Resumo Semanal

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Em uma semana encurtada pelo feriado, o Ibovespa voltou a recuperar a trajetória positiva após três quedas, registrando alta de 2,21% no período, aos 58.321 pontos. Os olhos do mercado se voltaram novamente para a Europa, sendo que a sessão desta quinta-feira foi particularmente determinante para o desempenho positivo, após o presidente do BCE anunciar um plano para compra ilimitada de títulos públicos com vencimento entre um e três anos.

Segundo Draghi, no entanto, o programa virá com estritas condicionalidades, como a exigência por reformas econômicas. Ele comentou ainda que o BCE não vai atuar no mercado de dívida, sem o pedido formal do país. Contudo, a decisão foi bastante comemorada pelo mercado, ao indicar que a zona do euro ainda conta com o apoio das autoridades monetárias para ser salva.

Vale ressaltar que, na quarta-feira, o principal índice da bolsa havia registrado uma forte queda, atingindo o patamar mais baixo em quase um mês após um recuo de 1,83%.

Isto porque, – além de os EUA ter observado um dia com indicadores de indústria e de construção ruins – a agência de classificação de risco Moody’s havia colocado a zona do euro em perspectiva negativa. Para a Moody’s, o cenário é bastante preocupante para os principais integrantes do grupo, formada por Alemanha, França, Reino Unido e Holanda, que compõem 45% da receita orçamentária da União Europeia.

Medidas do governo animam
Outra referência bastante importante durante a semana para o índice ocorreu em território nacional, levando a maior otimismo do mercado. O governo brasileiro anunciou, na última quarta-feira, a elevação do imposto de importação para 100 produtos, que impulsionou algumas ações empresas nacionais, principalmente do setor siderúrgico e petroquímico. 

No radar brasileiro, vale destacar ainda os dados da indústria, que cresceu apenas 0,3% entre junho e julho, de acordo com o IBGE. Na comparação ano a ano, setor industrial brasileiro mostrou queda de 2,9% na produção. Entretanto,a expectativa é de recuperação da produção do setor.

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Amparada nesta expectativa de maior aceleração da atividade econômica, a ata da última reunião do Copom voltou a sinalizar o fim do ciclo de cortes na Selic, ao manifestar que qualquer ajuste deve ser conduzido com máxima parcimônia. Segundo os membros da autoridade monetária, os riscos para a estabilidade finaneira mundial são elevados, mas a demanda doméstica deve se manter forte.

A expectativa de maior inflação no segundo semestre também vem preocupando o mercado, apesar do índice de preços referência do mercado, o IPCA, ter ficado em linha com as estimativas em agosto. Contudo, analistas de mercado esperam uma maior aceleração em setembro em relação ao mês anterior.

Indicadores seguem negativos
Apesar da semana positiva, principalmente devido aos últimos dois dias, os indicadores econômicos globais continuam preocupando o mercado. Dentre eles, estiveram as vendas no varejo da zona do euro, que caíram 1,7% em julho, na comparação com o ano passado. Já o PMI composto da região, caiu para 46,3 em agosto, mostrando contração tanto do setor de serviços quanto da indústria de transformação.

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Enquanto isso, na China, o setor de serviços cresceu no ritmo mais lento em um ano em agosto, ao passo que o escritório de estatística do governo chinês revisou o crescimento de seu PIB de 2011 para 9,3%, ante leitura inicial de 9,2%.

Vale destacar ainda que, mesmo com os mercados fechados no Brasil, a agenda internacional contará com importantes referências na próxima sexta-feira. Dentre elas, o destaque ficará com a divulgação do relatório de emprego referente ao mês de agosto pelos Estados Unidos e a taxa de desemprego do mesmo país. O consenso de mercado espera manutenção entre a população sem emprego no país, com uma taxa de desocupação de 8,3%.

Cenário corporativo
As medidas do governo guiaram os maiores destaques de ações semanais, tendo como beneficiadas as ações da Usiminas. Os papéis preferencias da companhia tiveram alta de 18,16%, aos R$ 9,63 – liderando os ganhos do Ibovespa, enquanto as ordinárias subiram 15,43%, aos R$ 10,85. Também beneficiada pelo aumento dos impostos, estiveram os papéis da Braskem, com valorização de 14,06%.

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Na outra ponta, estiveram os papéis da Rossi Residencial, com baixa de 14,26%, aos R$ 5,17, após o anúncio de aumento de capital pela companhia.

Além destas, também esteve em destaque no cenário corporativo a MRV. A empresa conseguiu liminar na justiça e saiu do cadastro de trabalho escravo. A Vale também esteve no radar dos investidores, mais uma vez, em meio a possível perda da companhia em disputa sobre royalties, além da possível desistência da companhia de mina na Austrália.

Agenda da próxima semana
Dentro da agenda do investidor para a segunda semana de setembro, o destaque na agenda norte-americana fica por conta da decisão de política monetária nos EUA, através do encontro do Fomc. Vale destacar ainda o discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, que será realizado na quinta-feira. Além disso, serão divulgados os índices de preços ao produtor e consumidor e dados sobre a produção industrial.

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No cenário doméstico, investidores devem prestar atenção aos indicadores sobre a inflação nacional e à pesquisa mensal do comércio. Já na China, durante a semana, será divulgada a balança comercial referente ao mês de agosto e o valor dos investimentos estrangeiros diretos referentes ao mesmo mês.

Entretanto, os encontros realizados na zona do euro serão o principal vetor para os investidores durante a semana. Na quarta-feira, a União Europeia divulgará proposta para Supervisor Bancário Único, enquanto o Tribunal Constitucional da Alemanha julgará o fundo de resgate aos países do bloco em dificuldades financeiras. 

Na sexta-feira, haverá o encontro entre os ministros das finanças do bloco econômico e será apresentada a proposta da Grécia de cortes orçamentários para resgates financeiros.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.