Resumo semanal

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Em uma semana marcada pelo fim dos resultados trimestrais, que movimentaram bastante o mercado nas últimas sessões, o Ibovespa registrou leve queda de 0,33%, aos 59.082 pontos, quebrando a sequência de três semanas no azul. Entretanto, no acumulado do ano o índice acumula alta de 4,10%.

Além dos indicadores dos EUA e Europa, o período foi marcado pela expectativa com relação ao pacote de medidas, anunciado na última quarta-feira pelo governo brasileiro, que prevê a concessão de rodovias e ferrovias para o mercado privado, no valor de R$ 133 bilhões. Apesar do mercado mostrar grandes perspectivas acerca do do pacote, as atenções se voltaram principalmente para o mercado internacional.

O front externo foi mais uma vez o destaque da vez, que mostrou uma semana de indicadores mistos na Europa e negativos no continente asiático. O premiê da China, Wen Jiabao, destacou que a economia do país continuará pressionada e que o governo deve  focar em medidas para estimular o emprego.

Além disso, de acordo com o ministro do comércio do país, Shen Danyang, as perspectivas comerciais da China para o segundo semestre são mais duras do que para o primeiro, afetadas pela persistente crise de dívida europeia e por uma recuperação econômica global mais lenta do que o esperado. Ainda na Ásia, o crescimento do PIB japonês abaixo do esperado gerou um forte sentimento de aversão ao risco no mercado.

Merkel salvará o euro?
A Grécia mais uma vez contribuiu para o cenário negativo, sinalizando que deve pedir mais dois anos para implantar medidas de austeridade. Adicionalmente, a Espanha pode estar próxima de pedir um pacote de resgate. Vale lembrar que a economia grega apontou queda de 6,2% de sua economia no segundo trimestre – fortemente impactada pela crise da dívida.

Com esse cenário ainda bastante difícil para os gregos, o vice-lider parlamentar do Partido Democratas Cristãos da Alemanha, Michael Fuchs, disse que o país não deveria continuar a receber a ajuda da Alemanha, mesma recusa do premiê finlandês, que se mostrou contra a utilização do BCE para baixar o custo de financiamento dos países.

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Isso gerou um cenário de maior aversão ao risco pelos investidores, que ainda agem com cautela em meio às incertezas com relação ao desenrolar da crise na Zona do Euro. Entretanto, no final do fechamento de quarta-feira nas bolsas europeias, a chanceler alemã Angela Merkel animou os mercados ao discursar no Canadá. Merkel afirmou que está em linha com a postura do BCE para defender o euro, dando maior confiança ao mercado de que haverá novos pacotes para evitar uma ruptura do bloco econômico.

Além disso, contribuiu para o cenário mais positivo, a notícia de que a Alemanha registrou um PIB do segundo trimestre acima do projetado por analistas, assim como a França. Entretanto, apesar dessa alta, o crescimento da economia destes países não evitaram uma contração de 0,2% na economia da Zona do Euro.

Já os EUA reportaram diversos indicadores relevantes durante a semana. Enquanto as vendas no varejo em julho avançaram, os preços ao produtor vieram ligeiramente acima do esperado e a confiança do consumidor aumentou, por outro lado os estoques das empresas mostraram alta e o indicador da atividade industrial na região de Nova York surpreendeu negativamente o mercado.

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Brasil: é para ficar animado?
Enquanto isso, no Brasil, a economia parece dar maiores sinais de recuperação. O IBC-Br, considerada uma prévia do PIB brasileiro, mostrou alta de 0,75% em junho, na comparação mensal, superando as expectativas de economistas.

Nesse cenário, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo já começa a ver sinais de recuperação da economia, considerando ainda que o país deverá ser um dos primeiros a sair mais rapidamente da crise. Entretanto, a percepção do investidor estrangeiro continua ruim com o Brasil, segundo aponta o analista da XP Investimentos, Daniel Cunha.

Resultados corporativos
No Brasil, houve o fim da temporada de resultados corporativos, que terminou mostrando que o lucro das empresas do Ibovespa caiu 54% no 2º trimestre, puxado pelo resultado negativo da Petrobras. Os balanços das empresas afetaram mais uma vez o desempenho das ações durante o período.

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Em resposta aos balanços, ações de empresas como Gol e Banco do Brasil reagiram negativamente, enquanto as ações da B2W Varejo também registraram forte baixa,após a empresa registrar prejuízo de R$ 38,9 milhões durante o segundo trimestre. Outra empresa da holding do empresário Eike Batista, a OGX Petróleo, também reportou um forte resultado negativo, com crescimento do prejuízo em 255%.

Na semana, o destaque de ações com forte volatilidade ficou com as imobiliárias, registrando alta por duas sessões seguidas mesmo com resultados ruins, com a exceção da Gafisa, que mostrou um balanço positivo na última sexta-feira.

Vale ressaltar que, nesta sexta-feira, foi o último dia de negociações das ações da PortX, empresa do setor portuário de Eike Batista. Os papéis registraram queda de 1,42%, encerrando as suas operações aos R$ 2,77.

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Altas e baixas
Dentre os destaques de ações desta semana, estiveram entre as apostas do Ibovespa os papéis da MMX e da PDG Realty. A primeira companhia teve queda de suas ações de 10,73%, fechando aos R$ 5,49, enquanto os papéis PDGR3, com valorização de 6,36%, aos R$ 3,68.

As duas companhias reportaram resultados no segundo trimestre. Os resultados da PDG parecem ter agradado o mercado, embora a companhia tenha registrado prejuízo líquido de R$ 437 milhões no segundo trimestre.

Já a companhia de mineração registrou prejuízo líquido de R$ 391,6 milhões no segundo trimestre, revertendo de lucro líquido de R$ 90,9 milhões no ano passado. De acordo com a companhia, o resultado foi afetado por atraso nos portos.

Agenda da próxima semana
Dentro da agenda da quarta semana de agosto, destaque para a ata do Fomc, com as definições de política econômica norte-americana.

No cenário doméstico, atenção para as notas do Banco Central e à pesquisa mensal de emprego, todos referentes ao mês de julho, assim como os indicadores de inflação. Além disso, haverá o vencimento de opções sobre ações negociadas na BM&FBovespa.

Já na China e na Europa, as atenções se voltarão para os dados do setor da indústria e de serviços do mês de agosto.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.