Resumo Semanal

Resumo semanal

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Os principais mercados acionários enfrentaram mais uma semana de perdas, dessa vez repercutindo temores com relação ao endividamento e ao risco soberano de países europeus e avaliando indicadores e resultados corporativos divergentes. As principais commodities tiveram uma semana de queda, pressionando ainda mais os mercados.

Assim, o Ibovespa encerrou a semana com desvalorização de 4,04% – pior queda percentual desde a última semana de outubro – a 62.762 pontos, renovando o menor patamar desde 4 de novembro.

Escapando do mau humor nos mercados, as ações da Cosan encerraram esta semana como principal destaque positivo dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando alta de 9,86%. Boa parte da valorização dos papéis se deve à divulgação, na segunda-feira, dos resultados positivos do terceiro trimestre fiscal de 2010. No mesmo dia, a Cosan também anunciou a assinatura de um memorando de entendimentos com a Shell, visando uma possível união de operações no Brasil com valor estimado de US$ 12 bilhões.

Na outra ponta, as ações ordinárias da Eletrobrás apresentaram forte queda de 15,96% e encabeçaram a lista das maiores perdas do índice no período, enquanto as ações preferenciais classe B da companhia conquistaram o segundo lugar, com baixa de 14,65%. Os papéis sofreram um ajuste em relação aos fortes ganhos de janeiro, mês em que as ações da estatal lideraram os ganhos do índice. Nesta semana, a Eletrobrás decidiu adiantar o pagamento da primeira parcela dos dividendos devidos, vinda da Reserva Especial de Dividendos, de 30 de junho para 26 de fevereiro.

Em relação às ações mais líquidas do índice, o movimento foi negativo. Os papéis ordinários da Petrobras recuaram 6,33% no período, enquanto os preferenciais despencaram 7,76%. Já as ações da Vale acumularam perdas de 3,58% e 3,18% na semana, na mesma ordem.

Em janeiro, os investidores estrangeiros retiraram R$ 2,099 bilhões da bolsa brasileira, a maior retirada mensal desde outubro de 2008, no auge da crise financeira. A última vez em que o saldo havia ficado negativo foi em junho do ano passado, notícia que corrobora o fraco desempenho da bolsa brasileira no acumulado do mês anterior.

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Vale lembrar ainda que os negócios no segmento BM&F atingiram nova marca histórica na quinta-feira (4), com 79.672 negócios registrados durante a sessão, superando a marca anterior de 75.785, registrada no dia 28 de outubro de 2009.

Noticiário
Uma das principais referências da semana foi o projeto de orçamento para o ano fiscal de 2011, enviado ao Congresso pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Na tentativa de conter o déficit fiscal do país, Obama anunciou que pretende cortar alguns programas governamentais, além de eliminar o corte de impostos para os mais ricos. O maior foco do orçamento de US$ 3,8 trilhões do país está na criação de empregos.

A questão fiscal também ocupou destaque na Europa. A dívida pública de Portugal irá representar 91% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2011, contra 77% no ano passado, segundo previsão da Comissão Europeia. Já a da Grécia irá representar 135% e a da Espanha irá aumentar de 54% para 74% do Produto do país.

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Os bancos centrais europeu e da Inglaterra optaram por manter seus juros básicos em 1,0% ao ano e 0,5% ao ano respectivamente. Já no Brasil, a ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) revelou uma autoridade significativamente mais preocupada quanto a um eventual aumento das pressões inflacionárias no cenário macroeconômico brasileiro.

Agenda
Um dos principais indicadores da semana foi o Relatório de Emprego de janeiro nos EUA. Apesar da taxa de desemprego dos EUA registrar queda de 0,3 ponto percentual, atingindo 9,7% – menor patamar desde agosto de 2009 – também houve dados preocupantes, como a perda de 20 mil posto de trabalho no país. Além disso, os números de dezembro foram revisados para baixo – de queda de 85 mil postos para perda de 150 mil vagas. Já o ADP Employment Report mostrou um corte de 22 mil vagas de emprego no setor privado norte-americano no mesmo período, menor queda em dois anos.

O Consumer Credit mostrou recuo recorde de 4% no crédito ao consumidor norte-americano no ano de 2009, enquanto a produtividade no mercado de trabalho norte-americano, excluindo o setor agropecuário, avançou no quarto trimestre. Por sua vez, o volume de pedidos à indústria norte-americana e o número de contratos de compra e venda de dezembro superaram os números do mês anterior.

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Os gastos dos norte-americanos com consumo cresceram pela terceira vez consecutiva em dezembro passado, enquanto a renda e o ISM Index, que mede a atividade industrial, cresceram acima do esperado pelo mercado.

Entretanto, alguns indicadores decepcionaram: o Initial Claims ficou muito acima das projeções traçadas anteriormente pelo mercado, e ISM Services ficou abaixo do esperado em janeiro. Os gastos com construção civil de dezembro também surpreenderam negativamente.

Do outro lado do Atlântico, destaque à produção da indústria manufatureira europeia, que reportou expansão maior que a prevista para o mês de janeiro.

