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O Ibovespa terminou a semana registrando alta – assim como havia sido na 1ª sessão. Entretanto, engana-se o investidor que acredita que acredita que esse tenha sido um bom período para o índice: ele teve a sua terceira semana seguida de perdas ao registrar baixa de 1,02% no acumulado do dia 1 a 5 de outubro, terminando aos 58.571 pontos.
Os EUA estiveram entre as principais referências que estiveram no radar do mercado e repercutiram no desempenho do benchmark da bolsa brasileira. Em foco, esteve a ata da última reunião do Fomc na última quinta-feira, que não trouxe muitas surpresas ao mercado, mas apontou ainda uma recuperação da atividade econômica dos EUA. Entretanto, os indicativos de melhora na atividade econômica, com a melhora da indústria e com a divulgação do relatório de emprego, animaram os investidores.
EUA mexem com os mercados
O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, voltou a mexer com os mercados durante a semana. Desta vez, o presidente da autoridade monetária voltou a criticar a política fiscal do governo norte-americano, alertando que isso pode fazer o país entrar em recessão novamente.
Além disso, a ata da reunião do Fomc seguiu no radar, mostrando preocupação com a crise da dívida na Europa e com o crescimento econômico da China, tendo em vista também o mercado de trabalho norte-americano ainda incipiente. Os integrantes do Fomc avaliam ainda que a economia dos EUA deve se acelerar entre 2013 e 2015, após um período de fraca recuperação, ancorada nas medidas de flexibilização monetária anunciadas na última reunião do comitê.
Em meio à grande preocupação com a criação de vagas de trabalho nos EUA, os dados apresentados na sexta-feira ajudaram a animar a última sessão da semana. O ADP Employment surpreendeu ao mostrar uma surpreendente queda na taxa de desemprego norte-americana, que passou de 8,1% em agosto para 7,8% em setembro. Entretanto, apesar da queda, o país criou menos postos de trabalho do que se esperava. O número, que exclui o setor agrícola, mostrou 114 mil novas vagas, contra a expectativa de 120 mil, segundo projeções compiladas pelo portal norte-americano Briefing.com.
Dentre outras referências positivas para os EUA na semana, esteve ainda a atividade industrial, que surpreendeu em setembro ao passar da contração para a expansão, assim como a divulgação do Consumer Credit, que mostrou a maior alta nos últimos três meses. Por outro lado, os gastos com construção civil desapontaram, registrando recuo de 0,6% no mês de agosto, enquanto o mercado projetava alta de 0,4% para o mês em questão.
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Europa: Espanha segue no radar
Durante a semana, as atenções do mercado no Velho Continente se voltaram novamente para a Espanha, em meio ao noticiário conflitante sobre as resoluções da crise pelo país. Enquanto a Reuters publicou que o primeiro-ministro Mariano Rajoy já estaria pronto para pedir um resgate já neste fim de semana, a Europa Press revelou que o líder espanhol não tem intenção de pedir por ajuda neste período.
As expectativas por um pacote de socorro no país aumentaram ainda mais após o presidente do governo da Catalunha, Arthur Mas, ver como inevitável um pedido de resgate pela Espanha. Segundo ele, o país deve solicitar o quanto antes o resgate aos sócios europeus de modo a estabilizar a situação dos mercados financeiros.
Ainda no continente, os rumores de que o programa de compra de títulos públicos do BCE prevê volumosas compras destes papéis por um período de um a dois meses movimentaram o mercado. Após esse período, as compras seriam suspensas e o programa passaria por um período de avaliação, segundo a Reuters.
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Vale ressaltar que, na quinta-feira, a autoridade monetária da Zona do Euro manteve a taxa básica de juro em 0,75% ao ano, enquanto Mario Draghi voltou a jogar a responsabilidade da compra de títulos aos países, ao reafirmar que o BCE está pronto para agir. Enquanto isso, no Reino Unido, o BoE também manteve a taxa básica de juro em 0,5% ao ano, assim como o estoque do programa de compra de ativos.
