Resumo semanal

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Em uma semana mais curta, com as bolsas dos EUA abrindo a partir de terça-feira e o Ibovespa na quarta-feira, os mercados acionários acumularam ganhos, com destaque para a forte alta das commodities e resultados corporativos positivos. Por outro lado, o aumento da taxa de redesconto pelo Fed trouxe temores sobre um aperto monetário, mas analistas divergem sobre o assunto.

Assim, o Ibovespa encerrou a semana com valorização de 2,65%, a 67.597 pontos. Vale lembrar que o exercício de opções movimentou R$ 981,2 milhões na quarta-feira.

As ações da Usiminas terminaram esta semana liderando os ganhos do Ibovespa, após acumularem uma alta de 7,26%. Prestes a divulgar seu balanço do último trimestre e do acumulado de 2009, a companhia é vista com otimismo pelos principais analistas do mercado. Para a equipe do Bank of America Merrill Lynch, a siderúrgica deverá mostrar a melhor recuperação trimestral nesta temporada de resultados.

Já na ponta negativa, as ações ordinárias da MMX fecharam como principal baixa dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando desvalorização de 9,81%. O principal driver para o desempenho das ações no período foi a aprovação do aumento de capital social da companhia, em até R$ 1,218 bilhão, no qual a empresa emitirá entre 101,781 milhões e 167,849 milhões de ações ordinárias de subscrição particular. Com a operação, o capital da empresa passará de R$ 776,035 milhões atualmente para até R$ 1,994 bilhão, decisão aprovada pelo Conselho de Administração da MMX na última semana.

Em relação às ações mais líquidas do índice, o movimento foi positivo. Os papéis ordinários da Petrobras avançaram 0,92% no período, enquanto as ações preferenciais subiram 1,63%. Já as ações da Vale acumularam alta de 5,37% e 5,52%, nessa ordem.

Noticiário
Duas das principais referências da semana vieram do Federal Reserve: a ata da última reunião revelou visões distintas dos membros do comitê sobre a estratégia de saída da autoridade monetária dos EUA, com diversos membros se mostrando impacientes com o crescente balanço do banco central norte-americano. Já na quinta-feira, a taxa de redesconto – cobrada a bancos que solicitam empréstimos emergenciais – foi elevada de 0,50% para 0,75%. Os analistas ainda divergem se isso sinaliza ou não um aperto monetário próximo.

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Ainda no âmbito monetário, o BoJ (Bank of Japan) optou por manter o juro básico do país em 0,1% ao ano. Já a minuta do BoE mostrou unanimidade dos membros do comitê em relação à pausa na compra de títulos de £ 200 bilhões, ou 14% do PIB (Produto Interno Bruto) do Reino Unido. A decisão busca conter possíveis temores inflacionários à frente.

Na Europa, a situação fiscal da Grécia continua no foco do noticiário. Os ministros da União Europeia deram um prazo de 30 dias para a Grécia apresentar um plano de ajuste fiscal, e até 15 de maio o país deve mostrar medidas efetivas para cortar seu déficit. Sobre rumores sobre realização de operações de swap da dívida do país, com a ajuda do Goldman Sachs, o ex-ministro de Finanças grego, Yiannos Papantoniou, defendeu-se afirmando que isso “também era feito por muitos outros países da Zona do Euro”.

Agenda
A produção e capacidade industrial de janeiro nos EUA mostraram avanço frente o mês anterior, sendo que a primeira veio acima das expectativas do mercado. O NY Empire State Index e Philadelphia Fed Index mostraram avanço na atividade industrial de Nova York e Philadelphia, respectivamente.

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Ainda entre as boas referências, o orçamento do governo norte-americano mostrou um número melhor que o esperado por analistas, registrando déficit de US$ 42,634 bilhões em janeiro. Para o setor imobiliário, os sinais foram opostos: enquanto o Housing Starts, com o número de casas em início de construção nos EUA, veio acima do esperado, o Building Permits mostrou desaceleração no número de autorizações para construção de novas casas.