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Por aqui, destaque para os indicadores de inflação, que mostraram aceleração: o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) marcou forte alta nos preços de 1,34% em janeiro; o IPCA ( Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medida oficial da inflação doméstica, registrou alta de 0,75%, maior resultado desde maio de 2008; enquanto o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) apontou inflação de 1,01% no período, também acima das expectativas. Por fim, o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) também registrou alta, de 0,88%, 0,64 ponto percentual acima da apurada em dezembro.

Já a produção industrial brasileira recuou 0,3% na passagem de novembro para dezembro, segundo a Pesquisa Industrial de Produção Física, formulada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e houve avanço da produção da indústria nacional em 8 das 14 regiões pesquisadas em dezembro frente a novembro. A balança comercial encerrou janeiro deficitária em US$ 166 milhões.

Resultados Corporativos
Já na esfera de resultados, Visa, Cisco Systems, Deutsche Bank e Santander trouxeram números melhores do que o esperado. Contudo, os dados foram ofuscados pelos balanços decepcionantes de MasterCard, Kellogg, Boeing, Royal Dutch Shell e Unilever.

A Time Warner superou as estimativas ao reportar um lucro líquido de US$ 627 milhões no quarto trimestre de 2009. A Pepsi divulgou um lucro de US$ 90 milhões no quarto trimestre de 2009. Outro bom desempenho reportado foi o do grupo Hershey, que somou um lucro por ação de US$ 0,55 entre outubro e dezembro passados. A Exxon Mobbil reportou no quarto trimestre de 2009 um lucro por ação de US$ 1,27, desempenho melhor do que os ganhos de US$ 1,19 por ação esperado pelos analistas.

Por aqui, o Santander Brasil divulgou seu resultado operacional referente o quarto trimestre de 2009, quando o banco contabilizou lucro líquido de R$ 1,591 bilhão. No acumulado do ano passado, a instituição apresentou lucro líquido de R$ 5,508 bilhões, expressiva alta de 41% em relação ao reportado em 2008, quando somou R$ 3,913 bilhões na conta.

O Banco ABC Brasil reportou um lucro líquido de R$ 53,7 milhões no período, 40,9% maior na base de comparação trimestral.

Notícias corporativas
A Votorantim Cimentos anunciou dois acordos pelos quais elevou sua participação na Cimpor: o primeiro foi uma operação de permuta de ações com a Lafarge, que lhe rendeu uma fatia de 17,3%; outros 9,6% foram obtidos em acordo com os acionistas da Caixa Geral de Depósitos, com o objetivo de travar a oferta da CSN pela cimenteira portuguesa.

A OGX Petróleo concluiu o teste de formação a poço revestido realizado no poço 1-OGX-3-RJS, no bloco BM-C-41 – no qual possui 100% de participação – encontrando indícios de hidrocarbonetos em reservatórios carbonáticos. A estimativa da companhia é que o volume total de óleo recuperável para os reservatórios chegue a uma quantia entre 500 e 900 milhões de barris.

Os papéis da Multiplus foram precificados a R$ 16,00 cada, ficando abaixo das projeções dos coordenadores da oferta. Na estreia, recuaram quase 1%.

Fora do índice, novos rumores em torno do Plano Nacional de Banda Larga voltam a movimentar os papéis da Telebrás na bolsa brasileira repercutindo o possível interesse do presidente Lula em reativar a estatal para que ela seja a operadora do projeto do governo.

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) firmou um acordo entre o Pão de Açúcar e a Casas Bahia, onde as duas companhias se comprometem a não tomar medidas irreversíveis até que a fusão seja analisada pelo órgão.

A Telemar enviou comunicado confirmando a suspensão da emissão de debêntures para aquisição da Brasil Telecom. Também será necessário um “aprofundamento das informações relativas às próximas etapas do processo de reoganização societária da Brasil Telecom”, disse a empresa em seu comunicado.

O Banco do Brasil afirmou que os ajustes feitos no plano de pensão de seus funcionários, o Previ, deverão agregar R$ 1,6 bilhão em seu resultado do quarto trimestre de 2009, valor “líquido de impostos e participação estatutária no lucro”. O balanço será divulgado no dia 25 de fevereiro.

A petroquímica Braskem anunciou a aquisição da Sunoco Chemicals por US$ 350 milhões, fortalecendo sua posição no mercado norte-americano e na produção de polipropileno.

Câmbio e renda fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,888. Com essa nova valorização – a terceira consecutiva – a moeda atingiu o maior patamar desde 1 de setembro de 2009. No acumulado da semana, a variação também ficou positiva em 0,05%. O Banco Central, que interveio em todas as sessões, trouxe os números do fluxo cambial , mostrando que a entrada de dólares no País superou a saída em US$ 1,075 bilhão no totalizado em janeiro.

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em baixa na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,32%, baixa de 0,09 ponto percentual em relação à última semana.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 133,75% de seu valor de face, queda de 0,45% na variação semanal.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 244 pontos-base, alta de 11 pontos em relação à última semana.