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Os mercados acionários tiveram mais uma semana de ganhos, com indicadores positivos, melhora no noticiário acerca da Grécia e boas notícias vindas da China. Por aqui, os resultados corporativos deram o tom da semana, enquanto as blue chips dominaram o noticiário.
Assim, o Ibovespa encerrou a semana com valorização de 0,72%, a 69.341 pontos. A bolsa brasileira chegou a negociar acima dos 70 mil pontos, mas não sustentou o patamar. O saldo de capital externo no acumulado do ano apresenta déficit de R$ 2,285, contando os números até o pregão da última sexta-feira (5).
O destaque de alta do índice ficou com a CSN, cujas ações se valorizaram 9,43% na semana, cotadas a R$ 68,15. A siderúrgica anunciou que começará no dia 2 de abril um processo de contratação de um coordenador para a abertura de capital da Casa de Pedra, uma de suas unidades no setor de mineração. O presidente-executivo e do Conselho da CSN, Benjamin Steinbruch, disse que a companhia pode criar uma holding para controlar as unidades de negócio e “ajudar investidores a perceber o valor real das nossas operações”. A percepção é que as atividades do grupo valem mais individualmente do que reunidas sob um mesmo teto.
Na ponta negativa, os papéis da JBS Friboi registraram perdas de 7,59% no período, fechando cotados a R$ 8,77. A maior fabricante de carne do mundo reportou lucro líquido de R$ 127,9 milhões no quarto trimestre de 2009, revertendo um prejuízo de R$ 53,2 milhões no mesmo período de 2008. Além disso, a empresa entrou com pedido de análise de oferta pública primária de ações junto à Anbima, e pretende distribuir ações ordinárias em uma operação voltada para investidores brasileiros, contando também com esforços de colocação de papéis no exterior.
Em relação às ações mais líquidas do índice, o movimento foi divergente: enquanto os papéis da Petrobras avançaram, com alta de 3,75% nas ações ordinárias e de 3,49% nos ativos preferenciais, a Vale teve uma semana de perdas. Seus papéis acumularam perdas de 3,13% – a segunda maior desvalorização do Ibovespa – e 1,99%, na mesma ordem.
Agenda
Nos EUA, o orçamento do tesouro veio em linha com as estimativas, mas o déficit de US$ 220,0 bilhões em fevereiro é maior do que o registrado no mês anterior e no mesmo período do ano passado. Pela balança comercial, o déficit atingiu US$ 37,3 bilhões em janeiro, número melhor que o esperado e que o reportado em dezembro. As vendas no varejo subiram 0,3% em fevereiro, superando as expectativas dos analistas.
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O Wholesale Inventories, que mede o nível dos estoques no atacado dos EUA, surpreendeu negativamente o mercado ao se contrair 0,2% em janeiro, enquanto o índice de confiança do consumidor decepcionou ao apontar 72,5 pontos.
Na China, a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor na base anual em fevereiro foi a maior dos últimos 16 meses. As exportações do gigante asiático cresceram 45,7% em fevereiro na comparação anual, o maior salto desde fevereiro de 2007.
No front doméstico, o destaque ficou com os números do PIB brasileiro, que no 4º trimestre de 2009 avançou 2% frente aos três meses anteriores e 4,3% frente ao mesmo período de 2008. No resultado anual, o país recuou 0,2% em relação a 2008. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, elevou a projeção de crescimento para a economia em 2010 de 5,2% para 5,7%.
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Entre os indicadores de inflação, o IGP-M do primeiro decêndio de março apontou inflação de 0,95%, e tanto o IGP-DI de fevereiro quanto o IPC-S de 7 de março marcaram altas acima do esperado.
Noticiário
Com relação a Grécia, a semana foi de boas notícias, com especulações de que a União Europeia pode conceder ao país € 55 bilhões de resgate. Os ministros das Finanças da UE irão encontrar-se na próxima semana para discutir se o resgate será financiado pela emissão de bônus da UE garantidos por países da Zona do Euro.
Resultados corporativos
A ALL anunciou um prejuízo de R$ 63,7 milhões no quarto trimestre de 2009, praticamente dobrando as perdas amargadas no mesmo período de 2008.
