Resultado expõe pontos-chave do case de investimento da TIM

Analistas apostam na nova administração, mas reiteram que promoções agressivas podem comprometer margens

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SÃO PAULO – Ao avaliarem o case de investimentos dos papéis da TIM (TCSL3, TCSL4), analistas veem como positiva a reestruturação feita pela nova administração da companhia, mas destacam como perigosa sua política agressiva de promoções para atrair e reter clientes.

Como comenta a analista da Link Investimentos, Maria Tereza Azevedo, a mudança reestruturação feita em 2009 pela TIM visando aperfeiçoar suas estratégias de gestão e posicionar-se melhor no mercado já vem mostrando resultados.

“Eles tiveram resultados bastante positivos no quarto trimestre, o que mostra como a recuperação dos planos e dos serviços da operadora estão conseguindo mostrar resultados”, comenta Maria Tereza.

A analistas conta que a TIM fez uma profunda reestruturação nas estratégias e na gestão no ano passado, movimento que ao mesmo tempo em que permite a empresa operar mais competitivamente no mercado também gera expectativas em torno de suas ações.

“Eles tiveram uma mudança radical na administração da companhia no último ano. Isso gerou uma certa ansiedade em torno de um risco de execução muito grande, uma vez que eles reestruturaram completamente as estratégias de venda, fidelização e retenção de clientes e os planos e serviços”, explica.

Maria Tereza fala que a mudança de administração da TIM é vista como positiva por enquanto porque a empresa tem mostrado recuperação de market share, manutenção de clientes de alto uso, reforço em sua estratégia de venda do pré-pago para chip avulso e redução de despesas com inadimplência, o que preocupava bastante o mercado.

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Bons olhos
De fato, no último dia 25 de fevereiro, a TIM divulgou dados melhores que o esperado pelo mercado e surpreendeu positivamente ao ganhar margens sem uma avanço significativo em receita.

Tanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia quanto a margem Ebitda (relação percentual entre a receita líquida e o Ebitda) da TIM atingiram recordes históricos entre outubro e dezembro, ficando em R$ 958 milhões e 28,2%, respectivamente.

Os dois números vieram acima das previsões do mercado – no caso da margem Ebitda, foram 2,5 pontos percentual superiores às estimativas – e maiores também que no quarto trimestre de 2008, quando foi reportado Ebitda e margem Ebitda de R$ 931 milhões e 28,1%.

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Apesar disso, a receita e lucro líquido não vieram tão animadores no quarto trimestre de 2009. No caso da receita, o número é 4,4% menor que no mesmo período de 2008, mas 2% superior ao terceiro trimestre.

“No aspecto positivo destacamos o severo controle de custos, levando a um Ebitda de R$ 960 milhões (7% acima do consenso), receita média mensal por usuário (ARPU, na sigla em inglês) em R$ 27 (1,5% acima do consenso, +1,7% em termos trimestrais) e MOU [minutos de uso por cliente] em 99 minutos por usuário, 10% acima em comparação com o trimestre anterior”, apontam os analistas da Itaú Corretora.

A equipe de research viu como positivo o balanço e comenta que provavelmente as margens mais fortes do que o esperado deverão adicionar “momentum” à ação, um potencial de valorização.

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“Também destacamos que a TIM registrou alguns sinais precoces de melhora seqüencial de ARPU no número de usuários pós-pagos, sugerindo que a virada pode estar decolando”, acrescentaram os analistas.

Eles falam que em função dessas melhoras e de uma base comparativa mais fraca em todas as linhas no primeiro semestre de 2010 em relação ao ano anterior, eles estão adotando uma perspectiva mais otimista em relação aos fundamentos da empresa.

Com isso, o time de análise elevou no final de fevereiro a recomendação para TCSL4 para outperform (desempenho acima do mercado) e estimou preço-alvo de R$ 6,30. Para TCSL3, a equipe manteve o marketperform (desempenho em linha com o mercado) e preço-potencial de R$ 8,30.

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Preferência
Porém, a analista Maria Tereza Azevedo, da Link, destaca que vê a Vivo como uma empresa melhor estruturada e com um case de investimento mais interessante no momento do que o da TIM, especialmente porque as promoções agressivas da TIM podem comprometer suas margens a longo prazo.

“Quando a gente faz uma comparação entre TIM e Vivo a gente vê que a Vivo tem um crescimento muito mais sólido, fundamentos mais sólidos e margens maiores, uma qualidade na carteira de clientes diferenciada, a gente olha indicadores operacionais como receita média por usuário, minutos de utilização por mês ou taxa de cancelamento, então achamos que a empresa ainda está passando por uma fase desafiadora”, explica Maria Tereza.

A analista fala ainda que vê menos upside no case da TIM do que no da Vivo e que, mesmo com a expectativa de que a Intelig, empresa de telecomunicações adquirida no final do ano passado, traga rentabilidade à TIM, esta ainda continua abaixa da rentabilidade da Vivo.

“Achamos que em comparação com a Vivo, principalmente, o potencial de valorização da TIM está bastante limitado. Então a gente acha que a empresa ainda está passando por uma fase desafiadora”, conclui a analista.

Assim, a recomendação da Link para os papéis da TIM é de “underperform” (desempenho abaixo do mercado) e o preço-alvo para as ações TCSL3 e TCSL4 é de R$ 7,15 e R$ 5,12, respectivamente, com potenciais de valorização de 7,7% e 3,5% diante do último fechamento (R$ 7,70 e R$ 5,30).

