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O Ibovespa, que havia começado a semana no positivo, fechando os três primeiros pregões do período no azul, reverteu os ganhos na quinta e na sexta-feira, refletindo principalmente o maior desânimo com a Europa. Com isso, o índice fechou a semana novamente no negativo – após ter interrompido uma sequência de três quedas no período anterior -, registrando baixa de 0,40%, aos 58.922 pontos.
Dentre as principais referências do mercado durante esta semana, estiveram o encontro entre os ministros da zona do euro, os dados econômicos vindos da China, a reafirmação do rating da Espanha pela Moody’s e o início da temporada de balanços brasileira. Lá fora, os balanços norte-americanos também mexeram com os mercados, principalmente com a divulgação dos dados do Google e da Microsoft. Vale ressaltar que o resultado da primeira companhia foi divulgado antes do previsto devido a um erro da editora.
Primeiros dias em alta…
Esta semana não foi muito diferente das outras, registrando uma alta volatilidade do índice durante os pregões. Na segunda-feira, o índice foi especialmente marcado por esta característica, ainda mais levando em conta o vencimento de opções sobre ações.
Dentre os fatores que influenciaram positivamente na sessão daquela data, estiveram os dados da China, que indicaram desaceleração da inflação, enquanto os dados de exportação do país superaram as projeções com um salto de 9,9% no mês, contra os 2,7% de agosto. Já as importações, que haviam recuado em agosto na comparação anual, mostraram alta de 2,3% em setembro, sem surpresas para os analistas.
Já na terça-feira, a Espanha voltou a chamar as atenções do mercado, após o britânico Financial Times publicar que o país está pronto para pedir por ajuda internacional. Entretanto, ele busca apenas uma linha de crédito no BCE, para que este compre títulos públicos no mercado secundário, e não por dinheiro no fundo permanente de resgate. Ainda segundo o jornal, os governantes do país esperam por uma melhoria no cenário externo para pedir pela ajuda.
Na quarta-feira, o índice também registrou a maior parte da sessão em alta, mas se recuperando apenas nos minutos finais. Vale ressaltar que o índice chegou a registrar uma baixa de 0,10% nos últimos minutos do pregão; de acordo com analistas de mercado, isso se deveu a um erro de operação.
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Durante a sessão, o mercado repercutiu os indicadores positivos dos EUA e o maior alívio com a reafirmação do rating da Espanha em Baa3 pela Moody’s, mantendo assim o grau de investimento para o país. A justificativa para a decisão foi a possibilidade ilimitada de compra de títulos públicos pelo BCE, diminuindo os riscos de um agravamento da crise do país.
Entretanto, esta reafirmação não indica um maior otimismo com a situação espanhola na visão da agência. A medida veio acompanhada da redução da perspectiva da nota de crédito de estável para negativa, o que sinaliza a convicção da agência de que as ameaças à Espanha seguem elevadas.
…e últimos em forte queda
A tendência que havia sido observada nos primeiros dias da semana não se mantiveram nos últimos, repercutindo novamente dados da economia chinesa. Desta vez, os dados do PIB, ao registrar o crescimento da atividade do país no ritmo mais lento desde o primeiro trimestre de 2009 e prejudicando assim as ações ligadas a produção de commodities.
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Isso ofuscou os dados positivos da agenda norte-americana, que mostraram uma recuperação da atividade industrial da Filadélfia e um avanço maior do que o esperado do Leading Indicators, que traz um compilado dos mais importantes índices econômicos dos EUA. Entretanto, do lado negativo, estiveram os dados do mercado de trabalho preocupantes dos EUA, ao mostrar um número bem acima de pedidos de auxílio-desemprego no período.
Contudo, a sexta-feira reservou o pior pregão da semana, repercutindo o pessimismo com o cenário europeu e fazendo o índice cair 1,36%. Até então, na semana, o índice estava no azul. O Velho Continente voltou ao centro das atenções, após os decisores políticos da União Europeia darem um grande passo para criar um supervisor bancário único para a zona do euro, através da realização de um acordo.
