Resumo Diário

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Apesar de ter seguido a aversão ao risco generalizada das bolsas internacionais nesta terça-feira (15), trazida pelo agravamento dos problemas nucleares no Japão, o Ibovespa reduziu as perdas durante a tarde, refletindo uma retomada de importantes blue chips e acompanhando a ligeira melhora em Wall Street após o Fed divulgar uma leitura econômica mais otimista no comunicado que acompanhou sua decisão de manter a taxa de juros nos EUA entre 0% e 0,25% ao ano. Assim, o principal índice de ações da Bovespa, que na mínima do dia chegou a cravar perdas de 2,54%, encerrou o pregão nos 67.005 pontos, com baixa de 0,24%. O giro financeiro foi de R$ 7,46 bilhões.

A aversão ao risco voltou a tomar conta dos principais mercados internacionais, após uma nova explosão na usina nuclear de Fukushima. Nesta terça-feira, o principal índice da Bolsa de Tóquio recuou mais de 10%, trazendo um efeito cascata às demais bolsas do globo. No início do dia, a AIEA informou que autoridades japonesas confirmaram o incêndio na Unidade 4 da planta nuclear e que a radioatividade foi liberada diretamente na atmosfera. O país também segue calculando os impactos econômicos do desastre que teve início na última sexta-feira.

Ante as preocupações derivadas dos desastres no Japão, o BoJ, que na véspera já havia atuado no sistema financeiro do país para garantir a liquidez do mercado financeiro no curto prazo, injetou mais ¥ 20 trilhões na economia japonesa nesta terça-feira, ou US$ 245 bilhões, numa tentativa de acalmar os investidores. A medida foi projetada para assegurar aos bancos liquidez suficiente para atender a demanda das empresas e famílias que buscam levantar recursos após as catástrofes.

Destaques do pregão
A virada de sinal dos bancos e a redução das perdas de blue chips como a Usiminas ao longo do dia ajudou o índice a amenizar sua queda nesta sessão.

Falando em Usiminas, após ter sido questionada pela BM&F Bovespa, a empresa informou nesta sessão que desconhece qualquer fato que possa justificar as recentes oscilações com as ações da companhia, após seguidas altas com base na especulação sobre a entrada da Gerdau em seu bloco controlador. A empresa aparece entre os destaques negativos do Ibovespa no pregão.

Quem também marca presença entre os papéis de piro performance é a Vale. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou na véspera que a mineradora está disposta a pagar sua dívida dos royalties pela exploração de minério de ferro, que pode chegar a R$ 5 bilhões. Além disso, a queda também pode ser vista como um reflexo da situação japonesa, já que o país é um dos principais consumidores do minério de ferro da empresa.

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Por outro lado, na ponta compradora do índice, destaque para as ações da GOL. A empresa anunciou uma elevação de 4,5% da demanda na malha aérea total da empresa no mês de fevereiro – em comparação com o mesmo mês de 2010 -, com uma taxa de ocupação de 71,2%, 0,5 ponto percentual maior que fevereiro de 2010, ao passo que a oferta cresceu 3,8%.

Brasil: emprego e varejo
Por aqui, os investidores estiveram atentos a dados do mercado de trabalho. O Ministério do Trabalho divulgou o Caged de fevereiro de 2011, quando foram criados 280,8 mil postos formais de trabalho, bem acima do recorde anterior para o mês, referente a 2010, que era de 209,4 mil vagas.

Ainda na cena doméstica, também ganharam destaque os dados de vendas do comércio varejista em janeiro. Segundo o IBGE, no primeiro mês deste ano, as vendas no varejo cresceram 1,2% em relação a dezembro e 8,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

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Perspectivas para o PIB
No mais, a economia deve crescer 4,2% em 2011, segundo Pesquisa de Projeções Macroeconômicas e Expectativa de Mercado realizada pela Febraban. O número representa uma ligeira queda frente a projeção de crescimento de 4,6% em 2011 auferida na última pesquisa da Febraban, em fevereiro.

De acordo com o economista-chefe da federação, Rubens Sardenberg, a inflação deve continuar preocupando, não só em 2011 mas também em 2012. De acordo com o estudo, em 2011 a inflação deverá fechar em torno de 5,8%, acima das expectativas anteriores. A grande novidade aparece em relação às expectativas para 2012, uma vez que o mercado passa a esperar um aumento da inflação também para o próximo ano. As projeções para o IPCA passaram de 4,6% para 4,8%.

Cena norte-americana
Nos EUA, além da decisão do Fed, também repercutiram nesta sessão importante indicadores econômicos. Ofuscado pela economia japonesa, a agenda norte-americana trouxe o NY Empire State Index, responsável por avaliar mensalmente a atividade industrial no país, o qual apresentou pontuação de 17,5 em fevereiro, superando os 17,0 esperados e os 15,43 pontos de janeiro.

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Já os preços de importação subiram 1,4% nos Estados Unidos ao longo de fevereiro, o quinto mês seguido de ganhos, informou o Departamento do Trabalho norte-americano. Economistas consultados pela Reuters esperavam que os preços de importações subissem 0,9% no período em questão.

Petróleo em queda
A continuidade dos conflitos na Líbia e o temor de contágio para outros países no norte da África e Oriente Médio são mais exemplos do quão conturbado se encontram os mercados globais. Os investidores atentaram para a ajuda de países vizinhos ao Bahrein, que declarou estado de emergência em meio em meio a fortes manifestações de opositores ao atual governo. A Fitch reduziu o rating do país nesta terça-feira

Assim, após acumular forte alta nas últimas semanas, a cotação do petróleo apresentou quedas em torno dos 4% em Londres e Nova York.

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Dólar
Depois de abrir o dia em alta próxima de 1%, o dólar comercial foi perdendo força durante a sessão e encerrou esta terça-feira em alta de 0,30%, cotado a R$ 1,667 na venda. A moeda norte-americana foi muita influenciada pela volatilidade vista no mercado de ações, repercutindo os incidentes na usina nuclear de Fukushima. Além disso, os investidores acompanharam de perto a reunião do Fed.

Por aqui, o Banco Central voltou a realizar leilões para a compra da divisa no mercado à vista. A primeira operação, que contou com taxa de corte aceita em R$ 1,670, ocorreu entre 12h18 e 12h23, enquanto a segunda teve início às 15h52 e término às 15h57, contando com taxa de corte de R$ 1,667.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam sem tendência definida no mercado futuro da BM&F, com as taxas de vencimento mais próximo oscilando entre a estabilidade e ligeiras quedas, e um movimento de alta nas taxas dos contratos de vencimento mais distante. O contrato de juros de maior liquidez nesta terça-feira, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 12,32%, estável em relação ao fechamento de segunda-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,08% em relação ao fechamento anterior, a 134,65% do valor de face.

Já o indicador de risco-País teve forte variação positiva de 10 pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 181 pontos.