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Entre mais cortes de ratings na Europa, tensão quanto ao plano de resgate grego e a política monetária na pauta dos mercados, as bolsas tiveram uma semana de queda ao redor do mundo. Com os ratings de Portugal e Espanha rebaixados pela S&P, os países se juntam aos temores cada vez maiores com relação à situação fiscal europeia.
Assim, o Ibovespa recuou 2,85% na semana, a 67.529 pontos. No mês de abril, o índice registrou desvalorização de 4,04%, a pior desde janeiro deste ano, quando o benchmark teve queda de 4,64%.
O destaque de alta da semana ficou com as ações preferenciais da Cesp, que avançaram 5,84% no período, cotadas a R$ 25,18. Na última semana a maior alta também foi de um papel tido como defensivo, o da Souza Cruz.
As ações ordinárias da Fibria fecharam a última semana de abril como principal baixa dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando queda de 11,02%, cotadas a R$ 34,49 cada. Embora as perspectivas ao setor de papel e celulose sejam positivas, os papéis da companhia parecem ter refletido a cautela dos analistas em relação ao elevado endividamento da empresa, formada através da fusão de Aracruz e VCP.
Em relação às duas ações mais líquidas do índice, o movimento foi negativo. As ações ordinárias da Vale recuaram 5,85%, enquanto os ativos preferenciais registraram queda de 5,54%. Já os papéis da Petrobras recuaram 3,47% e 3,53%, na mesma ordem.
Política Monetária
O Fomc optou pela manutenção do juro básico norte-americano na faixa entre 0% e 0,25% ao ano pela 12ª vez consecutiva, dentro do esperado. Apesar das expectativas de mudanças no teor do comunicado, o Comitê optou por manter que “as condições econômicas, incluindo baixas taxas de utilização de recursos, tendências inflacionárias sob controle e expectativas de inflação estáveis, provavelmente garantirão níveis excepcionalmente baixos para a Fed Funds Rate por um período extenso”, o que agradou o mercado.
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O Copom optou por elevar a Selic em 75 pontos-base, que passa a ser de 9,50% ao ano. A decisão foi um pouco mais agressiva do que a opinião da maior parte dos analistas, que via como mais provável um aumento de 50 pb, embora também não descartasse um início de ciclo de aperto monetário com uma elevação mais brusca da Selic.
Noticiário
A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou os ratings de Portugal, Grécia e Espanha. Todas as notas possuem projeções negativas.
Com relação ao pacote grego, a semana foi repleta de declarações. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, declarou que confia na finalização de um pacote de ajuda à Grécia nos próximos dias. Conforme o Financial Times, o governo grego já aceitou um suporte financeiro de até € 24 bilhões, assumindo rigorosas medidas de controle fiscal como contrapartida. No entanto, parte dos analistas, de acordo com reportagem do jornal The New York Times, acredita que o resgate precisará totalizar € 120 bilhões para normalizar a situação do país e impedir o contágio.
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Na noite de quinta-feira, agências internacionais informaram, citando fontes, que o Ministério Público de Nova York deve cuidar das investigações em torno da acusação da SEC contra o Goldman Sachs. O mercado passa a temer que este caso possa se estender para outros bancos do país.
Agenda
A primeira prévia do PIB norte-americano referente ao primeiro trimestre de 2010 revelou uma expansão anualizada de 3,2%, frente a projeções de alta de 3,3%.
A atividade industrial de Chicago e a confiança do consumidor norte-americano (tanto o Consumer Confidence como o Michigan Sentiment), vieram acima do esperado no mês de abril. O custo da mão de obra no país veio acima das expectativas no primeiro trimestre, atingindo 0,6%, ante projeções de 0,5% – o indicador é muito utilizado como medida de inflação.
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Já os preços dos imóveis norte-americanos subiram 0,64% em fevereiro frente a igual período de 2009, avanço menor do que as expectativas de mercado, e acima da queda revisada de 0,73%, auferida em janeiro.
O governo central brasileiro apresentou um déficit primário de R$ 216 milhões durante o mês de março, segundo dados da Nota de Política Fiscal, do Banco Central. O número mostra um forte recuo em comparação com fevereiro, quando o saldo foi positivo em R$ 859 milhões.
Já a Nota de Política Monetária do BC mostrou que o volume total de crédito do sistema financeiro nacional alcançou R$ 1,451 trilhão em março deste ano, o que representa um crescimento de 1,1% em relação ao apurado em fevereiro e um avanço de 16,8% em 12 meses. No mês, a participação do volume de crédito sobre o PIB passou de 41% em março de 2009 para 45% no mesmo período de 2010.
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Pelos dados da indústria, a produção nacional avançou para 62,9 pontos durante o mês de março, crescimento de 12,1 pontos no mês anterior, segundo pesquisa da Sondagem Industrial divulgada pela CNI. A Fiesp divulgou que o nível de atividade da indústria paulista (INA) subiu 2,8% na passagem entre fevereiro e março, e 20,7% frente a março de 2009.
