Resumo Diferencial

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Destoando do clima positivo nos principais mercados internacionais, o Ibovespa encerrou a sessão de quinta-feira (28) em baixa de 0,35%, a 70.320 pontos. O índice foi influenciado pela baixa dos papéis da Vale, mas teve seu movimento amenizado pela valorização das ações da Petrobras. O volume financeiro do dia chegou a R$ 6,77 bilhões.

Por aqui, a ata da última reunião do Copom foi o principal destaque da agenda econômica. No documento, a autoridade apontou que há uma percepção favorável quanto ao rumo da inflação nos próximos meses, “consistente com a trajetória de metas”. Mas, “caso a inflação não convirja tempestivamente para o valor central da meta estabelecida pelo CMN, a política monetária atuará a fim de redirecionar a dinâmica dos preços e, portanto, assegurar que a meta seja atingida”, revelou a ata.

Destaques
As ações da Redecard lideraram a ponta vendedora do índice. A companhia revelou na véspera seus resultados do 3T10, que, em geral, ficaram abaixo das expectativas do mercado. As principais razões apontadas pelos analistas para esse resultado são a queda da receita bruta, perda de Net MDR (taxa cobrada dos estabelecimentos por operação realizada) e o aumento das despesas operacionais.

Também no clima da temporada de resultados, as ações da Vale tiveram queda após a empresa divulgar seu balanço financeiro na véspera – o melhor resultado da história da mineradora. O lucro líquido no terceiro trimestre de 2010 – de R$ 10,6 bilhões – representou avanço de 253% sobre o mesmo período do ano anterior. Deste modo, após classificar como um resultado muito forte, os analistas do Citigroup reiteraram a recomendação de compra para os papéis da mineradora, que ainda anunciou que pagará juros sobre capital próprio na sexta-feira, no valor de R$ 3 bilhões.

Cabe lembrar anda que nesta sessão o conselho de administração da Vale aprovou o orçamento de investimentos de US$ 24 bilhões para o ano de 2011, montante 125,1% superior aos US$ 10,662 bilhões gastos nos últimos 12 meses findos em 30 de setembro deste ano.

Do outro lado do mercado, as ações do setor siderúrgico, que têm amargado um desempenho ruim nas últimas semanas, apareceram entre os destaques de alta do Ibovespa. As ações da Usiminas lideraram os ganhos do índice na sessão, seguidas pela Gerdau.

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Pela manhã, a Usiminas reportou seus números do terceiro trimestre, período no qual registrou lucro líquido de R$ 495 milhões, ante um lucro de R$ 433 milhões auferidos no mesmo período de 2009 – uma alta de 14%. Além disso, a receita líquida e o Ebitda da companhia também apresentaram melhora em seu desempenho na comparação anual.

Entretanto, esse não é o único vetor que pode estar impulsionando os ganhos. A Itaú Corretora elevou a recomendação aos ativos preferenciais da Usiminas para outperform – desempenho acima da média do mercado. O motivo para a elevação é o rumor citado pelos analistas Marcos Assumpção e Alexandre Miguel de que é crescente a possibilidade de elevação da tarifa de importação de aço, de 12% para 18%, além da implementação de novas medidas exigidas pelo setor.

Agenda
No front doméstico, o IGP-M apontou inflação de 1,01% em outubro, taxa 0,14 ponto percentual menor do que a vista no mês anterior. Esse resultado supera a mediana das expectativas de inflação mostradas no último relatório Focus, que apontava avanço de 0,90% no índice.

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Ainda no noticiário interno, a atenção também recaiu sobre as palavras do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Segundo Meirelles, os países devem tomar medidas para proteger suas próprias moedas enquanto não é arquitetado um plano de solução global para o câmbio, defendendo as medidas adotadas recentemente para frear a valorização do real. “Teremos um momento importante agora, que será a reunião dos chefes de Estado do G-20”, afirmou o presidente.

Lá fora, o foco ficou com o Initial Claims. O indicador, que mede o número de novos pedidos de auxílio desemprego nos EUA, serve como termômetro da atividade econômica do país. Na última semana, foram requeridos 434 mil novos benefícios, abaixo das projeções do mercado, que aguardavam 458 mil solicitações.

Outro texto importante publicado nesta sessão foi o relatório “Currency Appreciation Pressures Create Challenges for EM Sovereign Credits”, da agência de classificação de risco Moody´s. Segundo Patrick Esteruelas, analista sênior que assina o relatório, os bons fundamentos econômicos que permeiam os países emergentes favorecem a valorização das moedas, principal desafio do grupo neste momento.

