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Em uma semana guiada por fortes expectativas de que o Federal Reserve anunciasse medidas de estímulo econômico e marcada por diversos indicadores ruins, o Ibovespa encerrou o período em queda de 1,11%, fechando aos 58.425 pontos. Com isso, após três altas seguidas, o benchmark da bolsa brasileira registrou sua segunda semana consecutiva de baixa.
O índice, que havia alternado entre leves perdas e ganhos nos pregões de segunda e terça-feira, registrou movimento de alta na quarta-feira, com a divulgação da ata do Fomc – sinalizando que uma nova rodada de estímulos econômicos poderá ocorrer em breve. Entretanto, os dados ainda ruins para a economia global continuaram sendo o principal fator para o maior sentimento de aversão ao risco do mercado, levando à queda de 1,46% no índice brasileiro na quinta-feira e norteando a queda durante a semana.
Agenda internacional ruim…
Entre os dados desanimadores da agenda internacional, estiveram os números prévios para o PMI Composto, divulgados pelo HSBC, indicando que a atividade econômica no Velho Continente continua em contração e sugerindo que o país deverá entrar em recessão neste terceiro trimestre.
Já na China, o PMI para a manufatura teve forte queda e atingiu o pior nível em sete meses. A produção industrial por lá também cedeu e passou de expansão para contração. Enquanto isso, nos EUA, os números frustrantes vieram dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, que aumentaram de 368 mil para 372 mil, acima das projeções dos analistas.
O cenário econômico para a Grécia também não foi animador, já que o país passa ainda por negociações difíceis no campo político. Nesta semana, o primeiro-ministro Antonis Samaras, recebeu o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, e pediu a ele mais dois anos para implantar as reformas fiscais que os credores exigem.
No entanto, Junker lembrou que essa decisão dependerá do relatório da Troika – grupo formado por Comissão Europeia, FMI e BCE -, que retornará a Atenas em setembro e deverá concluir a avaliação sobre o progresso grego até o fim daquele mês. Se a avaliação for negativa, a próxima parcela do resgate poderá ser suspensa.
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Em meio ao cenário negativo para o país, uma notícia curiosa teve destaque na semana. A Grécia anunciou que se prepara para vender ilhas inabitadas, de modo a angariar recursos para seus cofres públicos, segundo declarou o primeiro-ministro do país, Antonio Samaras, ao jornal francês Le Monde.
ofusca alguns progressos…
Por outro lado, algumas boas notícias sobre a Europa animaram os mercados durante a semana. Na abertura da sessão de segunda-feira, houve um sentimento de maior otimismo no mercado, uma vez que a revista alemã Der Spiegel publicou que o BCE poderia decidir na próxima reunião um teto para o juro da dívida de cada país. Entretanto, a autoridade monetária negou e um porta-voz disse à imprensa internacional que a especulação sobre as decisões que ainda não foram tomadas é algo errado a ser feito.
Já na terça-feira, o mercado respondeu bem à notícia de que Jörg Asmussen, membro alemão do quadro executivo do BCE e indicado pela chanceler Angela Merkel, apoia a compra ilimitada de títulos públicos pela autoridade monetária. A proposta de Mario Draghi, presidente da instituição visa reduzir o custo de financiamento dos países, mas tem encontrado forte oposição da Alemanha.
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No último dia útil da semana, as especulações quanto a novas atuações do BCE voltaram ao foco. A autoridade monetária estaria, realmente, considerando um plano de metas para o juro dos títulos públicos na região, o que aconteceria dentro de um novo programa de compra de ativos. Entretanto, nenhuma decisão deverá ser anunciada antes de 6 de setembro, quando ocorrerá o encontro do banco.
Além disso, os encontros políticos movimentaram a semana. A chanceler alemã Angela Merkel defendeu a permanência da Grécia na Zona do Euro, mas alertou que ainda aguarda o relatório da Troika para tomar alguma decisão quanto à extensão em dois anos para o país cumprir com as reformas fiscais. Já o primeiro-ministro Antonis Samaras se defendeu ao dizer que não pede por mais dinheiro, apenas por mais tempo.
Brasil: PIB menor em 2012
O front nacional também não teve notícias muitos positivas. Segundo Relatório Focus, anunciado pelo Banco Central, o mercado projeta um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 1,75% para este ano – baixa em relação aos 1,81% do relatório anterior – além de uma contração de 1,2% na produção industrial.
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No mesmo sentido, o Ministério da Fazenda reduziu de 4,5% para 3% a previsão oficial de crescimento do PIB para 2012 na sexta-feira, na publicação Economia Brasileira em Perspectiva. Entretanto, para 2013, a previsão de crescimento da atividade econômica foi mantida em 5,5%. Entretanto, minutos após a divulgação, o ministério pediu para desconsiderar a estimativa até as projeções definitivas serem divulgadas.
Por outro lado, a Austin Rating elevou o rating soberano do Brasil de BBB- para BBB, com perspectiva estável. “A elevação do rating está fundamentada tanto na melhora da condição econômica e social do país nos últimos 36 meses”, avalia Alex Agostini, economista-chefe da agência de classificação de risco.
Cenário Corporativo
O noticiário com relação às empresas também esteve bastante movimentado durante a semana. Dentre os destaques, estiveram a Vale e a Petrobras, cujas ações possuem o maior peso na carteira teórica do índice. As ações VALE5 tiveram fortes perdas de 2,83% na semana, pressionados pela discussão dos royalties no Brasil e pela projeção de menor demanda de minério de ferro da China, após os dados ruins da indústria do país.
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Vale ressaltar ainda a declaração do ministro de recursos naturais da Austrália, que ajudou a deprimir os mercados ao afirmar que o boom do setor de mineração no país acabou, após a BHP Billiton engavetar dois planos de expansão que somariam ao menos US$ 40 bilhões. O noticiário para a mineradora encerrou a semana mais negativo ainda, após a BlackRock anunciar que cortou seus ativos da Vale, à medida que a desaceleração do crescimento da China está derrubando os preços dos metais.
Já as ações PETR4 amargaram perdas de 1,48% no período, devido à declaração da presidente da empresa, Graça Foster, de que um novo reajuste de combustíveis não está em dicussão no momento.
Outra notícia que também movimentou os mercados foi a de que o Casino assumiu o controle oficial do grupo Pão de Açúcar pelo Casino, após a família Diniz exercer a uma opção de venda de um milhão de ações com direito a voto da Wilkes.
Pontas do índice
Em uma semana em que as imobiliárias tiveram forte desempenho positivo, a Brookfield se destacou entre as ações que compõem o Ibovespa, com alta de 18,18%, cotadas aos R$ 4,16.
Enquanto isso, os papéis da TIM Participações sofreram mais uma vez, liderando as perdas do índice no período com queda de 9,10%. A companhia sofreu com a cobrança de € 550 milhões em dívidas tributárias atrasadas da TIM Celular. Entretanto, a empresa anunciou que ainda recorrerá.
Agenda da próxima semana
Dentro da agenda para a última semana de agosto, os investidores manterão a atenção nos Estados Unidos, com destaque para o Livro Bege do Federal Reserve e o resultado do PIB do segundo trimestre do país.
No cenário brasileiro, foco para o nosso PIB do mesmo trimestre e também para a reunião do Copom, que definirá o rumo da política monetária do País nos próximos meses. A expectativa gira em torno de um novo corte de 50 pontos-base, levando a Selic para 7,5% ao ano.
Já na Europa, haverá a divulgação de dados do setor industrial, assim como na China, que também reportará os dados do setor de serviços para o mês de agosto.