Publicidade
Revertendo os ganhos do período anterior, o Ibovespa fechou a semana compreendida entre os dias 22 e 26 de outubro com queda de 2,79%, aos 57.276 pontos. Trata-se do pior desempenho semanal do índice desde o período 23 e 28 de setembro, quando o benchmark da bolsa caiu 3,50%. Eventos econômicos no front externo e a temporada de resultados domésticos – com destaque para grandes bancos e Vale – agitaram os investidores. Além disso, a forte queda dos papéis da OGX ajudou a consolidar a tendência negativa do mercado brasileiro.
A começar pelos EUA, que contou com a reunião do Fomc, na última quarta-feira. A expectativa do mercado era que o Federal Reserve anunciasse um aumento dos estímulos, com a expansão do programa de Quantitative Easing III. Entretanto, a autoridade monetária norte-americana não mostrou nenhuma novidade, o que acabou desapontando os investidores.
Outro dado bastante importante do país, revelado nesta sexta-feira, foi a primeira prévia do PIB referente ao terceiro trimestre de 2012 apontando que a economia norte-americana teve avanço de 2,0% em bases anuais. Este número ficou levemente acima das projeções dos analistas, que esperavam uma expansão de 1,9% na atividade econômica. Em relação ao trimestre anterior, o número mostra grande melhora, já que entre abril e julho a expansão do PIB dos EUA havia sido de 1,3%.
Blue chips foram destaque na semana
A continuidade da temporada de balanços brasileiros teve como uma das estrelas a Vale, que na última quarta-feira reportou queda de 57,8% do lucro líquido. Entretanto, os dados da companhia foram vistos positivamente pelo mercado, assim como o foco da companhia em melhorar a eficiência de sua gestão, colaborando para o desempenho positivo dos papéis da semana – Os papéis VALE5 e VALE3 terminaram o período com ganhos de 1,18% e 1,17%, respectivamente, em uma semana onde apenas 14 das 68 ações que compõem o Ibovespa subiram.
Para fechar a semana, os investidores aguardam o resultado da Petrobras, que será divulgado após o fechamento do pregão desta sexta-feira. A expectativa é de que a companhia reverta o prejuízo do último trimestre, reportando um lucro líquido de cerca de R$ 6 bilhões. Os ativos da petrolífera também tiveram um desempenho melhor que o Ibovespa, reportando queda de 0,67% para as ações preferenciais e de 0,61% para as ordinárias.
Contudo, mesmo com as duas principais ações do índice terminando com um desempenho acima da média do mercado, um outro ativo ajudou a puxar o termômetro da Bovespa para o campo negativo: a OGX Petróleo, que acumulou desvalorização de 14,80%, na semana, fechando aos R$ 4,49. Esta forte baixa dos ocorreu na semana do anúncio, feito por Eike Batista, de firmar um contrato de “put” de US$ 1 bilhão entre o controlador e a companhia.
Continua depois da publicidade
Embora em um primeiro momento a notícia foi bem vista pelo mercado, provocando forte alta nas ações na quinta-feira, os investidores demonstraram bastante cautela com os papéis na sexta, sobretudo após a agência de classificação de risco Fitch apontar certos riscos de uma nova injeção de capital feita pelo megainvestidor.
Europa no radar
Na Europa, os desdobramentos da crise da dívida na zona do euro também prendem a atenção do mercado. O destaque ficou para a declaração do chefe antitruste da União Europeia, Joaquin Almunia, afirmando que os bancos da Espanha deverão estar totalmentecapitalizados até meados de 2013. Neste sentido, o FMI afirmou que o país tem feitoprogressos sobre a reforma de seu setor financeiro, mas precisa manter o ritmo enquanto mais passos precisam ser dados.
Entretanto, nem todas as notícias foram positivas para o país. A taxa de desemprego da Espanha atingiu sua máximarecorde no terceiro trimestre, com uma em cada quatro pessoas sem trabalho e a expectativa de mais demissões em 2013. Com relação a uma maior união bancária para a zona do euro, o vice-presidente do BCE, Vitor Constancio, disse ainda que a autoridade monetária deve ter as atribuições para regular os seis mil bancos do bloco econômico.
Continua depois da publicidade
Por fim, esteve o PIB do Reino Unido, que cresceu 1% no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior. O resultado indica que o país saiu da recessão, após três trimestres consecutivos de contração econômica.
Agenda da próxima semana
Dentro da agenda doméstica para a próxima semana, destaque para os dados de indústria a serem divulgados pelo IBGE. Além disso, a FGV anuncia o IGP-M de outubro e o IPC-S referente a quarta quadrissemana de outubro. Vale lembrar que na sexta-feira os mercados ficarão fechados por conta do feriado de Finados.
Já nos EUA, as atenções ficam voltada para o Employment Cost Index do terceiro trimestre, o indicador mede o custo da mão-de-obra, sendo muito utilizado pelo mercado como um indicador de inflação. Também teremos o Productivity & Costs, divulgado pelo Departamento de Trabalho. Esse índice mede a produtividade da mão-de-obra da economia norte-americana, excluída a agropecuária.
Continua depois da publicidade
Por fim, tanto a zona do euro quanto a China terão divulgados os indicadores de Sondagem de Serviços e a Sondagem industrial de cada um.