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Com forte queda das ações do setor imobiliário e dos bancos, o Ibovespa acompanhou o clima negativo em Wall Street e encerrou a sessão desta terça-feira (9) com desvalorização de 1,35%, a 71.679 pontos. O volume financeiro do dia ficou em R$ 6,80 bilhões.
Depois de ter iniciado o pregão em alta, o índice mudou de trajetória ao longo do dia em meio a rumores de mercado. Corre no mercado a informação que o Banco Central fará um importante comunicado após o fechamento das bolsas. A expectativa pelo anúncio pressionou fortemente as ações dos bancos neste pregão.
Fonte ouvida pela InfoMoney que não quis se identificar disse que a autoridade monetária pode anunciar uma intervenção no Banco Panamericano, que teria quebrado. Nesta terça-feira a baixa do papel foi de 6,75%.
Entre os muitos boatos que correm no mercado estão: a redução voluntarista da taxa de juros em 2011; a hipótese da saída de Roger Agnelli da Vale, com a eleição para o cargo do atual presidente da Previ, Ricardo Flores, indicado à presidência do Conselho da empresa; redução da meta de inflação; saída de Meirelles do Banco Central, passando o cargo para o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e; a nomeação de Abílio Diniz ao Ministério do Desenvolvimento.
Destaques da Bolsa
A ponta negativa do índice foi dominada por ações do setor imobiliário e de bancos. De acordo com a Bloomberg, a Cyrela contratou o Banco do Brasil, o Credit Suisse, o Itaú Unibanco e o Morgan Stanley para organizarem encontros com investidores de títulos na Ásia, Europa e Estados Unidos.
O pregão foi de forte queda para as ações dos principais bancos listados na bolsa. O índice IFNC cedeu 2,36% no dia e chegou nos 3.944 pontos. No Ibovespa, o Santander Brasil teve a segunda maior queda do pregão. Os papéis de Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil tiveram baixa de mais de 2%. Entre os bancos de médio porte, destaque para a forte desvalorização das ações do BicBanco.
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Do outro lado do Ibovespa, as ações da ALL fecharam como líder entre os ganhos. A empresa divulgou nesta manhã o resultado do terceiro trimestre de 2010.
Agenda
Divulgado pelo IBGE, o IPCA, medida oficial da inflação doméstica, registrou elevação de 0,75% nos preços durante o mês de outubro. A inflação superou as projeções.
Nos Estados Unidos, o nível dos estoques no atacado surpreendeu ao avançar mais do que as expectativas no mês de setembro. O indicador Wholesale Inventories demonstrou que os estoques do atacado do país subiram 1,5% no período, frente à elevação esperada pelo mercado de 0,6%.
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Discursos & China
O dia também foi marcado por discursos sobre o mercado de câmbio. Antes de embarcar para Seul, onde será realizada a reunião do G-20 – entre quinta-feira e sexta-feira -, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a guerra cambial nada mais é que um protecionismo disfarçado, motivado por desvalorizações artificiais que podem levar o mundo a uma profunda crise.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou após reunião com o presidente da Indonésia nesta terça-feira que o G-20 ainda tem muito trabalho a fazer sobre a economia global e que ainda não foi acertado um modelo de crescimento equilibrado, fazendo uma citação indireta ao modelo chinês.
A fala de Obama veio no mesmo dia em que a Administração Estatal de Câmbio Externo, órgão regulador chinês do mercado de câmbio, anunciou medidas para restringir o fluxo de dólares no país. O vice-ministro Zhu Guangyao, afirmou que os EUA devem “se dar conta de sua responsabilidade e obrigações como país emissor de moeda de reserva e adotar políticas macroeconômicas responsáveis”, acirrando o clima antes da reunião.
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Completando as falas do dia, Welber Barral, secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, acredita que se a reunião do G-20 terminar sem um consenso sobre a questão cambial, haverá uma guerra comercial entre as principais potenciais do mundo, com aumento do protecionismo.
Dólar
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,6970 na compra e R$ 1,6990 na venda, estável em relação ao fechamento anterior. O dólar acumula desvalorização de 0,23% em novembro, frente à alta de 0,65% registrada no mês passado. No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 2,42%.
A sessão foi marcada por dois novos leilões de compra de dólares por parte do Banco Central. O primeiro, entre 12h00 e 12h15, a taxa de corte fora em R$ 1,6953, enquanto o segundo, por volta de 15h40, contou com uma taxa de corte em R$ 1,6991.
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Renda Fixa
As taxas dos principais contratos de juros futuros encerraram a sessão desta terça-feira em alta, como resposta aos dados do IPCA referentes a outubro. Também pesou na alta das taxas declarações sobre a possibilidade de redução das metas de inflação no governo Dilma. O contrato de juros de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2012, fechou com taxa de 11,50%, 0,07 ponto percentual acima do fechamento anterior.
No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,03% em 140,20% do valor de face.
O risco-País registrou variação negativa de seis pontos-base em relação ao fechamento anterior, ficando em 172 pontos-base.
Bolsas sem tendência nesta quarta-feira
Enquanto as atenções seguem na tensão pré-reunião do G-20, a quarta-feira (10) traz desdobramentos interessantes no âmbito internacional, tanto em relação às expectativas sobre a economia europeia quanto acerca do cronograma de compras de ativos pelo Federal Reserve.
Mostrando as incertezas intrínsecas à agenda do dia, os mercados acionários operam sem tendência definida nesta manhã. Nesse sentido, os principais índices de países europeus operam em queda: o CAC 40, da bolsa de Paris, se destaca, caindo 0,55%. Já o FTSE 100, da bolsa de Londres, negocia em leve baixa de 0,44%, enquanto o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, desvaloriza-se 0,29%.
O mercado futuro dos Estados Unidos ruma na direção contrária, registrando leve alta no início da quarta-feira. Os contratos futuros do S&P 500, do Nasdaq e do Dow Jones, negociados na Chicago Mercantile Exchange, avançam 0,05%, 0,02% e 0,10%, respectivamente.
A agenda de indicadores econômicos ainda traz a balança comercial, o volume de pedidos de auxílio-desemprego e o orçamento do Tesouro dos Estados Unidos, enquanto o presidente do BCE (Banco Central Europeu) falará sobre a crise financeira durante a tarde.
Relatório de inflação
O documento trimestral sobre a inflação do Reino Unido, divulgado pelo BoE (Bank of England) nesta manhã, mostrou a expectativa de que o aumento dos preços permaneça acima da meta do banco central, de 2%, em 2011.
Ainda na Europa, o Wall Street Journal reportou que a chanceler alemã, Angela Merkel, declarou que os esforços de resolução da crise na Europa devem ser pagos “por aqueles que ganham emprestando dinheiro” e não apenas pelos contribuintes.
Dados chineses
Outro ponto a impactar os negócios nesta sessão são os dados da balança comercial da China. Ao mesmo tempo em que os Estados Unidos recuaram em sua proposta de limitar os superávits comerciais, o governo chinês anunciou que o saldo positivo da balança atingiu US$ 27,15 bilhões em outubro, bem acima dos US$ 16,9 bilhões vistos em setembro.
Brasil
Por aqui, as atenções voltam-se à temporada de resultados, que trouxe os números da BM&F Bovespa e da Vivo. Porém, o mercado também deve ficar atento aos rumores de fraude no banco Panamericano, o que pode influenciar as ações do setor.
Na agenda econômica, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a produção industrial recuou em nove das 14 regiões brasileiras pesquisadas na passagem de agosto para setembro deste ano.