Resumo Diferencial

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O mercado brasileiro terá um cenário positivo ao qual se ajustar nesta quarta-feira (3), após permanecer fechado na terça-feira devido ao feriado de Finados. O dia foi positivo não apenas para as ações internacionais, mas também para as commodities, com o petróleo atingindo a maior cotação em seis meses em Nova York.

O clima positivo da sessão deve-se especialmente à perspectiva de anúncio do QE2 nos Estados Unidos. Com o primeiro dia de reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), as expectativas em torno da segunda rodada de flexibilização quantitativa tomaram conta do mercado, que fala em um pacote entre US$ 500 milhões e US$ 1 trilhão. A decisão do Federal Reserve sobre se haverá realmente novas medidas, qual o montante e a duração delas, será divulgada na próxima quarta-feira, às 16h15 (horário de Brasília).

Mas não foi apenas o Fed que ficou em foco nos Estados Unidos nesta terça-feira. O dia também foi marcado pelas eleições para os governos estaduais e para o Congresso norte-americanos. A projeção é de que os republicanos aumentem sua parcela de participação em ambas as esferas, conforme seguem as apurações.

Dessa forma, o índice Nasdaq Composite fechou em alta de 1,15%, acompanhado pelo S&P 500, que subiu 0,78%. Já o Dow Jones apresentou alta de 0,58% na sessão.

Europa
No Velho Continente, as atenções também voltaram-se para o encontro do Fomc, como não poderia deixar de ser. A reunião não importa somente pela quantidade de liquidez a ser injetada na maior economia do mundo, mas também pelos efeitos que terá na política monetária do BCE (Banco Central Europeu) e do BoE (Bank of England), sendo que ambos reúnem-se na próxima quinta-feira, menos de um dia depois do anúncio do Fed.

Por lá, os investidores também observaram os dados da Markit Economics, que mostraram um crescimento maior do que o esperado nas indústrias manufatureiras da Europa, baseado no fortalecimento da demanda por exportações. De acordo com a instituição, o índice de manufatura da Zona do Euro subiu de 53,7 para 54,6 pontos na passagem de setembro para outubro, acima da prévia, que apontava 54,1 pontos.

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Nesse cenário, o índice FTSE 100, da bolsa de Londres, apresentou valorização de 1,10%, enquanto o CAC 40, da bolsa de Paris, fechou em alta de 0,64% e o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, apresentou uma alta de 0,75%.

Política monetária internacional
Enquanto o mercado aguardava ansioso a reunião do Federal Reserve para discutir um novo pacote de flexibilização monetária, as autoridades monetárias da Austrália e da Índia surpreenderam ao anunciarem um aperto em suas respectivas políticas, elevando as taxas básicas de juros para combater a inflação.

O banco central da Austrália informou o aumento da taxa overnight em 0,25 ponto percentual para 4,75% ao ano – a primeira elevação depois de seis meses de manutenção. Na Índia, a autoridade monetária também elevou a taxa de redesconto em 0,25 ponto percentual, para 6,25% ao ano. A taxa de recompra reversa subiu para 5,25% ao ano.

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BG eleva projeções, Petrobras comunica produção
Na cena corporativa, o BG Group anunciou um aumento de 2,7 bilhões de boe (barris de óleo equivalente) nas suas estimativas de recursos brutos nos poços de Tupi, Iracema e Guará, todos localizados na Bacia de Santos, no Brasil. O teto da nova projeção atinge 10,8 bilhões de boe, sendo que os números são certificados pela consultoria Miller and Lents.

Ainda no setor de petróleo e gás, a Petrobras divulgou na noite da última segunda-feira que sua produção média de petróleo e gás natural no Brasil e no exterior foi de 2,53 milhões de boed (barris de óleo equivalente por dia), contra a produção de 2,599 milhões de boed em agosto. Já a produção média de óleo e LGN no Brasil foi de 1,944 milhão de bpd (barris de petróleo por dia), 3,9% abaixo da produção de agosto (2,023 milhões bpd).

