário dos EUA, os preços dos imóveis avançaram 0,5% em junho, acima do esperado, e as vendas de casas usadas, embora abaixo das projeções, vieram acima da medição anterior. O Housing Starts veio inferior ao esperado, enquanto o Building Permits – indicador que mensura o número de autorizações para construção de novas casas nos EUA e serve como sinalizador do nível de atividade econômica do país – mostrou aceleração. Já o Leading Indicators caiu 0,2% em junho, mas veio melhor que as expectativas.
A produção global de aço subiu 18% em junho frente ao mesmo mês do ano passado, atingindo 119 milhões de toneladas métricas (mmt). Para os seis primeiros meses do ano, a alta foi de 27,9% ante o primeiro semestre de 2009.
Por aqui, destaque para a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País, que recuou 0,5 ponto percentual frente a maio e ficou em 7%, o menor nível da série para um mês de junho. Já entre os números da inflação, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) apontou deflação de 0,09% em julho, variação 0,28 ponto percentual inferior à registrada no mês passado.
Por fim, o governo elevou a projeção oficial de crescimento da economia brasileira para 6,5% em 2010, ante 5,5% da previsão anterior. A nova projeção, divulgada pelo ministério do Planejamento, também trouxe uma mudança nas expectativas para a inflação medida pelo IPCA que foi de 5,5% para 5,2% ao ano.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,760, acumulando na semana uma variação negativa de 1,23%.
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,94%, queda de 0,12 pontos percentuais em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 136,05% de seu valor de face, alta de 0,55% na semana. O risco-país fechou cotado a 208 pontos-base, queda de 17 pontos na variação semanal.