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O mercado seguiu em dinâmica de aversão ao risco, dominado pelas incertezas sobre o quadro fiscal norte-americano e a crise na zona do euro, o que levou o Ibovespa para segunda semana consecutiva de perdas, de 3,41% aos 55.402 pontos – menor patamar desde 26 de julho, quando fechou em 54.002 pontos.
As perdas do índice foram intensificadas nesta sexta-feira com a queda da Petrobras (PETR3, 3,82%, R$ 19,62; PETR4, 3,89%, R$ 19,03) e Vale (VALE3, 3,03%, R$ 35,48; VALE5, 2,75%, R$ 34,65), cujas ações têm as maiores fatias na carteira teórica do Ibovespa. Na semana, os papéis ordinários e preferenciais da petrólifera e mineradora também registraram um desempenho negativo de 8,49%, 8,42%, 4,88% e 4,62%, respectivamente.
As elétricas novamente foram penalizado no acumulado semana, com o índice que engloba as ações do setor IEE, registrando queda de 2,46%. Na ponta negativa do Ibovespa figuraram os papéis preferenciais da Eletrobras, com desvalorização de 15,70% aos R$ 11,60, enquanto os ordinárias recuaram 8,05% aos R$ 9,25.
O pacote de energia recém-anunciado pelo governo levará a empresa a perdas bilionárias e, no lugar dos planos de expansão, a Eletrobras prepara medidas para cortar fortemente os custos. Por conta da redução da tarifa de energia relativa às concessões renovadas antecipadamente, a Eletrobras vai perder R$ 20 bilhões entre 2013 e 2017, segundo cálculo do Instituto Acende Brasil.
Incertezas sobre próximos passos dos EUA
A eleição nos Estados Unidos acabou, o democrata Barack Obama foi reeleito e, agora, fica no ar a preocupação dos investidores com o abismo fiscal. Em encontro com o presidente dos EUA, realizado nesta sexta-feira, líderes democratas e republicanos disseram que a reunião foi construtiva e estão destinados a evitar o “fiscal cliff”, que seria a entrada automática de cortes de despesas públicas, subsídios e incentivos fiscais, conjugados com aumento de impostos, num total aproximado de US$ 600 bilhões em 2013.
A expectativa é que o abismo seja evitado até o Natal, na avaliação de Nanci Pelosi, líder democrata na Casa dos Representantes. Os lideres republicanos no Congresso destacaram que cederam por medidas para aumentar receitas através de impostos. “Para mostrar seriedade, colocamos receitas em discussão, mas somente se isso for acompanhada de serias medidas de corte de custos”, afirmou John Boehner, porta-voz da Casa dos Represantes.
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A partir de janeiro, os EUA poderão escolher entre dois caminhos: ou Obama negocia com o Congresso um novo teto para a dívida – de US$ 16,4 trilhões – (nesse caso a decisão deve ser tomada em tempo recorde, já que o prazo acaba dia 31 de dezembro) ou entram em vigor os cortes automáticos de custos e aumento de impostos.
Situação complicada na zona do euro
A zona do euro entrou oficialmente em recessão. O PIB (Produto Interno Bruto) caiu pelo segundo trimestre seguido. A Alemanha e França cresceram ligeiramente nesse último trimestre – 0,2%. Contudo, como um todo, os países do bloco do euro ficaram no vermelho, menos de 0,1%.
Durante encontro entre o primeiro-ministro da França, Jean Marc Ayrault, e a líder alemã, Angela Merkel, os dois principais países da zona do euro se mostraram firmes em manter a mesma política com a Grécia. Algo que para os gregos está se tornando cada vez mais difícil de suportar.
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Sem desbloqueio do orçamento, Grécia teme por dias piores
O governo grego, contudo, pagará € 5 bilhões de títulos da dívida a curto prazo, graças à emissão realizada esta semana em consequência do atraso da transferência de recursos da União Europeia e do FMI (Fundo Monetário Internacional), informou a agência de gestão de dívida pública.
Antes da emissão, a Grécia havia advertido o mercado para a possibilidade de um calote caso a UE e o FMI não transferissem novas parcelas do empréstimo para garantir o reembolso.
Desde 2009, o declínio econômico do país – o qual o primeiro-ministro Antonio Samaras chamou de “Grande Depressão” da Grécia – cortou um quinto da produção econômica e deixou um em cada quatro gregos desempregados.
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Em seu plano fiscal de médio prazo, o governo espera que a economia encolha 6,5% em 2012 e 4,5% no ano que vem. O governo prevê que uma pequena recuperação comece no fim de 2013 e crescimento de 0,2% em 2014.
Novo líder da China assume com desafio de combater corrupção
Ainda nesta semana, o partido comunista da China confirmou a escolha dos líderes do país para os próximos dez anos, e o novo presidente apontou a corrupção como o principal problema.
Se seguir crescendo no ritmo atual, a China poderá passar os Estados Unidos e se tornar a maior economia do mundo sob o comando de Xi Jinping. Mas ele terá muitos desafios pela frente: a crescente diferença entre ricos e pobres, as pressões por liberdade e democracia e a corrupção.
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Temporada de balanços corporativos no Brasil
Por aqui, o grande destaque foi o desfecho da temporada de balanços corporativos. Entre os principais resultados da semana, a B2W Varejo mostrou um aumento de 18% do prejuízo para R$ 47,9 milhões, ante déficit de R$ 40,6 milhões no mesmo período do ano passado, contudo, o resultado foi visto como positivo pelo mercado e levou ao aumento de recomendação das ações pelo Bank of America Merrill Lynch.
Em reflexo, os papéis figuraram como a maior alta do Ibovespa no acumulado semanal, com ganhos de 15,12% aos R$ 11,80. Já a sua controladora Lojas Americanas viu seu lucro líquido expandir 60% no período, mas os papéis registraram ganhos mais amenos na semana de 4,41% aos R$ 18,24.
No setor de aviação, a GOL viu seu prejuízo cair 40% no terceiro trimestre para R$ 309,4 milhões, após uma forte redução nas perdas com variações cambiais, enquanto entre os frigoríficos a JBS reverteu prejuízo em lucro de R$ 495,4 milhões entre os meses de julho e setembro.
Agenda da próxima semana
Já na próxima semana, a agenda deverá perder um pouco de fôlego com feriado no Brasil na terça-feira do dia da Consciência Negra e o dia de Ação de Graças nos EUA, na quinta-feira, que manterá o mercado de lá fechado, e o Black Friday na sexta-feira, quando as bolsas norte-americanas fecharam três horas mais cedo, às 16h (horário de Brasília).
Entre as principais referências, destaque para o discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, na próxima terça-feira, e o encontro dos líderes da União Europeia sobre o orçamento dos próximos sete anos.
Ainda na zona do euro será realizada a reunião do conselho do BCE (Banco Central Europeu), na próxima quarta-feira (21), mesmo data em que serão reportados os dados preliminares da indústria do bloco econômico e Alemanha. No dia seguinte, será a vez da maior potência da Europa divulgar a revisão do PIB (Produto Interno Bruto) referente ao terceiro trimestre.