Resumo Diário

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O principal índice da bolsa paulista até chegou a esboçar uma tendência positiva no início do pregão, na esteira do avanço das bolsas asiáticas, mas logo no começo da tarde já definiu tendência negativa, que ganhou força com a proximidade do fechamento das negociações. Assim, o Ibovespa fechou em baixa de 1,50%, aos 66.002 pontos, ainda pressionado pelo clima de cautela em relação aos problemas nucleares no Japão, e também pelos indicadores negativos divulgados nos Estados Unidos. O giro financeiro do dia ficou em R$ 8,63 bilhões.

Em mais um capítulo da crise no Japão, o depósito de combustível atômico de um reator do complexo de Fukushima apresentou rachaduras, causando um novo incêndio no local e aumentando ainda mais o clima de cautela. Trabalhadores tiveram que ser retirados momentaneamente do local por causa dos riscos de vazamento de radioatividade. Os esforços para conter as chamas foram frustrados, depois de altos níveis de material radioativo forçarem o cancelamento de um plano para despejar água de um helicóptero sobre a usina.

O tom de alarme foi elevado ainda mais após o chefe de Energia da União Europeia ter afirmado que a situação está “efetivamente fora de controle”. Um porta-voz, no entanto, disse que o Comissariado não tem informações adicionais sobre as condições em Fukushima.

Contribuindo para a aversão ao risco, a situação também deteriorou no mundo islâmico. O Bahrein declarou estado de emergência de três meses e inclusive fechou o mercado acionário do país.

Destaques do Pregão
A ponta positiva do Ibovespa contou principalmente com as ações do setor imobiliário. MRV Engenharia, Cyrela, Gafisa, Rossi Residencial e PDG Realty foram na contramão do mercado e mostraram forte alta. O investidor repercutiu, entre outros, a desaeleração da inflação apontada pelo IGP-10 divulgado pela manhã e a pesquisa da Febraban divulgada na véspera, mostrando que o mercado tem revisado suas estimativas para a alta da Selic.

Agenda doméstica
Por aqui, o dia contou com a divulgação de importantes índices de preços. Marcando queda no ritmo inflacionário, o IGP-10 registrou taxa de inflação de 0,84% em março. O resultado é 0,19 ponto percentual menor que o apurado no mês passado. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pela FGV, e marcam a dinâmica dos preços no período de trinta dias até o último dia 10.

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Além disso, o IPC-S apontou novo aumento da inflação na segunda semana de março, marcando variação de 0,64%, taxa 0,05 ponto percentual superior àquela vista na semana anterior. Os dados foram divulgados pela FGV nesta quarta-feira.

EUA
Nos Estados Unidos, o Housing Starts, que mede o número de casas em início de construção no país, decepcionou em fevereiro ao registrar 479 mil. O resultado não alcançou os 575 mil novos imóveis esperados. Também decepcionante foi o indicador que mensura o número de autorizações para construção de novas casas, que atingiu 517 mil permissões, enquanto o mercado apontava 573 mil.

Já o índice de preços ao produtor norte-americano avançou acima do esperado em fevereiro, ao marcar alta de 1,6%. As expectativas dos analistas eram de 0,6% para o período. Por fim, o déficit em conta corrente dos EUA atingiu US$ 113,3 bilhões no quarto trimestre de 2010, abaixo das expectativas de mercado, que giravam em torno de US$ 110,0 bilhões.

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Portugal
No continente europeu, Portugal se manteve no centro das atenções nesta quarta-feira, após ter seu rating cortado pela agência de classificação de risco Moody’s, de A1 para A3, com perspectiva negativa. A agência destacou os riscos para implantação de ajuste fiscal e o pior cenário para o crescimento do PIB do país nos próximos anos.

A economia portuguesa também esteve em foco por ter realizado a venda de títulos de dívida com vencimento em um ano neste pregão, levantando a quantia de € 1 bilhão.

Dólar
O clima de aversão ao risco voltou influenciar o mercado e o dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,42% nesta quarta-feira, cotado a R$ 1,674 na venda. O desastre nuclear em Fukushima Daiichi novamente ganhou destaque, colaborando para a queda dos mercados acionários e a migração para o mercado de câmbio.

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Por aqui, o BC voltou a intervir no mercado e comprou dólares no mercado à vista. A operação foi realizada entre 15h42 e 15h47. A taxa de corte ficou em R$ 1,6705.

A autoridade monetária também divulgou o fluxo cambial acumulado nas duas primeiras semanas de março, que registrou variação positiva em US$ 7,429 bilhões. Até a última sexta-feira, o fluxo comercial teve saldo positivo de US$ 510 milhões, ao passo que o fluxo financeiro teve superávit de US$ 6,919 bilhões.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros, os principais contratos fecharam predominantemente em baixa, avaliando a evolução dos índices de preços divulgados pela manhã, que apresentaram tendências distintas quanto ao ritmo de inflação no País. O contrato de juros de maior liquidez nesta quarta-feira, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 12,31%, 0,02 ponto percentual abaixo do fechamento de terça-feira.

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No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,07% em relação ao fechamento anterior, a 134,75% do valor de face.

Já o indicador de risco-País teve forte variação positiva de 12 pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 194 pontos.