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Em uma sessão instável marcada pelas indefinições do programa Quantitative Easing 2 nos Estados Unidos, o Ibovespa encerrou esta quarta-feira (27) em baixa de 0,24%, a 70.568 pontos. O volume financeiro do dia alcançou os R$ 7,13 bilhões.
Apesar desta queda, o índice chegou a operar no campo positivo no meio da tarde, influenciado pela reversão de tendência dos papéis da Petrobras.
Os mercados repercutiram nesta data o rumor de que o Federal Reserve não atuará como imagina-se para estimular a economia norte-americana. Segundo o Wall Street Journal, o Fed não deverá ultrapassar a casa dos bilhões na compra de Treasuries, enquanto o mercado estipula US$ 1 trilhão ou mais. Também pesaram as referências negativas dentro da temporada de resultados corporativos, tanto lá fora quanto aqui.
Destaques da bolsa
Liderando as perdas do Ibovespa neste dia, as ações do Bradesco repercutiram os resultados do terceiro trimestre. O Barclays disse em relatório que esperava um maior crescimento do crédito e menores custos.
Outra blue chip em destaque foi a Vale, que viu seus papéis caírem. Além da expectativa pelos seus números trimestrais, esperados para esta quarta-feira, a mineradora afirmou na última terça que a substituição de Roger Agnelli na presidência da companhia jamais foi tratada entre os acionistas nem fez parte da pauta do seu Conselho de Administração. Há rumores de que caso a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja eleita presidente do País no próximo domingo, Agnelli seria substituído no cargo.
Na ponta compradora do índice, destaque para as ações da Petrobras. Depois de iniciar o pregão desta quarta-feira em baixa, os papaéis inverteram o sinal repercutindo pela tarde o noticiário em torno da exploração das reservas do pré-sal.
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A estatal confirmou o início das operações do primeiro sistema definitivo de produção em Tupi, através do navio-plataforma Cidade de Angra dos Reis. Sobre a operação, José Miranda Formigli, gerente de exploração e produção para o pré-sal, afirmou que Tupi poderá produzir até 75 mil barris diários de petróleo no final do próximo ano.
A Petrobras também confirmou pela manhã a perfuração do primeiro poço em águas profundas da Bacia de Sergipe-Alagoas. Nesta porção, a Petrobras encontrou petróleo de semelhante qualidade do visto na Bacia de Campos. Em entrevista nesta tarde, Mário Carminatti, gerente-executivo de Exploração e Produção da estatal, declarou que a reserva na bacia de Sergipe-Alagoas é dimensionada em “dezenas de milhões” de barris.
O setor imobiliário, representado pelas ações de Gafisa e Cyrela, dominou o topo do ranking das maiores altas do Ibovespa neste pregão.
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Agenda
No front doméstico, a confiança do consumidor se manteve praticamente estável ao apresentar alta de 0,1% entre setembro e outubro deste ano, passando de 121,7 pontos para 121,8 pontos, de acordo com o ICC, medido pela FGV.
Ainda por aqui, o Banco Central informou que em outubro, até o dia 22, foram adquiridos US$ 6,630 bilhões no mercado cambial à vista. O fluxo cambial nos primeiros 15 dias úteis do mês ficou positivo em US$ 4,314 bilhões.
O número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria dos EUA veio melhor que o esperado pelo mercado durante setembro. O indicador Durable Good Orders exibiu alta de 3,3% no referido mês, número melhor que o previsto por analistas, que estimavam avanço de 1,8%. Os dados de agosto foram revisados para uma queda de 1,0%.
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No mesmo sentido, o número de casas novas vendidas nos EUA em setembro ficou acima do esperado pelo mercado. No mês, o New Home Sales marcou vendas anualizadas de 307 mil casas, número superior às expectativas do mercado (299 mil). Cabe lembrar que em agosto o resultado revelou vendas de 288 mil casas, de acordo com os dados revisados.
Dólar
O dólar comercial encerrou esta quarta-feira em alta de 0,94%, cotado a R$ 1,722 na venda, com novas intervenções por parte do Banco Central e receios quanto ao programa de flexibilização quantitativa do Federal Reserve.
