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A semana foi de instabilidade nos principais mercados, em meio ao cenário corporativo nos EUA e no Brasil, além de novos desenvolvimentos da crise fiscal europeia.
Assim, o Ibovespa encerrou a semana com alta de 1,31%, aos 64.437 pontos. A alta foi mais amena do que aquela vista pelos principais índices norte-americanos, que ganharam mais de 2,3% no período.
O destaque de alta do índice paulista foi a ação da Cesp, que encerrou a semana com valorização de 9,59% no período, fechando o pregão desta sexta-feira cotada a R$ 25,48. Com alta em todos os pregões desta semana, os papéis encerram este pregão com valorização de 4,51%, acompanhando outros nomes do setor energético. Vale notar que os papéis estão próximos da máxima anual em R$ 26,10, recuperando-se da expressiva baixa de 12% em maio.
Na ponta negativa aparece o setor de telecomunicações, liderado pela Vivo. As ações da operadora de telefonia móvel recuaram 5,20% na semana. O principal driver para o desempenho dos papéis na semana continuou sendo a proposta da Telefónica pela participação da Portugal Telecom na Brasilcel, controladora da Vivo. O jornal espanhol “Cinco Días”, informou nesta semana que a oferta supera os € 6,5 bilhões que circulam no mercado, atingindo cerca de € 7 bilhões por conta de cláusulas opacas e operações financeiras.
Entre as ações mais líquidas do índice, o movimento foi de baixa. As ações ordinárias da Petrobras recuaram 0,87% na semana, enquanto os ativos preferenciais tiveram queda de 0,44%. Já os papéis da Vale caíram 2,47% e 2,38%, na mesma ordem.
O exercício de opções sobre o Índice Bovespa movimentou R$ 3,436 bilhões na quarta-feira, sendo R$ 1,470 bilhão referentes a opções de compra e R$ 1,966 bilhão a opções de venda. Um total de 53.540 contratos foi negociado.
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Noticiário
A Comissão Europeia pediu que Portugal e Espanha detalhem as medidas de cortes de gastos que integrarão os orçamentos dos países em 2010. Enquanto isso, a Espanha completou a venda de quase € 3,5 bilhões de títulos com vencimento em 10 e 30 anos. A despeito de temores de que o país encontrasse dificuldade para realizar tal emissão, a demanda na operação foi quase o dobro da oferta.
Já a França planeja um corte de € 100 bilhões em seu déficit orçamentário até 2013, segundo afirmou o primeiro-ministro francês, François Fillon. O movimento teria como objetivo reduzir o déficit do país para o limite de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) estabelecido pela UE.
Com relação à Grécia, a agência de classificação de risco Moody’s reduziu a nota da dívida soberana do país em quatro pontos, de “A3” para “Ba1”, sendo que agora a nota passa a ser de grau especulativo. A perspectiva é estável, “refletindo a probabilidade substancial de que a nota não vai mudar ao longo dos próximos 12 a 18 meses”, segundo o comunicado oficial.
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O Banco Mundial manteve as previsões de crescimento econômico da China em 9,5% neste ano, porém reduziu as projeções para 2011 de 8,7% para 8,5%. Além disso, a instituição alertou para a necessidade de políticas cambial e monetária mais flexíveis, mostraram dados divulgados nesta sexta-feira.
Nos EUA, a British Petroleum (BP) ficou em foco durante a semana. Além de seu CEO ter feito depoimento ao Congresso norte-americano, a petrolífera aceitou injetar US$ 20 bilhões em um fundo independente, com objetivo de custear os estragos decorrentes do vazamento de petróleo no Golfo do México, ocorrido em 20 de abril deste ano.
Política monetária
Apesar de reconhecer que a recuperação econômica do Japão está ganhando força, o banco central do país optou por manter a taxa básica de juro em 0,1% ao ano e instituiu um programa de estímulo a novos negócios de ¥ 3 trilhões (US$ 33 bilhões).
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Por aqui, a ata do Copom mostrou que autoridade monetária acredita em “continuidade da deterioração da dinâmica inflacionária na margem, embora em um ritmo menor”. Considerando o cenário de mercado traçado pelo Banco Central, o comitê destacou que a projeção da inflação em 2010 elevou-se frente às perspectivas da última reunião e ainda permanece “acima do valor central da meta” do CMN (Conselho Monetário Nacional), de 4,5%.
Projeções para o PIB e Selic elevadas
O Morgan Stanley elevou a previsão para o PIB brasileiro em 2010, de alta de 6,8% para um avanço de 7,9%, incorporando os números do primeiro trimestre. Para 2011, entretanto, a perspectiva foi mantida em expansão de 4%.
O Deutsche Bank também elevou suas projeções para o PIB do Brasil para alta de 7,5% neste ano, ao invés dos 6,7% projetados anteriormente. “Enquanto as economias desenvolvidas lutam contra ameaças deflacionárias, o Brasil, assim como muitos outros emergentes e outros países com a economia baseada em commodities, está indiscutivelmente em superaquecimento”, afirma o banco em relatório.
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Na sexta-feira, o Santander elevou suas projeções para a taxa Selic, depois de uma ata do Copom pessimista em relação à dinâmica inflacionária. “Esperamos duas altas consecutivas de 75 pontos-base em julho e setembro, e outras duas elevações de 50 pontos-base nas reuniões de outubro e dezembro”. Com isso, o banco projeta a taxa Selic em 12,75% ao ano no final de 2010 e 13% ao ano em janeiro de 2011 – que deve vir após uma alta de 25 pontos-base em janeiro.