Margens
Apesar de terem apresentados bons números no último trimestre, analistas apontam que a forte estratégia para atrair clientes, especialmente por meio da promoção TIM Liberty +100, pode comprometer as margens da companhia.

“O agressivo pacote TIM Liberty +100 lançado dia 31 de janeiro, que inclui 100 minutos de ligação por mês e ligações ilimitadas com outros TIMs, é atrativo para os clientes, mas pode gerar margens em torno de 3% menores para a companhia”, estima a equipe de analistas do J.P. Morgan.

Na visão do time de análise, este tipo de promoção é ruim para a indústria de telefonia móvel como um todo, por forçar suas concorrentes (Vivo, AMX/Claro e Oi) a lançarem produtos similares, embora apontam que os efeitos em número de clientes ainda não foram sentidos pela TIM e que a Vivo vem sustentando sua liderança pela qualidade.

Eles comentam que a TIM ainda não conseguiu aumentar seu market share com novas adições líquidas, apesar de suas promoções lançadas no ano passado. “No segundo semestre de 2009, a TIM possui apenas 23% de participação em dezembro, atrás da Vivo e da Claro”, apontam.

Porém, eles destacam que a companhia deve continuar provando os resultados de suas estratégias agressivas e sua habilidade de gerar reversões esperados no quadro.

Aquisições
Ao comentar sobre o case de investimentos da TIM, o analista da Banif Corretora Alex Pardellas destaca que a incorporação da Intelig pela TIM no final do ano passado já deve começar a mostrar resultados para a empresa este ano, trazendo aumento no número de clientes e tráfego de voz e dados.

“O maior benefício da incorporação é em relação à rede física que a Intelig vai agregar a TIM, ou seja, o backbone [meios de transmissão], a fibra ótica, que são importantes para sustentar as operações da TIM, sustentar o crescimento do número de clientes e do tráfego de voz e dados”, comenta.

Porém, Pardellas enfatiza que a concorrência forte do setor não deixa de ser um risco para a TIM uma vez que a empresa vê-se no meio de outras três grandes concorrentes – Vivo, Claro e Oi, e possivelmente mais uma nos próximos anos.

“Este ano, em 2010, a Anatel vai leiloar mais uma licença, a Banda H, e com isso deve entrar um novo operador no mercado, sendo os mais cotados a Vivendi e a própria Nextel. Isso ocorrendo, este ano não há muito impacto, mas a partir de 2011 será mais um operador na concorrência”, conta.

O analista comenta que, inicialmente, a entrada de um novo player não deve ter impacto nas ações da TIM, mas a médio e longo prazo isso pode acontecer, dependendo de como este concorrente vai entrar no mercado e de sua estratégia.

O analista fala ainda que é importante lembrar a melhora – ainda que pequena – no market share da companhia. Ele explica que no ano de 2008, a TIM perdeu cerca de 2,5 pontos percentuais em sua fatia de mercado, tendo essa queda continuado no primeiro trimestre de 2009.

“Com a nova administração mais agressiva em termos de marketing, com promoções, a empresa conseguiu melhorar um pouco seu market share a partir do segundo trimestre, passando de 23,5% no final de março para 23,8% no final de setembro e caindo um pouco para 23,6% no final de dezembro, por conta de limpeza de base”, explica.

A Banif Corretora recomenda compra para os papéis TCSL3, com preço-alvo de R$ 9,00 e neutro para as ações TCSL4, com valor-teórico de R$ 5,60. A TCSL3 está em sua carteira de recomendações para março.

“Recomendamos compra para ON e não para PN porque o potencial de valorização é maior de acordo com a minha análise”, reitera.

Na carteira
Os números do quarto trimestre têm rendido frutos para a TIM. Os analistas da Brascan Corretora também incluíram a empresa em sua carteira de recomendações para o mês de março.

“Esperamos que nos próximos trimestres a companhia continue apresentando evolução gradual nos seus resultados. Vale ressaltar que a recente aquisição da Intelig poderá contribuir para a expansão de cerca de 2,0 p.p. na margem Ebitda da empresa em um período em torno de 18 meses, uma vez que a TIM passará a incorrer em menores custos de aluguel”, destacam os analistas.

A Brascan coloca um preço-alvo de R$ 7,08 para os papéis TCSL4, ao recomendar compra, o que permite um potencial de valorização de 33,6% ante o último fechamento (R$ 5,30).

Riscos
Além do risco de redução das margens da companhia por conta das promoções atuais, a analista Maria Tereza Azevedo, da Link, também aponta o acirramento competitivo e questões societárias como outros pontos a serem observados daqui para frente.

“Na questão societária, pode acontecer alguma coisa entre Telecom Itália [atual controladora da TIM] e Telefônica na Europa e isso pode ter algum reflexo na TIM e na Vivo”, comenta Maria Tereza.

A analista fala que uma suposta compra da Telecom Itália pela Telefônica, como apontam rumores, daria o controle da TIM à última e que isso poderia gerar um conflito em torno de qual seria o principal player da Telefônica no Brasil: TIM ou Vivo.

“Como ficaria o primeiro e terceiro lugares no mercado? Você pode ter um fortalecimento muito forte na Claro que é o principal concorrente da TIM, já que eles disputam hoje o segundo lugar”, especula Maria Tereza.

Porém, ao mesmo tempo em que a questão da Telecom Itália – Telefônica é vista como um risco para a Link, o Banif vê como um ponto positivo, já que a aquisição teria impacto positivo para as ações da TIM, em sua visão.