Diferentes indicadores reveleram aceleração da inflação nos EUA em janeiro, com alta no Export Prices, Import Prices e Consumer Price Index (este, entretanto, vindo abaixo das estimativas) indicaram aceleração da inflação no mês de janeiro. Já o Core CPI, que exclui os itens mais voláteis, como energia e alimentação, apontou variação negativa de 0,1%. Os preços ao produtor, medidos pelo PPI, também avançaram.

O número de pedidos de auxílio-desemprego da última semana veio pior do que o previsto, assim como o Leading Indicators (indicador que compreende vários índices já divulgados) de janeiro.

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Na Europa, o indicador de confiança do investidor da Alemanha apontou seu quinto recuo seguido na medição de fevereiro, atingindo 45,1 pontos, ante 47,2 pontos em janeiro. O Reino Unido reportou déficit orçamentário em janeiro de £ 4,3 bilhões, primeiro resultado negativo do indicador desde o ano de 1993.

Por aqui, destaque para a segunda melhor geração de vagas de trabalho já registrada em janeiro, com 181.419 novas vagas, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Por fim, diferentes indicadores apontam inflação: o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor referentes ao segundo decêndio e à segunda quadrissemana de fevereiro, respectivamente, mostraram aceleração dos preços de 1,10% e 1,09%, nesta ordem.

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Cenário corporativo
Lá fora, as gigantes Wal-Mart, Kraft Foods, Merck e os bancos Société Générale BNP Paribas e Barclays divulgaram balanços melhores do que o esperado.

Por aqui, em semana fraca pela temporada de resultados corporativos, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) registrou lucro de R$ 6,7 bilhões em 2009, que atribuiu o bom resultado a três fatores: resultado com intermediação financeira, dividendos declarados para investimento da BNDESPAR e reversão de provisão para contingências civis.

A Petrobras anunciou duas novas descobertas de petróleo no bloco 15/06, localizado em Angola. A estatal detém 5% de participação na porção, situada em águas profundas (1.400 metros).

Em mais um capítulo envolvendo a aquisição da Cimpor, a Votorantim Cimentos, braço do grupo Votorantim, anunciou a compra de mais 3,93% das ações da fabricante de cimento portuguesa Cimpor, por meio da aquisição da participação da Cinveste na empresa, aumentando sua participação votante de 30,76% na Cimpor. A CSN prorrogou o fim do prazo de sua oferta de compra de ações na cimenteira portuguesa para o dia 22 de fevereiro. Por fim, a SDE (Secretaria de Direito Econômico) do Ministério da Justiça pediu ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que suspenda, no Brasil, os efeitos das aquisições de participações da Cimpor pela Votorantim e pela Camargo Corrêa. Caso o parecer seja aceito pelos membros do Conselho, as duas empresas brasileiras que adquiriram participações no capital da cimenteira portuguesa deverão se manter separadas até o julgamento final.

A Parmalat confirmou via comunicado o cancelamento de registro de companhia aberta, em meio ao processo de recuperação judicial da empresa. O saldo dos valores não resgatados pelos acionistas da empresa durante a OPA (Oferta Pública de Aquisição) permanecerá sob custódia por três meses. Por sua vez, a Laep, controladora da empresa, informou que continua buscando soluções definitivas para o futuro estratégico de suas operações e já liquidou dívidas com credores importantes, embora tenha alertado que as negociações da recuperação ainda não foram concluídas.

A PDG Realty divulgou o anúncio de encerramento de sua oferta pública secundária de ações, e ao contrário do que normalmente acontece, os investidores brasileiros foram responsáveis pela maior parte da captação, contando com uma participação de 53,23% do total.

Por fim, a BR Properties apresentou os termos de seu IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês), constituído por distribuição primária e secundária de ativos, com as ações sendo listadas no Novo Mercado sob o código BRPR3.

Câmbio e renda fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,805. Mesmo com a semana mais curta por conta do feriado de Carnaval – o que manteve o mercado brasileiro fechado na segunda e na terça-feira -, a moeda norte-americana recuou 2,96% no acumulado destes três dias de negociações, sendo o maior declínio semanal visto desde 17 de julho de 2009, quando ela caiu 3,7% no período.

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em alta na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,27%, avanço de 0,03 ponto percentual em relação à última semana.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,56% de seu valor de face, alta de 0,40% na variação semanal.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 209 pontos-base, queda de 9 pontos em relação à última semana.