Por aqui, a autoridade monetária realizou mais uma vez dois leilões de compra de dólares nesta sessão. O primeiro, por volta de 11h40, contou com uma taxa de corte em R$ 1,7045. O segundo, entre 16h10, teve taxa aceita em R$ 1,7214.
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Renda Fixa
O mercado de juros futuros encerrou em queda. O contrato de juros de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2012, fechou com taxa de 11,36%, baixa de 0,01 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.
No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,36% em 139,55% do valor de face.
O risco-País não registrou variação em relação ao fechamento anterior, permanecendo em 174 pontos-base.
Bolsas em alta nesta quinta-feira
Com atenção redobrada sobre os estímulos de autoridades monetárias, os principais índices de ações globais são favorecidos por novos resultados corporativos e operam no campo positivo nesta quinta-feira (28).
Assim, os mercados futuros dos EUA têm leve alta, enquanto as atenções voltam-se novamente para a expectativa relativa a novos estímulos quantitativos pelo Federal Reserve, que manteria conversas com investidores em renda fixa para tentar descobrir a sensibilidade do mercado ao tamanho do seu pacote de estímulos.
Irônico, o economista do banco suíço UBS, Paul Donovan, afirmou que “se o Fed deseja clareza de pensamento, era melhor perguntar aos economistas”.
Também na Europa, os investidores são influenciados pela temporada de resultados, com destaque para a surpresa favorável com o desempenho da Shell, levando os principais mercados do continente a operar em alta.
Euforia x Cautela
“Enquanto as preocupações com o desequilíbrio monetário persistem (…), os resultados corporativos (satisfatórios) fazem o seu papel de atrair investidores para a renda variável”, apontou a equipe de análise da Ágora Corretora, em relatório.
Ainda assim, os investidores devem permanecer cautelosos em relação ao cenário fiscal, em função de eventos recentes, como a falta de acordo em Portugal para a aprovação do orçamento no parlamento.
“A quarta-feira provou ser um dia significativo para Irlanda, Portugal e Grécia, com forte alta nos spreads no rendimento de títulos e CDS (Credit Default Swaps). A única notícia positiva veio da Espanha”, apontou a equipe do Société Générale em relatório.
Do lado de lá
Já na Ásia, o fechamento negativo dos índices de referência para as bolsas de Tóquio e Xangai reflete expectativas desfavoráveis trazidas pelos bancos centrais.
No Japão, o BoJ (Bank of Japan) detalhou o programa de compra de ativos de ¥ 35 trilhões anunciado no começo deste mês, além de manter a taxa básica de juro entre 0% e 0,1% e reduzir as projeções de expansão da economia local, ao passo em que a autoridade monetária chinesa apontou riscos para o cenário inflacionário relativo a commodities.
Cenário corporativo
No plano dos resultados corporativos, destaque para o desempenho da petrolífera Shell, que apresentou desempenho melhor que o esperado pelo mercado, com expansão de 88% do lucro ajustado pelo impacto de flutuações no preço de petróleo e outros itens não recorrentes, atingindo US$ 4,93 bilhões, levando seus papéis a uma alta de 1,0% em Londres.
Também os resultados de companhias como a Dow Chemical são recebidos de modo favorável, com os papéis da petroquímica operando em alta de 2,53% no pré-market de Nova York. Já na Ásia, a Canon viu suas ações registrarem alta de 3,73%, depois de a companhia elevar o guidance para lucro no restante do ano de ¥ 240 bilhões para ¥ 245 bilhões.
Mercado doméstico
Internamente, os investidores devem avaliar o desempenho trimestral de empresas como Usiminas e Santander Brasil, que registraram lucro líquido de R$ 495 milhões e R$ 1,935 bilhão, respectivamente, além da mineradora Vale, cujo desempenho entre julho e setembro foi considerado “muito forte” pelos analistas do Citigroup, com lucro líquido recorde de R$ 10,6 bilhões.
Entre os indicadores domésticos, destaque para o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que em outubro apontou inflação de 1,01%, maior que o esperado pelo mercado.
Assim, o Brasil sofre com riscos inflacionários de curto prazo, de acordo com a ata da última reunião do Copom (Comitê de política monetária), ocorrida no último dia 20. Entretanto, a autoridade monetária mantém a percepção de concretização de um cenário inflacionário benigno, dada a desaceleração maior que o esperado da economia doméstica e potencial reversão da recuperação da economia global.