Brasil
Não é porque o mercado brasileiro permaneceu fechado que o dia não teve notícias importantes por aqui. A presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), encaminhou ao Governo Federal nesta terça-feira a lista com os nomes de sua equipe de transição, estimada em cerca de 30 pessoas.

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Embora os detalhes não tenham sido revelados, a Agência Brasil informou que o início dos trabalhos do grupo está previsto para a próxima segunda-feira (8) e deve ser coordenada pelo vice-presidente Michel Temer. Segundo o veículo, também irão compor o grupo ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci; o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o secretário-geral do partido, José Eduardo Cardozo.

Sobre as eleições presidenciais, outro ponto que ficou em foco foi a avaliação dos impactos da vitória de Dilma pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s. “Nós esperamos uma continuidade da direção das políticas implementadas durante a administração do presidente Lula”, afirmaram os analistas de crédito Sebastian Briozzo e Joydeep Mukherji, que assinam a nota da agência.

Segundo eles, o risco para o rating brasileiro permanece limitado, conquanto a próxima administração “reafirme seu comprometimento com a prudência fiscal”. Por outro lado, uma elevação da nota poderia ser acelerada caso reformas fiscais fossem adotadas. “Avanços em reformas fiscais que dão ao Governo uma maior flexibilidade fiscal poderiam definitivamente acelerar o momentum de melhora creditícia do Brasil”, concluem.

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Vale lembrar que o Brasil está entre os países que possuem grau de investimento conforme a classificação da S&P, com rating “BBB-“ e perspectiva estável.

Índice de ADRs brasileiros fecha em alta
O índice Dow Jones Brazil Titans, que lista os 20 principais ADRs de empresas brasileiras negociados na bolsa de Nova York, fechou com alta de 1,41%, atingindo 36.489 pontos.

Dentre os papéis negociados na Nyse, os destaques positivos ficaram com a Gafisa e com o Bradesco, cujos ADRs subiram 4,16% e 3% nesta sessão. A CSN também operou na ponta positiva, subindo 2,54%, enquanto a Vale viu seus papéis lastreados em ações preferenciais e ordinárias avançarem 2,71% e 1,85%, respectivamente. Por fim, a Petrobras registrou alta de 1,30% e 1,57% nos ADRs de ações PN e ON, nesta ordem.

Vale lembrar que após operar no campo positivo durante todo o intraday, o Ibovespa encerrou a sessão de segunda-feira (1) em alta de 1,26%, a 71.560 pontos. Com esta performance, o índice atingiu sua maior pontuação de fechamento desde 18 de outubro, quando ficara em 71.735 pontos. O volume financeiro do dia foi de R$ 4,79 bilhões, esvaziado pelo feriado de Finados.

Já o dólar comercial fechou cotado a R$ 1,7060 na compra e R$ 1,7080 na venda, alta de 0,29% em relação ao fechamento anterior, enquanto o mercado de juros futuros encerrou em queda. No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,14% em 140,00% do valor de face. 

O risco-País registrou variação negativa de cinco pontos-base em relação ao fechamento anterior, ficando em 170 pontos-base.

Bolsas em alta nesta quarta-feira
À espera da divulgação dos próximos passos da autoridade monetária norte-americana, a quarta-feira começa positiva no pré-market em Wall Street, ao passo que na Europa, as principais bolsas também operam em tendência de alta, influenciadas por seus noticiários locais.

Apesar de já haver praticamente um consenso sobre a adoção de políticas de flexibilização por parte do Federal Reserve ao fim da reunião, provavelmente sob a forma de compra de títulos, o mercado aguarda as definições sobre o tamanho e a duração do pacote a ser anunciado pelo banco central dos Estados Unidos nesta quarta.

“Esperamos um anúncio de medidas quantitativas na conclusão da reunião de hoje”, comenta Paul Donovan do UBS, afirmando ainda não acreditar que as declarações do Fed devam conter motivos para o que chamou de “choque e pavor”. Por ora, os índices futuros do S&P, Nasdaq e Dow Jones avançam 0,11%, 0,08% e 0,09%, respectivamente.

