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Os mercados acionários iniciaram o mês de março com uma semana de ganhos, ancorados em melhores projeções para a posição fiscal grega, além de indicadores positivos nos EUA, com destaque para o mercado de trabalho, que começa a mostrar mais sinais de melhora consistente.
Assim, o Ibovespa mostrou valorização de 3,52% na semana, a 68.846 pontos.
O destaque de alta da semana ficou com as ações da Fibria, que no período anterior havia amargado a ponta negativa do índice. As ações da empresa subiram 10,23%, cotadas a R$ 36,32. O CFO da empresa afirmou em teleconferência no início da semana que está “otimista com o nível baixo dos estoques internacionais e aumento da demanda chinesa”. O terremoto no Chile e o anúncio de alta no preço da celulose ofertada pela empresa impulsionaram as cotações.
Já na ponta negativa, os ativos da TAM tiveram queda de 5,49%, cotados a R$ 31,65, liderando as perdas do Ibovespa. Contribuiu a decisão da Corte Especial do STJ que permitiu que a ANAC distribua os 61 slots que a Pantanal – controlada pela TAM – operava no Aeroporto de Congonhas.
Em relação às ações mais líquidas do índice, a semana também foi de ganhos, com os papéis ordinários da Petrobras subindo 3,33% e os ativos preferenciais mostrando alta de 3,47%, enquanto os papéis da Vale registraram valorização de 7,63% e 6,52%, nesta ordem.
Noticiário
O Livro Bege do Federal Reserve revelou que desde sua última divulgação as condições da economia norte-americana seguem se recuperando de forma modesta. Nove das doze regiões avaliadas mostraram melhoras na atividade nos últimos meses – uma piora frente aos dez distritos que reportaram melhoras na leitura feita em janeiro. O consumo ofereceu sinais positivos no último mês, enquanto o mercado de trabalho se manteve, de maneira geral, fragilizado, apesar de alguns distritos terem apresentado uma leve alta no número de contratações ou uma diminuição no ritmo de demissões.
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A Grécia viu seu primeiro-ministro, George Papandreou, anunciar medidas mais austeras na reforma fiscal no país, prevendo uma redução de gastos e aumento da carga tributária, que juntos deverão resultar numa economia de € 4,8 bilhões. O presidente do Eurogrupo – que reúne os ministros de Finanças dos países da Zona do Euro – disse que a Grécia não será “deixada sozinha” e que “os compromissos assumidos pelo governo grego estão claramente pavimentando o caminho na direção de uma saída da crise de dívida e déficit”. Mas nesta sexta-feira a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que o país não pediu ajuda para resolver seus problemas financeiros, o que foi confirmado por Papandreou.
No âmbito da política monetária, o BCE manteve a taxa básica de juro da Zona do Euro no menor nível histórico, a 1% ao ano. O PIB da Zona do Euro avançou 0,1% no quarto trimestre ante 0,4% no terceiro trimestre. Considerando o ano de 2009 como um todo, o PIB reduziu-se em 4,1% na região.
Cenário corporativo
O Cade aprovou um acordo com a Votorantim e a Camargo Corrêa restringindo alguns pontos na compra da participações da Cimpor.
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A Vale teve o preço-alvo de seus ADRs elevado de US$ 34,50 para US$ 36 pelo Morgan Stanley, e também esteve no noticiário por conta das negociações dos contratos de minério de ferro com as siderúrgicas japonesas. Ainda no setor de mineração, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que o novo marco regulatório deve ser enviado à presidência em até 15 dias, para posterior apreciação por parte do Congresso.
A Petrobras também se destacou na semana, após ter seu projeto de capitalização aprovado pela Câmara dos Deputados. O texto aprovado prevê venda à estatal, por parte da União, de direitos de exploração de 5 bilhões de barris de petróleo e gás natural em áreas ainda não concedidas da região, mas sem necessidades de licitação. O texto ainda precisa ser aprovado no Senado.
A OGX Petróleo comunicou a conclusão das perfurações do poço 1-MRK-2B-SPS, localizado no bloco BM-S-29 da Bacia de Campos, notícia esta bem recebida pelo mercado.
