Resultado da Vale: com câmbio e reajuste do ferro, projeções são ruins

Mineradora divulgará números trimestrais após fechamento dos mercados; ações caem forte à esperado dos números

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SÃO PAULO – Na temporada de resultados, os dados das grandes empresas geram grandes expectativas no mercado. No caso da Vale (VALE3, VALE5), a segunda maior blue chip brasileira, a apreensão é ainda maior, principalmente levando em consideração os impactos da crise financeira internacional e da valorização do real nas contas da empresa.

É justamente devido a esses dois fatores que as projeções dos analistas mostram resultados piores do que o contabilizado tanto no segundo trimestre de 2008 quanto e no primeiro trimestre deste ano.

Na análise de Rodrigo Ferraz, da Brascan Corretora, a apreciação cambial deve comprimir as margens, “visto que a receita é determinada em dólar e apenas 54% do custo é ligado a essa moeda”.

Ferro, Cobre e Níquel

Os ajustes no preço do minério de ferro e o crescimento pequeno no volume de vendas devem se unir à desvalorização do dólar, pressionando o faturamento da mineradora. De acordo com o Credit Suisse, “embora os preços do minério tenham aumentado no mercado à vista, a convergência para o benchmark deve limitar a extensão” dos benefícios.

No que se refere ao volume de vendas, o desempenho do segmento de minério de ferro também deve deixar a desejar. Conforme estimativas do Banco Banif, a Vale deve elevar em 2% o volume em relação ao primeiro trimestre deste ano, enquanto na comparação anual, as vendas devem cair em 31%.

Por outro lado, os analistas esperam que esses impactos negativos sejam parcialmente ofuscados pelas operações nos segmentos de metais não-ferrosos, que incluem o cobre e o níquel. As duas commodities viram a melhora das condições de mercado no segundo trimestre deste ano, o que se refletiu na alta das cotações.

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“De acordo com a LME (London Metals Exchange), os preços do níquel aumentaram em 21% enquanto os preços do cobre saltaram 31%”, ressaltam os analistas da Itaú Corretora. Porém, segundo as estimativas da instituição, o Ebitda (geração operacional de caixa) dos segmentos não-ferrosos deve aumentar em US$ 120 milhões, não chegando nem perto da queda de US$ 700 milhões prevista para o Ebitda do segmento de metais ferrosos.

Resultados em dólares

Se considerados os resultados em dólares, a expectativa é de queda nos três principais indicadores financeiros da empresa. A média da estimativa dos analistas consultados pela InfoMoney é de que a receita líquida da Vale termine o trimestre em US$ 4,872 bilhões, abaixo tanto do resultado do primeiro trimestre, de US$ 5,324 bilhões, quanto do segundo trimestre de 2008, de US$ 10,600 bilhões.

A forte queda no faturamento também poderá ser vista no lucro líquido da empresa. Conforme as projeções dos analistas, o indicador deve somar US$ 1,246 bilhão no período entre abril e junho, inferior na comparação anual e na base trimestral, quando a empresa contabilizou ganhos de US$ 1,363 bilhão e US$ 5,009 bilhões, respectivamente.

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Projeções de analistas em dólares
Indicador (em US$ milhões) Projeção* 2T08 %
Receita Líquida 4.872 10.600 -54,04%
Ebitda** 1.809 5.995 -69,82%
Lucro Líquido 1.246 5.009 -75,12%

*Projeção média dos analistas de Itaú Corretora e Credit Suisse
**Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização

Cabe lembrar que as projeções e resultados em dólares diferem em relação aos dados em reais tanto em termos de métodos contábeis quanto devido à variação cambial no período.

Resultados em reais

Em relação às projeções em reais feitas pelo Banif e pela Brascan, a expectativa é semelhante, com os analistas prevendo queda na receita líquida e no Ebitda. A diferença fica com as estimativas de lucro líquido, que, na moeda e métodos contábeis brasileiros, indicam crescimento do indicador em relação ao primeiro trimestre deste ano.

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Conforme as projeções do Banif, a receita líquida da Vale registrará queda de 22% na comparação trimestral e 45% na base anual, terminando o segundo trimestre deste ano em R$ 10,022 bilhões. Já o Ebitda deve cair para R$ 3,107 bilhões, frente aos R$ 5,445 bilhões contabilizados no primeiro trimestre. A cifra registra queda ainda mais expressiva em relação ao segundo trimestre de 2008, quando o Ebitda somou R$ 10,473 bilhões.

Contudo, ambas as instituições preveem uma alta no lucro líquido da mineradora em relação ao primeiro trimestre, quando o indicador atingiu R$ 3,151 bilhões. Nas estimativas da Brascan Corretora, os ganhos do segundo trimestre devem contabilizar R$ 3,934 bilhões, enquanto o Banif projeta lucro de R$ 3,511 bilhões. Na base de comparação anual, entretanto, o desempenho segue negativo, já que a Vale havia registrado um lucro de R$ 4,573 bilhões no segundo trimestre de 2008.

Desempenho das ações

À espera dos resultados trimestrais, os papéis da Vale são negociados em forte queda: os ordinários recuam 2,79%, para R$ 35,91, enquanto os preferenciais classe A caem 2,25%, para R$ 31,67.