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“A maneira como os governos e as autoridades dos bancos centrais responderam depende de suas prioridades políticas e sua capacidade de intervir de maneira agressiva e eficaz no mercado”, afirmou o analista, que complementa – “Acompanharemos de perto o potencial efeito dessas ações no ritmo dos fluxos de capital para as economias emergentes, e como esses países enfrentam este desafio”.

Dólar
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,7120 na compra e R$ 1,7140 na venda, baixa de 0,46% em relação ao fechamento anterior. Apesar desta queda, o dólar acumula valorização de 1,30% em outubro, frente à baixa de 3,70% registrada no mês passado. No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 1,56%.

A autoridade monetária brasileira realizou mais uma vez dois leilões de compra de dólares nesta sessão. O primeiro, por volta de 12h35, contou com uma taxa de corte em R$ 1,712. O segundo, entre 16h15, teve taxa aceita em R$ 1,7133.

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Renda Fixa
O mercado de juros futuros encerrou sem tendência definida. O contrato de juros de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2012, fechou com taxa de 11,36%, alta de 0,01 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,07% em 139,45% do valor de face.

O risco-País registrou variação negativa de quatro pontos-base em relação ao fechamento anterior, ficando em 170 pontos-base.

Bolsas no negativo nesta sexta-feira
À espera dos dados sobre a economia norte-americana, os principais índices de ações do globo operam no campo das perdas, em meio à recepção negativa da nova rodada de resultados corporativos nesta sexta-feira (29).

Dia de PIB (Produto Interno Bruto) nos EUA é sempre assim: antes, a ansiedade em torno das projeções – que giram em torno de expansão de 2,0%. Depois, a constatação de que a economia do país ainda é fundamental para a definição da trajetória de crescimento global.

À espera de um milagre?
Além dos indicadores nos EUA, os investidores recebem negativamente os dados sobre desemprego na Zona do Euro, cuja taxa cresceu para 10,1% no mês de setembro, ao passo em que a estimativa de inflação anual chegou a 1,9% em outubro, segundo dados divulgados pela Eurostat.

Assim, os principais índices das bolsas europeias operam em queda, também pressionados pelo declínio das principais commodities, sendo acompanhados pelos mercados futuros norte-americanos.

Entretanto, nem todos apostam na continuidade da pressão de curto prazo. “Nós permanecemos otimistas em relação às commodities para 2011, em parte por conta do apertado equilíbrio de mercado, bem como pelo dólar mais frágil”, apontou a analista Christin Tuxen, do Danske Bank, em relatório. Já o economista do UBS, Paul Donovan, alerta “não subestimem o hedonismo do consumidor norte-americano”.

De olho na política
No cenário político, o mercado aguarda pelo anúncio de programa para incentivo aos investimentos nos EUA, durante pronunciamento do presidente Barack Obama, por meio do abatimento de gastos com bens de capital em impostos. Do outro lado do atlântico, os chefes de governo da União Europeia decidiram fixar como permanentes os mecanismos de monitoramento da dívida na região.

Ademais, de acordo com analistas da Ágora Corretora, “ainda temos as ‘amarras’ do desequilíbrio monetário – com a fraqueza do dólar -, além da expectativa com a postura do G-20 em importante encontro na Coreia do Sul”. Não é demais recordar que este é o último pregão antes da definição do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.

Noticiário corporativo
A importância dos indicadores divulgados nesta sessão quase ofusca os dados de peso no segmento corporativo, com destaque para os resultados melhores que o esperado da japonesa Sony e da petrolífera francesa Total, cujo lucro cresceu 47% no terceiro trimestre, na passagem anual.

A reação dos investidores, entretanto, é negativa, tendo os papéis da fabricante de eletrônicos japonesa fechado em queda de 1,3%, ao passo em que a Total vê suas ações em baixa de 0,9% em Paris. Também os papéis das empresas aéreas Iberia e British Airways registram queda, após a divulgação do desempenho trimestral.

Cenário doméstico
No Brasil, o principal destaque fica por conta da continuidade da temporada de resultados, com a divulgação dos dados da TIM Participações antes da abertura do mercado, bem como pela definição do rateio no âmbito da oferta da Brasil Insurance.

Ademais, os investidores acompanham a elevação do ICI (Índice de Confiança da Indústria), calculado pela FGV (Fundação Getulio Vargas), desta vez de 0,5% na passagem mensal, passando para 114,0 pontos, ao passo em que aguardam a divulgação da nota de política fiscal do Banco Central.

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