Vale (VALE3) tem lucro de US$ 4,45 bilhões no terceiro trimestre e supera projeções, mas Ebitda decepciona

Resultado da companhia, contudo, foi impulsionado por um efeito não recorrente ligado a uma reclassificação de variação cambial

Vitor Azevedo

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A Vale (VALE3) lucrou, de forma líquida, US$ 4,45 bilhões no terceiro trimestre de 2022, alta de 14,6% na base anual e ficando acima do consenso, que era de US$ 2,7 bilhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de US$ 4,002 bilhões, ficou 43,4% abaixo do mesmo intervalo de 2021 e 27,6% abaixo do segundo trimestre. O número ficou abaixo do consenso de US$ 4,5 bilhões. Já o Ebitda ajustado das operações continuadas, por sua vez, foi de US$ 3,67 bilhões, recuo de 47% na base de comparação anual.

A receita líquida foi de R$ 9,9 bilhões, recuando 19,5% na comparação com 2021 e praticamente em linha com o consenso, que era de US$ 10,1 bilhões.

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Em grande parte, o recuo da receita se deu acompanhando a baixa do minério de ferro, com o preço referência da tonelada do refinado 62% saindo de US$ 162,9 entre julho e setembro de 2021 para US$ 103,3.

“A participação de produtos premium nas vendas totais totalizou 78% no 3T22. O prêmio de minério de ferro totalizou US$ 6,6 por tonelada, ante US$ 7,3 no segundo trimestre deste ano, devido aos menores prêmios de mercado para produtos com baixo teor de alumina e à ausência de dividendos sazonais das joints ventures”, explica a companhia no documento publicado no inicio da noite desta quinta-feira (27). “Isso foi parcialmente compensado por um menor impacto dos ajustes do sistema de precificação, principalmente devido ao efeito positivo dos preços defasados, com 13% das vendas precificadas a um preço médio de US$ 135,9”.

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A queda do Ebitda, segundo a companhia, se deu pelo mesmo motivo – sendo que a Vale ainda registrou um aumento do custo caixa (C1) total na base anual, saindo de US$ 1,47 bilhão em 2021 para U$ 1,48 bilhão neste ano – apesar do recuo frente ao US$ 1,52 bilhão do segundo trimestre.

A diferença na base trimestral se deu, principalmente, por conta do aumento do volume de vendas do minério, que diluiu os custos  – a companhia vendeu 877,6 milhões de toneladas de finos e pelotas, alta de 6% na comparação trimestral. Na base anual, os volumes das vendas cresceram 3,8%, alta que não foi suficiente para compensar os maiores gastos (com combustíveis, por exemplo).

No segmento de metais básicos da Vale, níquel é destaque

No segmento de metais básicos, a receita líquida saiu de US$ 780 milhões no terceiro trimestre de 2021 para US$ 1,25 bilhões no deste ano, com destaque para o faturamento com níquel, que saiu de US$ 761 milhões para US$ 960 milhões.

“O preço realizado do níquel caiu 17% na base trimestral principalmente em razão da queda de 24% no preço médio do níquel da LME. Este efeito foi parcialmente compensado pelo aumento de 90% no prêmio médio agregado de níquel, atribuído majoritariamente a maior proporção de produtos Classe I Superior no mix de vendas, conforme as refinarias voltaram a operar no Atlântico Norte e aos maiores prêmios para produtos Classe I Superior em razão de aumento da demanda por material não originado da Rússia”, explica a mineradora.

O preço médio do níquel saiu de US$ 18.211 por tonelada para US$ 21.672 por tonelada na base anual. O volume de Níquel Classe I Superior vendido saltou de 22,6 quilotoneladas para 25,1.

Nas operações de cobre, a receita líquida recuou de US$ 679 milhões para US$ 479 milhões, por conta tanto do menor volume vendido quanto do menor preço realizado.

O Ebitda da operação de metais básicos acrescentou US$ 364 milhões no resultado total da companhia, ante US$ 505 milhões em igual período de 2021. Apesar do aumento da receita, o custo do produto vendido do segmento saiu de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,88 bilhão.

Companhia tem alta das despesas operacionais, mas resultado financeiro é positivo

A Vale, por fim, viu suas despesas operacionais, que englobam gastos com vendas, pessoal e outras, ficarem em US$ 765 milhões neste último terceiro trimestre, ante US$ 606 milhões em igual período de 2021.

As despesas relacionadas a Brumadinho foram as que mais cresceram, saltando de US$ 161 milhões para US$ 336 milhões. Outras frentes, como gastos com pessoal e com pesquisa e desenvolvimento também avançaram.

Apesar da menor receita e dos maiores gastos, tanto com produtos vendidos quanto com despesas operacionais, a Vale, porém, viu seu lucro líquido avançar – e isso por conta do seu resultado financeiro.

A mineradora teve um resultado financeiro positivo de US$ 2,3 bilhões, ante prejuízo de US$ 350 milhões no mesmo período do no passado.

As despesas financeiras da Vale recuaram de US$ 240 milhões para US$ 221 milhões, com menos gastos com juros, mas o destaque mesmo desta frente foi por conta de uma reclassificação da variação cambial, que somou US$ 1,5 bilhão ao balanço.

“Se deu devido ao patrimônio liquido oriundo da redução de capital de subsidiária integral no exterior”, explica a companhia.

A Vale fechou setembro com uma dívida líquida de US$ 6,9 bilhões, crescendo na comparação com os US$ 2,2 bilhões do mesmo período de 2021. A dívida bruta da companhia, contudo, saiu de US$ 13,5 bilhões para US$ 12,2 bilhões, com a diferença no número líquido sendo explicada, principalmente, pela redução da quantia em caixa.