Cenário corporativo
O grande destaque corporativo da semana ficou com o setor de telecomunicações. Os acionistas minoritários da Brasil Telecom não aprovaram a nova proposta de troca de ações entre Brasil Telecom e Telemar, no âmbito da reorganização societária da empresa. “Tendo em vista a rejeição das novas relações de substituição, as Companhias informam que a simplificação societária, conforme proposta e divulgada em Fato Relevante datado de 25 de abril de 2008, está suspensa por prazo indeterminado”, informou comunicado divulgado pela Telemar Norte Leste.
Ainda no setor, a Telefónica informou que, caso a Portugal Telecom aceite sua oferta pela Vivo, ela pagará um dividendo de nada menos que € 1 por ação aos acionistas da PT. Pelo menos é esta a proposta a ser votada durante a próxima assembleia geral dos portugueses. Com o pagamento do dividendo, a Telefónica deverá distribuir um total adicional de € 1 bilhão. Como efeito de comparação das dimensões do retorno aos acionistas, a oferta total lançada à PT foi de € 6,5 bilhões. A assembleia geral extraordinária da Portugal Telecom, que discutirá a oferta, ocorrerá no próximo dia 30.
A Petrobras também ficou em foco. A estatal encontrou novos indícios de petróleo em terra no campo de Guriri, localizado no Espírito Santo. Além disso, o diretor da agência de classificação de risco Fitch Ratings, José Luis Villanueva, afirmou que os riscos ao rating da petrolífera estão aumentando. A estatal também foi notícia por ter fechado novo contrato com a Lupatech. Desta vez, a empresa desembolsará R$ 123 milhões pela prestação de serviços por um prazo de cinco anos, com possível renovação para outros cinco.
Ainda sobre a estatal, a sexta-feira foi marcada pela reunião do conselho de administração, que decidirá sobre o plano de investimentos da Petrobras até 2014. Ademais, na quinta-feira (17), o consultor de negócios da estatal, Carlos Henrique Dumortout Castro, revelou que a companhia detém planos para acelerar a produção de petróleo e gás na bacia de Campos.
Por fim, o jornal português Diário Económico, revelou que a companhia brasileira e o banco estatal do país Caixa Geral de Depósitos estariam interessados em comprar, em conjunto, a fatia de 33,34% que a italiana Eni possui na companhia portuguesa Galp Energia.
Por sua vez, o Banco do Brasil publicou as alterações realizadas em seu cronograma de oferta de ações primária e secundária divulgado no último dia 25 de maio junto ao prospecto preliminar. A fixação do preço por ação e o início dos negócios serão nos dias 30 de junho e 2 de julho, respectivamente.
O Deutsche Bank elevou a recomendação dos papéis da Gerdau de “manutenção” para “compra”, além de acrescentar US$ 1,00 ao preço-alvo de 12 meses para os ADRs (American Depositary Receipt), que passou a ser de US$ 19,00.
De acordo com os números divulgados pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o total de desembarques de voos nacionais cresceu 20,17% em maio frente ao mesmo período do ano passado. No último mês, foi contabilizado um total de 4,861 milhões de desembarques nacionais.
Agenda
Na Zona do Euro, a produção industrial registrou expansão de 0,8% na passagem de março para abril de 2010, acima das projeções de analistas, enquanto a inflação anual ao consumidor acelerou para 1,6% em maio. Já o nível de emprego se manteve estável na região no primeiro trimestre de 2010.
A confiança do consumidor da Alemanha mostrou forte piora em junho, enquanto no Reino Unido houve queda no desemprego.
Nos EUA, o Leading Indicadots de abril, o número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana, a atividade industrial da Filadélfia e de Nova York de junho, o preço dos importados e o Housing Starts vieram abaixo da expectativa.
Já o déficit em conta corrente do país atingiu US$ 109 bilhões no primeiro trimestre deste ano, ficando menor do que as expectativas de mercado, que giravam em torno de saldo negativo de US$ 124 bilhões, e a produção industrial do país em maio subiu 1,2%, superior às projeções de alta de 0,8% do mercado. As compras de ativos financeiros norte-americanos de longo prazo somaram US$ 83 bilhões em abril, ante US$ 140,5 bilhões no mês anterior.
Pelos dados de inflação, o CPI, que mede a evolução dos preços ao consumidor, registrou variação negativa de 0,2% em maio, ficando abaixo das expectativas; o PPI, índice de preços ao produtor recuou 0,3% durante o mês de maio, enquanto analistas previam queda de 0,5%.
Por aqui, diante de diversos dados da inflação doméstica, destaque para o IGP-10 (Índice Geral de Preços) no período de trinta dias até 10 de junho, que ficou positivo em 1,30% e maior do que a medição de maio.
As vendas do comércio nacional subiram 9,1% em abril, na comparação com o mesmo mês de 2009, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Contudo, as vendas do comércio varejista registraram queda de 3% frente a março.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,772, acumulando desvalorização de 2,42% na semana.
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em alta. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,31%, alta de 0,17 ponto percentual em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,10% de seu valor de face, alta de 0,97% na semana. O risco-país fechou cotado a 222 pontos-base, queda de 17 pontos-base na comparação semanal.