Agenda dos EUA
Mas a quarta-feira não conta apenas com o Fed para movimentar os mercados. O dia também trará o ADP Employment, contabilizando o saldo de vagas criadas ou perdidas no setor privado dos EUA durante o último mês. Vale lembrar que o indicador serve de prévia para o Employment Report, esperado para a sexta-feira.

A agenda de indicadores continua com o Factory Orders, trazendo a medição dos pedidos feitos à indústria norte-americana durante setembro, e o ISM Services, mensurando o nível da atividade não industrial nos EUA em outubro. Investidores também devem ficar atentos ao relatório semanal sobre a situação dos estoques de petróleo e à divulgação das vendas de carros nos Estados Unidos durante o mês passado.

Resultados e política
Além das especulações em torno do Federal Reserve e da agenda econômica, o noticiário corporativo também impacta os negócios em Wall Street nesta manhã, com foco à divulgação dos números da AOL, Qwest Communications International e da Garmin.

Sem sair de Washington, o destaque do dia também fica por conta dos resultados das eleições legislativas realizadas na última terça-feira nos EUA, dando ao partido republicano o controle da câmara de representantes após quatro anos de posse democrata. Além disso, embora não tenham sido capazes de tomar a maioria governista no senado, os republicanos tiveram avanços significativos na casa.

De acordo com projeções divulgadas pela imprensa local – uma vez que a contagem dos votos não foi oficialmente encerrada -, ao menos 52 vagas na Câmara de Representantes que anteriormente estavam sob posse dos democratas devem ir para o partido Republicano, dando a estes a maioria na Casa.

Porém, um certo alento aos democratas foi o fato de os republicanos terem fracassado no objetivo de tomar a maioria no Senado. Os democratas conquistaram vitórias importantes em estados como Virginia Ocidental e Califórnia, o que acabou com as ambições dos republicanos de reverter dez cadeiras dos oponentes para obter a supremacia na casa.

Segundo a avaliação de Paul Donovan, o resultado em nada deve alterar o comportamento dos mercados, uma vez que já era “amplamente aguardado pelos investidores”.

Clima indefinido na Europa
Na Europa, o clima também é positivo aos negócios. O FTSE 100, principal benchmark da bolsa de Londres, trilha valorização de 0,21%, ao passo que o DAX 30, de Frankfurt, sobe 0,32%. Já o CAC 40, de Paris, mostra alta, de 0,56%.

Na França, a principal referência que embala os negócios vem do setor financeiro. O Société Générale anunciou nesta manhã um lucro líquido de € 896 milhões auferido ao longo do terceiro trimestre deste ano, cifra bem recebida pelos investidores, levando os papéis do banco a listarem alta de 3,66% em Paris.

O setor financeiro movimenta também os negócios em Londres. A convite do governo do Reino Unido, António Horta Osório assume a presidência executiva do banco LLoyds Bank. O gestor sai da parte londrina do banco espanhol Santander. Após o anúncio, as ações do Lloyds sobem 3,49% na capital inglesa, enquanto as do Santander caem 0,93% em Madri.

Dos bancos ao setor automobilístico, destaque negativo à BMW, cujas ações apresentam queda de 0,50%, embora a empresa tenha divulgado fortes resultados. O lucro líquido do terceiro trimestre da montadora subiu para € 874 milhões, de € 78 milhões no mesmo período um ano atrás.

Brasil
No panorama nacional, o destaque fica por conta da balança comercial de outubro, que já deve trazer o impacto da apreciação do real frente ao dólar. Ainda por aqui, a Fundação Getulio Vargas apresentou o IPC-S (Índice de Preços do Consumidor Semanal), marcando inflação de 0,59% na semana terminada em 31 de outubro último, taxa 0,07 ponto percentual maior que a apurada na medição anterior.

Na esfera corporativa, os investidores também deverão permanecer atentos à continuação da temporada nacional de resultados, que conta com nomes de peso, como AmBev, Itaú Unibanco e Cielo.

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