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Em mais uma semana encurtada, não havendo negociação na bolsa nacional na última terça-feira devido ao feriado da Consciência Negra, o Ibovespa registrou alta de 3,91%, aos 57.574 pontos. Esta foi a melhor semana desde os pregões dos dias 10 a 14 de setembro, interrompendo também uma sequência de duas quedas semanais do índice.
As sessões do período tiveram uma liquidez abaixo da média, tanto por conta do feriado brasileiro quanto do norte-americano. Na quinta-feira, os EUA tiveram o feriado de Ação de Graças; já na sexta, os mercados acionários do país ficaram abertos em horário reduzido, o que também afetou o volume de negociações no mercado brasileiro.
Entre os vetores positivos para a bolsa brasileira, esteve o avanço das negociações com a Grécia para a resolução da crise da dívida na zona do euro. Por outro lado, o governo brasileiro também se destacou, uma vez que as medidas realizadas para redução das tarifas de energia afetaram mais uma vez as companhias do setor.
Eletrobras despenca 30%
A que mais sofreu foi a Eletrobras, que concordou com os valores a serem pagos pela União para a indenização de ativos, que foi considerado bastante abaixo do esperado. O cenário para a companhia diante das regras impostas pela MP 579 prevê perda de mais de R$ 18 bilhões em ativos não amortizados e perdas de R$ 8 bilhões em receitas anuais.
Com isso, os ativos da companhia registraram queda semanal de 28,32% de suas ações ordinárias e de impressionantes 33,62% para as preferenciais classe B – registrando a maior queda do período, apesar de esboçar uma recuperação no último pregão do período.
Em meio ao cenário ruim, o Barclays reduziu a classificação da estatal para venda e cortou a estimativa de preço dos papéis para R$ 1. Além disso, o diretor de RI, Armando Casado de Araújo, admitiu durante teleconferência um Ebtida próximo de zero para a Eletrobras em 2013.
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Petrobras perde posto de mais valiosa
O conflito do governo brasileiro com empresas estatais não se deu apenas no caso das elétricas. Durante a semana, entrou mais uma vez em pauta o reajuste de combustíveis, uma demanda bastante forte da Petrobras. De acordo com matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo na última quarta-feira, a Petrobras almejaria uma alta de até 15% no preço em 2013, já que estaria sendo bastante prejudicada pelos baixos preços na venda de combustível.
De acordo com o jornal, executivos da Petrobras admitiram a necessidade de aumento para a gasolina e o diesel no próximo ano, sendo que alta pode ocorrer de uma só vez, ou ser dividida em dois acréscimos, de 5% e 6%, em fevereiro e agosto. Entretanto, os rumores de que a petrolífera estaria pressionando o governo para um reajuste foram negadas pelo ministro da fazenda, Guido Mantega, que também é presidente do Conselho de Administração da companhia.
Vale ressaltar que a companhia deixou de ser a companhia com maior valor de mercado da América Latina, sendo ultrapassada pela colombiana Ecopetrol, de acordo com levantamento realizado pela Economática. No pregão de quarta-feira, a petrolífera brasileira já havia perdido o posto de empresa mais valiosa do Brasil para a Ambev, posto recuperado na sessão seguinte.
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Ainda sobre o Brasil, a agência de classificação Moody’s confirmou o rating do País em Baa2, mantendo a perspectiva positiva para a nota, apesar de ter indicado que haverá uma elevação apenas quando o Brasil tiver um crescimento econômico menos volátil e mais robusto.
Cenário internacional misto
Se no cenário brasileiro o noticiário não foi muito positivo, a zona do euro foi a grande catalisadora para os ganhos da bolsa, com o avanço das negociações para a resolução da crise da dívida grega. Dentre as informações que foram positivas para o mercado, o FMI afirmou que relaxou sua meta de redução da dívida para a Grécia. Com isso, há apenas uma diferença de € 10 bilhões a ser preenchida para que uma importante parcela de ajuda seja paga, segundo afirmou o ministro das Finanças grego, Yannis Stournaras.
Vale ressaltar que, na quarta-feira, após 12 horas de reunião entre os ministros de finanças da zona do euro, com a participação da diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, e do presidente do BCE, Mario Draghi, mas sem chegar a um acordo, um novo encontro foi agendado para a próxima segunda-feira, 26. Contudo, dentre as boas notícias, esteve o acordo entre a zona do euro e o FMI para um programa de recompra da dívida grega.
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Por fim, a agência de notação financeira Standard & Poor’s reafirmou o rating soberano de longo prazo da França em “AA+”, com perspectiva negativa. Isso, de acordo com a S&P, significa que há pelo menos uma chance em três de a nota ser reduzida em 2013.
Enquanto isso, nos EUA, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou que a autoridade monetária não pode compensar o dano potencial do “abismo fiscal”, decepcionando os investidores e contribuindo para um pregão quase estável nos mercados lá fora.
Entre os indicadores de lá, o Initial Claims veio melhor do que o esperado pelos analistas. Já a confiança do consumidor no país, apesar de uma leve alta, ficou abaixo do esperado no mês de novembro, passando para 82,7 pontos ante expectativa de 84 pontos. O Leading Indicators, com a compilação dos mais importantes indicadores do país, ficou em linha com o esperado ao apresentar alta de 0,2% em outubro.
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Já na China, os dados preliminares publicados pelo HSBC apontaram que a atividade industrial da China expandiu em novembro pela primeira vez em mais de um ano. O índice que mede o desempenho do setor ficou em 50,4 este mês, contra 49,5 em outubro. Qualquer leitura acima de 50 expressa crescimento.
Cenário corporativo
Além dos conflitos do governo com a Eletrobras e Petrobras, outros acontecimentos movimentaram o cenário corporativo nacional. Em meio ao anúncio de recompra de ações e substituição do diretor-presidente, os papéis da Suzano tiveram forte alta na semana.
Já no setor aéreo, a Gol informou o início do processo de encerramento das atividades de sua controlada Webjet, que terá a marca descontinuada. De acordo com a companhia, a primeira medida é a extinção das operações de voo, desligando assim aproximadamente 850 colaboradores entre tripulação técnica, tripulação comercial e manutenção de aeronaves.
Agenda da próxima semana
Após uma semana menos movimentada devido aos feriados no Brasil e nos EUA, a agenda para a última semana de novembro está bastante agitada. No cenário doméstico, o destaque fica para a divulgação das contas nacionais trimestrais, onde o IBGE divulga o resultado do PIB nacional referente ao terceiro trimestre.
Além disso, na terça e na quarta-feira, ocorre a última reunião do Copom deste ano. Ainda teremos as notas de Política Fiscal e de Política Monetária apresentadas pelo Banco Central, enquanto a FGV divulga o IGP-M de novembro.
Nos EUA, as atenções na semana ficam voltadas para a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve. Além disso, o Departamento de Comércio do país apresenta a segunda prévia para o GDP norte-americano.
Ainda por lá, teremos os indicadores de confiança do consumidor referente ao mês de novembro, além dos índices de gastos dos consumidores e da renda individual dos cidadãos de outubro.