Resumo Diário

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A Europa voltou a preocupar no início desta semana, trazendo novamente um clima de cautela nos principais mercados internacionais. Apesar de ter se recuperado no final da sessão, o Ibovespa caiu 0,47%, para 67.908 pontos, perdendo o patamar de 68 mil auferidos ao final da última semana. O volume financeiro foi de R$ 5,19 bilhões.

Os mercados começaram a semana novamente preocupados com a situação na Europa, depois que, no último final de semana, a Irlanda acertou um pacote de ajuda à sua economia no montante de € 85 bilhões, sendo € 17,5 bilhões provenientes da própria Irlanda. Na avaliação dos analistas, o pacote ficou aquém do que era esperado, com alguns chegando a observar dificuldades para a Irlanda cobrir as necessidades de financiamento do governo para os próximos três anos.

Aliado a isso, os temores de que outros países do velho continente sofram com um contágio fiscal voltaram a ganhar forças. Segundo relatório do time de analistas do banco francês Société Générale, “o risco é que os líderes europeus tenham apenas – novamente – sido bem sucedidos em chutar a ‘lata’ mais adiante na rua”. Já o analista Frank Oland Hansen, do dinamarquês Danske Bank, acredita que essa incerteza deverá permanecer pelo menos até Portugal aceitar um aporte financeiro, fato que ele acredita que ocorrerá “antes do Natal”. A expectativa é que o próximo país a enfrentar problemas seja Portugal.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama disse que o país precisa corrigir seu curso fiscal no longo prazo, ao passo que se recupera da recessão. Neste sentido, Obama defendeu o congelamento dos salários dos funcionários federais em 2011 e 2012. A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Congresso norte-americano.

Destaques da bolsa
Por aqui, apesar da queda do Ibovespa, as ações da Petrobras fecharam o dia no campo positivo, amenizando as perdas do benchmark. A estatal anunciou na sexta-feira que recebeu propostas comerciais de diferentes companhias para três licitações destinadas à contratação de até 28 sondas de perfuração marítima para atender a demanda do pré-sal. O valor médio para cada licitação é de US$ 858,5 milhões, US$ 824,1 milhões e US$ 31,6 milhões. Além disso, a empresa voltou a negar que esteja estudando listar suas ações em Hong Kong.

No sentido contrário, as companhias aéreas ganharam espaço no noticiário corporativo por conta da restrição de vendas a passagens domésticas anunciada pela Anac. A medida visa limitar a série de atrasos e cancelamentos de voos vista nos últimos dias. Em resposta ao anúncio, as ações da TAM e da GOL registraram perdas nesta segunda.

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Do outro lado do Ibovespa, as ações da Cielo lideraram os ganhos do dia. A regulamentação de tarifas do setor de cartões, anunciada na última quinta-feira (25) pelo Banco Central, não deve trazer impacto aos papéis da Redecard e da Cielo, avaliou a analista-chefe da Ativa Corretora, Luciana Leocadio. “As novas regras estão mais relacionadas com os bancos, por isso, as ações das duas empresas não devem sofrer impacto algum desta nova regulamentação”, argumentou Luciana.

Agenda
Por aqui, a agenda econômica contou com uma piora nas projeções medidas pelo relatório Focus. Em relação à semana passada, o documento mostrou uma piora na mediana das projeções para o avanço do PIB de 2010, que passou de 7,6% para 7,55%. Já a estimativa de inflação para este ano subiu de 5,58% para 5,72%, aproximando-se do teto da meta do CMN, de 6,5%.

Já o IGP-M apontou inflação de 1,45% em novembro, taxa 0,44 ponto percentual maior do que a apurada no mês anterior. O resultado superou em 0,35 ponto percentual as projeções do mercado.

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Ainda no front doméstico, a dívida pública federal cresceu 1,15% entre setembro e outubro, chegando a R$ 1,645 trilhão. Deste total, a DPMFi teve seu estoque aumentado em 1,19%, chegando a R$ 1,553 trilhão, enquanto a dívida pública federal externa cresceu 0,49% na passagem mensal, para R$ 92,21 bilhões. Os dados publicados pelo Tesouro Nacional mostram que, apesar do avanço, a dívida pública federal ainda está dentro do PAF de 2010.

Também no cenário interno, o governo central, composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registrou superávit primário de R$ 7,715 bilhões no mês de outubro – o resultado não conisdera as despesas com juros da dívida pública. De janeiro a outubro deste ano, o esforço fiscal do governo central soma R$ 63,382 bilhões, o que corresponde a 2,19% do PIB.

Por fim, segundo o Inec (Índice Nacional de Expectativa do Consumidor), em relação a outubro, a confiança do consumidor recuou 1,3%, atingindo 119,1 pontos em novembro, enquanto no mês passado ela estava em 120,7 pontos.

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Responsabilidade Fiscal
A ministra indicada para o Planejamento, Miriam Belchior, afirmou nesta segunda que não há razão para que o mercado financeiro tema uma postura displicente na gestão fiscal. Segundo Miriam, o superávit primário para o próximo ano será de 3,1% do PIB, como determina o projeto de lei.

Seguindo a mesma linha, o vice-presidente eleito Michel Temer, do PMDB, afirmou que os investidores não devem ter dúvidas quanto ao compromisso do governo de Dilma Rousseff em gerar bons resultados das contas públicas para o próximo ano. “Não desconfiem do governo, o governo estará muito atento”, disse Temer em relação ao ajuste fiscal.

Dólar
Após alternar entre perdas e ganhos pela manhã e esboçar uma trajetória positiva durante a tarde, o dólar comercial reverteu essa tendência na reta final dos negócios, fechando esta segunda-feira com queda de 0,23%, cotado na venda a R$ 1,724. Apesar desta baixa, o dólar acumula valorização de 1,23% em novembro, frente à alta de 0,65% registrada no mês passado. No ano, a desvalorização da moeda norte-americana já chega a 0,99%.

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No front doméstico, o Banco Central manteve ativa sua rotina de intervenções no mercado cambial à vista, comprando dólares por meio de leilão. A operação ocorreu entre as 16h06 e as 16h11 (horário de Brasília) e contou com uma taxa de corte aceita em R$ 1,723.

Renda Fixa
Os principais contratos de juros futuros fecharam esta segunda-feira (29) em baixa no mercado futuro da BM&F, embora os contratos de longo prazo tenham mostrado alta nas taxas. O contrato de juros de maior liquidez nesta segunda-feira, com vencimento em janeiro de 2011, registrou uma taxa de 10,73%, 0,05 ponto percentual abaixo do fechamento de sexta-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,29%, 137,45% do valor de face. Já o indicador de risco-País teve variação positiva de sete pontos-base em relação ao fechamento anterior, atingindo 189 pontos.