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Entre as empresas do grupo EBX, a LLX Logística encerrou o ano passado com R$ 481,9 milhões em caixa e equivalentes de caixa, aumento de 92% em relação a 2008. A MPX Energia reportou nos últimos três meses de 2009 um lucro 87,67% inferior ao resultado líquido do mesmo período de 2008. Já a OGX Petróleo registrou lucro líquido de R$ 10,8 milhões no acumulado do ano passado, bem abaixo do montante visto em 2008 (R$ 359,8 milhões). A empresa ainda anunciou a descoberta de novos indícios de petróleo na Bacia de Campos.
A Lojas Americanas registrou um aumento de 69,8% em seu lucro líquido durante 2009, somando R$ 152 milhões frente aos R$ 89,5 milhões conquistados em 2008. A B2W também trouxe dados positivos no período, com avanço de 386% no lucro em relação ao mesmo período do ano anterior, indo para R$ 14,14 milhões. Contudo, no acumulado do ano, houve queda de 23%.
A GOL encerrou 2009 com ganhos líquidos de R$ 890 milhões, conquistados com um lucro líquido de R$ 397,8 milhões somente no quarto trimestre.
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Por fim, a Transmissão Paulista teve ao longo de 2009 um lucro líquido de R$ 828 milhões, praticamente estável em relação a 2008. Já a Eletropaulo encerrou 2009 com lucro de R$ 1,06 bilhão, alta de apenas 3,5% em relação ao ano anterior.
Cenário corporativo
O noticiário esteve cheio para as blue chips. A Petrobras ficou em pauta após a aprovação pela Câmara de emenda para alterar a distribuição dos royalties e participações especiais do petróleo, que deverão ser divididos igualmente entre todos os estados e municípios com base nos respectivos fundos de participação – modelo que prejudicaria os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A estatal comunicou à ANP duas novas descobertas de petróleo: uma na Bacia de Santos e outra no Espírito Santo. Além disso, o plano de investimento para 2010 animou os investidores, com a petrolífera afirmando que pretende investir mais de R$ 79 bilhões neste ano, sendo R$ 35,69 bilhões em exploração e produção, enquanto que outros R$ 30,75 bilhões serão injetados na área de abastecimento e petroquímica.
Com relação a Vale, o preço do minério de ferro deu o tom do noticiário. Segundo a agência de notícias Dow Jones, a empresa, juntamente com a BHP Billiton e a Rio Tinto, teria suspendido as negociações com as siderúrgicas chinesas para o reajuste dos contratos benchmark do produto neste ano. A Vale propôs aumento de 90% em relação ao último acerto, o qual foi rejeitado pelas siderúrgicas chinesas. Em contrapartida, as siderúrgicas teriam oferecido um reajuste muito baixo. Ainda com relação a mineradora, foi anunciado que a empresa pretende emitir Eurobônus denominados em euros no mercado de capitais global, para “propósitos corporativos em geral”.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou que o governo brasileiro irá criar um novo marco regulatório ao setor de mineração, com proposta na avaliação da Presidência. Entre outras coisas, as novas regras ao setor de mineração preveem o fim do atual DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) para a criação de uma Agência Nacional de Mineração, como já existe no setor de petróleo e gás. Uma vez estabelecida, esta ANM será responsável por elaborar políticas ao segmento de mineração.
Pelo setor de aviação, a ANAC anunciou a nova distribuição dos slots de Congonhas, que passam a valer a partir de abril. Haverá três novas empresas – NHT, Webjet e Azul – operando no aeroporto, enquanto TAM e GOL terão aumento de cerca de 4% no número de slots.
Fora do índice, a Telebrás teve uma semana negativa. A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara aprovou um requerimento convidando a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, a prestarem explicações sobre a possível reativação da Telebrás para ser a operadora do Plano Nacional de Banda Larga e sobre a valorização excessiva das ações da estatal na bolsa brasileira. Além disso, o noticiário indica que o Plano Nacional de Banda Larga só deve sair do papel em 2011.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,764 na venda. Com essa nova desvalorização – a quarta consecutiva -, a moeda atingiu uma nova mínima, sendo agora o menor patamar desde o último dia 13 de janeiro. Terminando quatro das cinco sessões dessa semana no vermelho, a divisa norte-americana acumulou nesse período uma variação negativa de 1,23%, acentuando o declínio totalizado em março, que chega agora a 2,49%. A trajetória em 2010, no entanto, continua positiva, tendo a moeda avançado 1,31% desde o começo do ano.
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram sem tendência na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em abril de 2010, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 8,81%, estável em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 136,00% de seu valor de face, queda de 0,01% na semana.
O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 186 pontos-base, baixa de 2 pontos na variação semanal.