A Sondagem do Consumidor medida pela FGV mostrou que os consumidores brasileiros de renda mais elevada foram os que apontaram o maior aumento na confiança no mês de abril, em relação a março. Segundo dados do ICC, no quarto mês do ano, os consumidores com renda acima de R$ 9.601 registraram alta de de 5,4% na confiança.
Com relação ao mercado de trabalho, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País em março atingiu o menor índice registrado para o mês desde 2002, 7,6%, mantevendo-se estável em relação a fevereiro (7,4%) e caindo 1,4 ponto percentual em relação a março de 2009 (9,0%), segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.
Entre os dados da inflação, o IGP-M apontou inflação de 0,77% em abril, após registrar variação de 0,94% no mês anterior, acima do esperado pelo mercado. O IPC-Fipe marcou inflação de 0,34% na terceira quadrissemana de abril, 0,11 ponto percentual superior à vista na medição anterior.
Resultados corporativos
O Bradesco obteve lucro líquido de R$ 2,1 bilhões nos três primeiros meses do ano, 22,1% maior que o contabilizado no mesmo período de 2009, e o maior número já registrado entre os bancos privados brasileiros.
A NET Serviços reportou lucro líquido de R$ 46 milhões nos três primeiros meses deste ano, resultado abaixo dos R$ 120 milhões obtidos no mesmo período de 2009. De acordo com a companhia, o desempenho inferior ao reportado durante janeiro a março do último ano deve-se “aos impactos da variação cambial, mais despesas com juros e maior depreciação”.
A Lojas Renner mostou lucro líquido de R$ 36,9 milhões no primeiro trimestre deste ano, o que equivale a uma alta de 239,8% frente aos ganhos vistos no mesmo período do ano passado, de R$ 10,9 milhões.
A Natura reportou receita líquida 21,7% maior na base anual, alcançando a marca de R$ 1,01 bilhão. Por sua vez, o lucro líquido da companhia subiu 2% nos três primeiros meses de 2010 em comparação com igual período do ano passado, indo de R$ 138,7 milhões para R$ 141,6 milhões.
O banco Santander Brasil registrou lucro de R$ 1,76 bilhão, alta de 111,9% na comparação com os três primeiros meses de 2009.
Por fim, a Redecard lucrou R$ 352,6 milhões no 1º trimestre, 11,2% a mais que em 2009.
Cenário corporativo
A Petrobras fez nova descoberta de indícios de gás e petróleo no Rio Grande do Norte, conforme informações divulgadas pela ANP. A estatal e a Tereos Participações anunciam uma parceria estratégica para investirem conjuntamente na Açúcar Guarani, subsidiária do Grupo Tereos, com o objetivo de acelerar seu crescimento na indústria brasileira de etanol, açúcar e bioenergia.
O Bradesco e o Banco do Brasil firmaram acordo para o estudo da criação de uma holding, responsável pela administração de parte de suas operações de cartões e de uma bandeira brasileira de cartões de crédito, débito e pré-pagos. Os bancos assinaram memorando de entendimentos para a transferência de suas participações acionárias na CBSS (Companhia Brasileira de Soluções e Serviços) a “uma nova sociedade a ser criada” e estudam a possibilidade de transferir também as participações na Cielo. Se a operação for concluída, Bradesco e BB pretendem criar uma holding que integrará esses negócios.
O Santander vendeu suas participações restantes na CBSS (Companhia Brasileira de Soluções e Serviços) e na Cielo para o Banco do Brasil e para o Bradesco. A venda da parcela de 15,33% detida na CBSS resultou em ganhos de R$ 200 milhões, enquanto que a parte da Cielo – próxima a 7,2% – foi comercializada por R$ 1,46 bilhão.
Fora do índice, a Telebrás continuou no foco do noticiário. O BNDES afirmou que poderá conceder R$ 5 bilhões em financiamento à empresa que gerir o Plano Nacional de Banda Larga, sendo que a Telebrás é a mais cotada para o posto. Já o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, disse que o governo federal espera investir cerca de R$ 3,5 bilhões. Entretanto, nem tudo foram boas notícias. A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados deu início na tarde de quarta-feira a audiência pública que debaterá o vazamento de informações sobre a possível reativação da Telebrás.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,738, depreciada em 1,47% na base semanal. Com isso, ela fechou abril com desvalorização de 2,41%, alcançando seu terceiro mês consecutivo em declínio.
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em alta. O contrato com vencimento em junho de 2010, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 9,37%, alta de 0,2 pontos percentuais em relação a semana anterior.
O Global 40, bônus mais líquido entre os títulos da dívida externa brasileira, era cotado a 133,55% de seu valor de face, queda de 0,59% na semana. Já o risco-país era cotado a 188 pontos-base, alta de 12 pontos na variação semanal.