O acordo prevê que o fundo de resgate da região poderá começar a recapitalizar bancos em dificuldades no próximo ano. Mario Monti, primeiro-ministro da Itália, afirmou que vê flexibilidade em recapitalização bancária. Apesar disso, o mercado se desapontou pois esperava alguma sinalização sobre uma ajuda adicional à Espanha, o que não ocorreu.
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Resultados movimentam sessões
A semana foi marcada pelo início da temporada de balanços do terceiro trimestre de 2012, com a divulgação dos dados da Localiza, Minerva e Cia. Hering. O resultado da companhia de aluguéis de carros registrou aumento de 6,5% da receita líquida, sendo considerado positivo pelo mercado. O Minerva também reportou bons dados, com aumento do lucro e melhora das margens; entretanto, após a divulgação do resultado, os papéis BEEF3 registraram forte queda.
Entretanto, a grande decepção do mercado ficou com a Hering, ao registrar queda do lucro líquido de 14,2% na comparação anual, bem abaixo do esperado pelo mercado, que já esperava um resultado fraco em meio ao cenário desafiador do período. Em meio aos fracos números, as ações da companhia de varejo registraram uma forte queda de suas ações; entretanto, a companhia acredita que haverá recuperação no quarto trimestre.
O destaque também ficou com a divulgação das prévias operacionais das companhias imobiliárias. A MRV Engenharia decepcionou, ao indicar a sua dificuldade no cumprimento de metas. A companhia afirmou que terá que vender R$ 1,7 bilhão até o fim do ano para alcançar o planejado. Dentre outras companhias que divulgaram seus dados, estiveram a Cyrela e a Aliansce.
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Já as ações da ALL tiveram a maior alta da semana, com ganhos de 6,30%, aos R$ 9,45. Por trás da movimentação, os resultados prévios divulgados nesta sessão, mostrando terceiro trimestre com Ebitda consolidado de R$ 461,9 milhões, crescimento de 7,6% sobre um ano antes, segundo dados divulgados nesta sexta-feira.
B2W e Ultrapar caem forte, HRT sobe e BC intervém em BVA
As atenções do mercado também se voltaram para os papéis da B2W Varejo, ao despencarem após rumores de que a Amazon estaria em negociações para comprar a Saraiva. Entretanto, a Saraiva não confirmou as conversas com a companhia norte-americana, fazendo com que as ações da companhia também registrassem uma forte queda.
Os investidores também se atentaram às ações da HRT Participações, que tiveram forte alta de 34,53%, aos R$ 6,00 na semana, após confirmação de parceria com a Petrobras e TNK-Brasil para monetização de ativos de gás.
Dentre as baixas, destaque ainda para as ações da Ultrapar, que registraram as maiores quedas quedas do índice diante da expectativa de que o governo reduza os preços da gasolina cobrados na bomba de combustível pela distribuidora BR, forçando as empresas privadas do setor a seguirem o mesmo caminho.
Vale destacar ainda a intervenção do Banco Central pelo banco BVA, especializado em crédito para companhias de médio porte, citando comprometimento da situação econômico-financeira da instituição. A intervenção ocorreu pouco mais de um mês depois que o Cruzeiro do Sul e o Prosper foram liquidados pela autoridade monetária.
Agenda da próxima semana
Dentro da agenda do investidor para a próxima semana, as atenções dos investidores estarão concentradas na divulgação da quarta prévia do PIB norte-americano, referente ao terceiro trimestre. Além disso, teremos a reunião do Fomc, o Conselho Monetário Nacional dos EUA. Ainda por lá, dados do setor imobiliário, de renda e do mercado de trabalho também serão divulgados.
No cenário doméstico, a semana contará com a divulgação, por parte do Serasa, do indicador de Atividade Econômica de agosto. Além disso, a FGV apresenta a Sondagem do Consumidor e Industrial. Por fim, o Banco Central apresenta as notas de Mercado Aberto e de Política Monetária e Operações de Crédito.