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O Ibovespa enfrentou a quarta-feira (9) pressionado tanto pelo clima adverso nas bolsas externas quanto pela perspectiva de redução nos gastos públicos por aqui. O índice, que vinha em trajetória de baixa desde a abertura, intensificou as perdas no final da tarde, quando o governo confirmou a extensão dos cortes no Orçamento, fechando o dia em forte queda de 2,36%, aos 64.217 pontos – o menor patamar desde 26 de agosto de 2010. O giro financeiro do pregão ficou em R$ 7,52 bilhões.
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciaram que serão cortados R$ 50 bilhões em gastos previstos para 2011. Do Orçamento aprovado pelo Congresso, o governo reviu a previsão com receitas líquidas de transferência de R$ 819 bilhões para R$ 891,7 bilhões. Já as despesas, com a redução de R$ 50 bilhões, passarão para R$ 719 bilhões, o que resultará em resultado positivo de R$ 81,8 bilhões.
De acordo com Mantega, o resultado fiscal do mês de janeiro já apresentará resultado do congelamento de despesas da máquina pública. “A redução se dá na veia, e será detectada a cada mês. Não é algo que só tem efeito daqui a seis meses, como acontece com os juros”, disse o ministro. Os investimentos com o PAC serão mantidos.
As projeções do mercado estavam entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões para o tamanho do cortel. A perspectiva era de que, quanto maior fosse o ajuste feito pelo governo, menor seria a necessidade de elevação da taxa básica de juros – a Selic.
Além disso, sem indicadores relevantes na agenda internacional, as atenções lá fora se voltaram para o discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no Congresso norte-americano. Embora tenha sinalizado uma maior confiança na economia dos EUA, Bernanke também demonstrou que a situação do mercado de trabalho do país continua sendo motivo de preocupação, e afirmou que a inflação segue em baixa por lá.
Destaques do pregão
Apenas três papéis dos 63 que compõem a carteira teórica do Ibovespa registraram ganhos neste pregão – um deles foi o da BM&F Bovespa. Para a analista Kelly Trentin, da Spinelli, um motivo para as ações da BM&F despontarem do restante das ações do Ibovespa são os rumores de consolidação das bolsas de valores estrangeiras, que podem chegar ao Brasil.
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O mercado, segundo Kelly, parece ter se animado com a notícia de que as operações com as ações da Nyse Euronext e Deutsche Böerse foram suspensas nesta quarta, após notícias de que as duas companhias devem se fundir. Além disso, houve um movimento recente de fusão entre as bolsas de Toronto e Londres, e o processo poderá criar um importante mercado para negociação de ações do setor de mineração. Para Kelly, isso é um sinal positivo para as ações da BM&F, porque os investidores criam expectativas acerca de uma consolidação por aqui também.
As empresas do Grupo EBX também registraram ganhos neste pregão, refletindo o otimismo demonstrado por executivos do Grupo em teleconferência realizada na manhã desta quarta-feira. Eike Batista e os demais executivos do Grupo EBX se mostraram bastante confiantes no andamento dos projetos no Superporto de Açu e em Serra Azul. Os altos investimentos em meio ambiente e histórico de obtenção de licenças ambientais foram enaltecidos pelos executivos, assim como o complexo logístico que interliga a produção siderúrgica com as ferrovias e portos operados pelo grupo, agregando competitividade em custos.
Eike também anunciou a intenção de listas suas empresas no mercado externo, e a abertura de capital da mina de carvão da MPX na Colômbia.
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Apesar de não figurarem entre as cinco maiores quedas do índice, as blue chips recuaram forte na sessão, pressionando o Ibovespa. Os ativos da Vale e da Petrobras, que têm maior peso no benchmark, marcaram baixas entre 2,44% e 3,04%.
Agenda
Novamente indicando aumento da inflação, o IPC-Fipe registrou taxa de 1,12% na primeira prévia de fevereiro, 0,51 ponto percentual acima da variação apresentada no mesmo período do mês anterior. Os dados foram divulgados pela Fipe.
Ainda no front interno, a produção da indústria cresceu em todas as regiões pesquisadas em 2010, segundo dados da Pesquisa Industrial Produção Física – Regional, divulgada pelo IBGE. Já na passagem de novembro para dezembro, a produção caiu em 11 das 14 regiões.
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Além disso, o IBGE divulgou também sua mais nova estimativa para a safra de grãos em 2011. De acordo com o instituto, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas no País deverá ser de 146,8 milhões de toneladas, projeção que representa uma queda de 1,8% em relação à 2010 (149,5 milhões de toneladas). Embora indique queda na passagem anual, essa projeção representa um aumento 0,7% na comparação com a divulgada anteriormente, que apontava para uma safra de 145,8 milhões de toneladas.
Câmbio segue em foco
Apesar da negativa oficial sobre a proposta de aumentar o IOF sobre compras com cartão de crédito no exterior, segundo o jornal Folha de S. Paulo, o aumento faz parte de um conjunto de medidas encomendadas pelo Planalto na área cambial. De acordo com o jornal, a presidente Dilma Rousseff ainda não tomou uma decisão sobre o tema, pois não gostaria de adotar uma alta de imposto como uma das primeiras medidas na economia.
Dólar
Consolidando uma trajetória negativa no início da tarde, o dólar comercial conheceu seu segundo dia seguido de queda, fechando esta quarta-feira cotado na venda a R$ 1,661 – variação negativa de 0,36% -, a menor cotação vista desde 3 de janeiro deste ano. O corte de orçamento anunciado pelo governo brasileiro e a fala de Bernanke nos EUA movimentaram os investidores, em mais um dia de dupla intervenção do Banco Central no câmbio.
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Assim como nos últimos dias, o BaCen realizou dois leilões de compra de dólares no mercado cambial à vista nesta sessão. A primeira operação ocorreu por volta das 13h (horário de Brasília), com uma taxa de corte aceita de R$ 1,6659. O segundo leilão teve início às 15h31 e terminou às 15h36, e a taxa ficou em R$ 1,6606.
O BaCen também divulgou o fluxo cambial de janeiro, período no qual o total de dólares que entrou no País superou a saída em US$ 15,513 bilhões. Ainda no primeiro mês do ano, a autoridade monetária informou que adquiriu US$ 7,992 bilhões no mercado cambial à vista por meio de seus leilões, fazendo com que as reservas fechassem janeiro em US$ 297,696 bilhões.
Os dados do BC mostraram também que os bancos encerraram o mês de janeiro com uma posição vendida de US$ 11,018 bilhões. Como comparação, no mesmo período de 2010, a posição era comprada em US$ 2,664 bilhões.
Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam sem tendência definida. O contrato de juros de maior liquidez nesta quarta-feira, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 12,68%, ficando estável frente ao último fechamento.
No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em baixa de 0,67% em relação ao fechamento anterior, a 133,65% do valor de face.
Já o indicador de risco-País teve alta de oito pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 172 pontos.