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O desempenho positivo da multinacional suíça ABB no primeiro trimestre de 2026 (1T26) serve como um indicador de demanda para a WEG (WEGE3), por conta da semelhança entre os portfólios de motores e equipamentos elétricos das duas empresas.
A ABB atua nos mesmos mercados globais que a companhia brasileira, o que torna seus resultados do trimestre um termômetro para o volume de pedidos e para as pressões de custos que devem impactar o setor industrial.
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De acordo com relatório do Bradesco BBI divulgado nesta quarta-feira (22), a ABB reportou um crescimento de 11% nas receitas comparáveis e um aumento de 24% nos pedidos, elevando o estoque de pedidos contratados para o patamar de US$ 27,5 bilhões.
Os analistas do BBI apontam que o resultado foi impulsionado principalmente pela divisão de Eletrificação, que teve um aumento de 44% nos pedidos comparáveis, com destaque para o setor de data centers, que apresentou expansão de três dígitos no trimestre.
Sobre a visibilidade de novos negócios, a gestão da companhia suíça reiterou que a demanda permanece muito forte, impulsionada por investimentos em infraestrutura e redes nos Estados Unidos.
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Ainda, a divisão de Motion (Motores e Acionamentos) da ABB apresentou uma alta de 7% na receita, e conforme relatório do Itaú BBA, foi impulsionada pelo volume de vendas e pela necessidade de projetos voltados à estabilização de redes elétricas.
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Desempenho em motores
Na área de Motion da ABB, que possui a maior correlação com o negócio de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) da WEG, os pedidos comparáveis subiram 9%.
“O crescimento da receita comparável acelerou pelo segundo trimestre consecutivo”, diz relatório do Bradesco BBI, ressaltando que a procura por produtos de ciclo curto se manteve firme em diversas regiões, sem sinais de antecipação de pedidos por parte dos clientes.
Por outro lado, analistas do Itaú BBA apontam que o reflexo positivo para a WEG pode ser limitado por fatores financeiros. “Enquanto a ABB foi favorecida pelo câmbio no trimestre, a valorização do Real frente ao Dólar (+10% a/a e +2,5% t/t) deve pesar no crescimento da receita da companhia brasileira”, diz o documento.
Além disso, a análise aponta para uma base de comparação difícil no mercado doméstico de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD).
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Custos de insumos
O encarecimento de matérias-primas, como prata e cobre, se tornou um obstáculo para as margens de lucro no setor. Segundo o Bradesco BBI, o repasse de preços ainda não compensou totalmente o encarecimento desses insumos, o que pode gerar um efeito negativo passageiro nas margens da WEG no primeiro trimestre. A expectativa é que esse equilíbrio financeiro seja retomado apenas no segundo semestre deste ano.
Já o Itaú BBA demonstra cautela para o biênio 2026-2027, citando entraves em projetos de energia no Brasil. “O BESS (Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias) pode levar mais tempo para acelerar devido a atrasos no leilão brasileiro”, ressalta o relatório. Os analistas acrescentam que o retorno financeiro em transmissão na América do Norte deve ocorrer em um ritmo mais lento do que o planejado originalmente.