Agenda global negativa
Enquanto os norte-americanos tiveram sinalização positiva para a economia, o mesmo não foi visto na Europa ou na China. No gigante asiático, o PMI de serviços atingiu o pior nível em cerca de dois anos. Aos 53,7, o número ainda mostra expansão do setor, mas já recua sobre os 56,3 de agosto.
Já os números sobre a indústrial mundial mostraram melhora sobre os dados prévios, mas mesmo assim indicam contração. Na China, o PMI divulgado pelo HSBC e o anunciado pelo governo chinês mostram contração, reforçando a aposta de novos estímulos à economia. Já no Velho Continente, a piora na atividade industrial levou a região ao pior trimestre em três anos e aumenta a perspectiva de uma nova recessão.
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A indústria brasileira, por sua vez, mostrou um cenário mais promissão, com a sua produção subindo 1,5% em agosto frente a julho, segundo dados divulgados pelo IBGE. Trata-se do melhor resultado desde maio de 2011, quando a expansão ficou em 1,6%, mas abaixo do esperado pelos economistas. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, essa expansão mostra que o país já tem um “gradual crescimento da economia”.
Cenário corporativo
O cenário corporativo esteve bastante agitado durante a semana. Em destaque, estiveram as ações da Gol. Nos pregões desse período, os papéis da companhia se mostraram bastante voláteis por conta do anúncio da empresa. Na segunda-feira, a Gol convocou uma coletiva de imprensa após o fechamento do mercado, as expectativas fizeram a ação subir 10,63%.
Na coletiva, foi anunciada a assinatura do contrato com a Boeing, fazendo os investidores reagirem negativamente à notícia e corrigindo assim os ganhos na sessão seguinte, quando caíram 10,94%. Nas outras sessões, apesar de registrarem menores altas ou perdas, os papéis da companhia áerea também tiveram fortes oscilações.
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A TIM Participações voltou mais uma vez ao radar, com suas ações registrando baixa de 5,11% durante a semana em meio aos rumores de que ela estaria sendo investigada tanto pela CVM quanto pela SEC. Entretanto, a companhia chegou a informar em comunicado que a suposta dívida de R$ 6,6 bilhões é na verdade recursos contingenciados.
O megaempresário Eike Batista também voltou a chamar atenção, ao afirmar que entrarão US$ 2 bilhões no caixa de seu conglomerado de energia, mineração e construção naval EBX até o fim do ano. Em apresentação para executivos em um evento da indústria de tecnologia em São Paulo, Eike disse que o caixa da holding – atualmente em US$ 9 bilhões – poderá receber uma injeção adicional de capital até o fim do ano, mas não revelou de onde o dinheiro viria.
Nas pontas do índice no período, o destaque de alta ficou com as ações da Sabesp, registrando ganhos de 9,05%, aos R$ 90,50. Enquanto isso, a MMX Mineração teve a maior baixa, com perdas de 13,08%, aos R$ 4,32, em meio ao corte de recomendação do papel pelo Morgan Stanley ao avaliar novas quedas para o preço do minério de ferro, principal commodity exportada pela empresa, por conta do desempenho da economia chinesa.
Agenda da próxima semana
Dentro da agenda doméstica para a segunda semana de outubro, o destaque fica com a reunião do Copom, que ocorre nos dias 9 e 10. Nela, os representantes irão definir sobre se ocorre um novo corte na taxa de juro básica.
Além disso, no dia 15 ocorre o vencimento de opções sobre contratos futuros da bolsa. Vale destacar que na sexta-feira, dia 12, o mercado ficará fechado devido ao feriado de Nossa Senhora Aparecida.
Já no cenário norte-americano, a semana será marcada pela divulgação do Livro Bege, pelo Federal Reserve. Enquanto o Departamento de Tesouro divulga o Treasury Budget, fornecendo os dados mensais do orçamento governamental.
Na semana ainda teremos a Reunião Anual do Banco Mundial e do FMI, além de um feriado no dia 8 nos EUA – Dia de Colombo -, onde as bolsas permanecerão abertas, e o dia de Nossa Senhora Aparecida no Brasil, dia 12, com o fechamento da bolsa.