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Resultados corporativos
Pela temporada de resultados, o Pão de Açúcar fechou 2009 com crescimento de 129,4% no lucro líquido, chegando a R$ 597,5 milhões. Também foi anunciando que ao final do mês o atual presidente, Cláudio Galleazi, deixará o comando da companhia, sendo ocupado a partir de abril por Enéas César Pestana Neto, notícia esta mal recebida.
A Brasil Foods apresentou lucro líquido de R$ 228 milhões em 2009, recuperando-se das perdas de R$ 2,4 bilhões postadas um ano antes.
A AmBev somou lucro líquido de R$ 1,79 bilhão no quarto trimestre do ano passado, o que representa um avanço de 5,3% em relação os ganhos vistos no mesmo período do ano de 2008. Já a margem Ebitda mostrou ligeira queda de 2 pontos percentual, para 44,6%. As ações da cervejeira recuaram.
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A CPFL Energia somou um lucro líquido de R$ 425 milhões, 25,1% maior que o obtido em período similar de 2008. As ações da companhia de energia registraram alta de 1%.
A Braskem reportou prejuízo líquido de R$ 893 milhões nos últimos três meses do ano passado. O número foi bem melhor do que aquele reportado no mesmo período do ano anterior, quando as perdas alcançaram R$ 2,138 bilhões. No acumulado do ano, o lucro foi de R$ 917 milhões, ante prejuízo de R$ 2,457 bilhões em 2008. A petroquímica ainda informou que pretende realizar uma captação de R$ 4,5 bilhões no mercado.
Agenda
Na China, o Purchasing Managers’ Index caiu para 52 pontos em fevereiro – mínima de um ano –, abaixo dos 55,8 pontos vistos em janeiro. Já na Zona do Euro, o mesmo indicador avançou 1,8 ponto para 54,2 pontos – maior patamar em 30 meses.
No Japão, a taxa de desemprego encerrou janeiro em 4,9% – a mínima dos últimos 10 meses -, além de também ter visto um crescimento de 540 mil postos de trabalho – maior alta em mais de 30 anos.
A taxa de desemprego dos EUA ficou estável em 9,7% em fevereiro, mês em que o país perdeu 36 mil postos de trabalho. O número ainda é preocupante, mas veio bem abaixo das expectativas do mercado, que giravam em torno de um corte de 68 mil vagas.
O Consumer Credit surpreendeu e avançou US$ 5 bilhões no montante de crédito concedido ao consumidor norte-americano em janeiro em relação a dezembro, marcando a primeira alta após 11 meses de queda do indicador.
O núcleo do Personal Consumption Expenditures ficou estável em janeiro, o gasto e renda dos norte-americanos mostraram expansão. Destaque ainda para o índice que mede o desempenho do setor de serviços nos EUA e que registrou 53 pontos em fevereiro, maior expansão mensal desde outubro de 2007.
O setor imobiliário também trouxe dados decepcionantes, com o número de contratos de compra e venda de casas usadas registrando queda de 7,6% em janeiro. Em linha com as estimativas, veio o Construction Spending de janeiro, assim como o volume de encomendas feitas à indústria (que subiu 1,7%).
Na agenda interna, destaque para indicadores da inflação: o IPCA registrou alta de 0,78% em fevereiro, praticamente estável frente a janeiro e levemente acima do previsto pelo mercado no último relatório Focus.
A balança comercial terminou fevereiro com saldo positivo de US$ 394 milhões, acumulando ao longo de 2010 um superávit de US$ 228 milhões.
Entre os dados da indústria, a CNI divulgou a Sondagem Industrial realizada entre os dias 1º e 24 de fevereiro, que marcou 49,2 pontos no mês, próximo da linha divisória de 50 pontos, “o que denota estabilidade em relação ao mês anterior”. Houve ainda avanço de 1,1% na produção industrial de janeiro, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Câmbio e renda fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,786. Com isso, a moeda acumulou na primeira semana de março uma desvalorização de 1,27%.
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,41%, baixa de 0,07 ponto percentual em relação à última semana.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 136,20% de seu valor de face, queda de 0,07% na variação semanal.
O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, era cotado a 188 pontos-base, recuo de 25 pontos em relação à última semana.