Destaques da Bolsa

Restoque mergulha 23% desde a máxima do dia; Vale salta 5% e Fibria desaba com efeito-dólar

Confira os destaques da Bovespa na sessão desta sexta-feira (3)

Vale (VALE3, R$ 15,63, +4,55%VALE5, R$ 12,16, +3,75%)
As ações da Vale disparam em meio a fortes ganhos do minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em alta de 3,94%, a US$ 50,08 a tonelada seca.  A cotação do minério é um importante balizador para o desempenho das ações da Vale, já que é o seu principal produto. 

Além disso, a “novela” sobre uma possível mudança no comando da Vale segue no noticiário. Segundo a Folha de S. Paulo, chamado para uma conversa com o presidente interino Michel Temer em 21 de maio, Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, expôs o sentimento do banco e de outros controladores da mineradora: uma troca repercutiria mal em Wall Street.  Sócios defendem que Ferreira conclua o mandato (2017) e lamentam que o PMDB tenha poder de mexer em uma empresa do porte da Vale. De acordo com a Folha, o governo planeja trocar o comando da Vale apenas a votação do impeachment. 

Murilo Ferreira, presidente da Vale, está enfrentando o maior colapso do mercado de commodities de uma geração e o pior desastre ambiental do Brasil de todos os tempos. Mas sua maior ameaça pode ser política. Alguns membros do PMDB querem pressionar o governo para trocar Ferreira por ligações com a presidente afastada Dilma Rousseff, destacou a Bloomberg, citando duas pessoas com conhecimento do assunto. Os ex-diretores da Vale, José Carlos Martins e Tito Martins estão sendo cotados para substituir Ferreira, de acordo com outras duas pessoas. Carla Grasso, que trabalhou na empresa até 2011 e agora está no FMI, também é candidata à vaga, disse uma das pessoas à agência de notícias.

Por fim, em comunicado, a Vale negou que tenha adulterado dados sobre lama que ela jogava na barragem da Samarco depois do acidente no local, reduzindo a quantidade de resíduo. 

Petrobras (PETR3, R$ 10,72, +0,28%;PETR4, R$ 8,48, +0,95%)
Mesmo em um dia de instabilidade para os preços do petróleo após a divulgação dos dados de emprego nos EUA bem piores do que o esperado pelo mercado, as ações da Petrobras registram um dia de ganhos. 

Estácio (ESTC3, R$ 14,37, +4,81%)
Após dispararem na véspera com a notícia de que a Kroton estuda oferta pela rede carioca Estácio, as ações da última companhia voltam a subir forte na Bovespa. Já a Kroton, que disparou 20% ontem, registra leve alta, de 0,39%, a R$ 12,78. 

Em comunicado divulgado na manhã de ontem, a Kroton disse que vem estudando internamente e de forma sigilosa uma potencial combinação de seus negócios com a Estácio e “acredita que a mesma traria benefícios para ambas as empresas, seus negócios, alunos, acionistas e demais stakeholders”. A Estácio, por sua vez, disse que tomou conhecimento do interesse da Kroton somente hoje em apresentar proposta de combinação de negócios das empresas, não havendo quaisquer entendimento em curso pela administração da companhia com a Kroton. 

Segundo a XP Investimentos, um possível acordo pode ser interessante, principalmente por conta do ótimo histórico da Kroton ne captação de sinergias em fusões e aquisições. A corretora pondera, no entanto, que questões sobre concentração serão levantadas, principalmente na parte de ensino à distância. Logo, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) deverá ser monitorado de perto caso de fato a aquisição esteja sendo discutida. Em termos de dinâmica de preço, podemos esperar um desempenho melhor de Estácio, que ficou bem para trás em termos de valuation recentemente, apontam os analistas. 

Exportadoras
Com o dólar despencando 1,38%, a R$ 3,5380 na venda após o relatório de emprego nos EUA decepcionar – e dando mais indicações de que o Federal Reserve poderá manter os juros por mais tempo – as exportadoras caem forte. Isso porque as suas receitas estão atreladas à divisa norte-americana. Os papéis da Suzano (
SUZB5, R$ 13,65, -4,68%), Fibria (FIBR3, R$ 31,80, -5,07%), Klabin (KLBN11, R$ 17,33, -2,48%), Braskem (BRKM5, R$ 21,21, -1,26%) e Embraer (EMBR3, R$ 18,91, -0,68%) caem.

Restoque (LLIS3, R$ 4,60, +8,49%)
As ações da Restoque amenizam bem ganhos nesta tarde após subirem até 41,51%, a R$ 6,00, nesta sessão em meio à possibilidade de fusão. Da máxima do dia para agora, as ações já caíram 23%. Ainda assim, os papéis da varejista acumulam alta de 31,2% nas últimas duas sessões. Ontem, a companhia à noite, em comunicado enviado ao mercado, confirmou a assinatura de um memorando de entendimento com a Inbrands, tendo como objetivo a combinação de 100% da operação das empresas. As empresas devem trabalhar nas próximas semanas em “due diligence” recíproco, diz o comunicado, que explica ainda que a companhia resultante considerará oferta pública de ações para captar recursos, com ancoragem dos principais acionistas.

Segundo o Bradesco BBI, por si só, o negócio não parece melhorar muitos as coisas para ambas empresas e vê potencial diluição. Há uma “boa relação risco/prêmio somente se Inbrands vier com grande desconto”, destaca o banco.  

Oi (OIBR4, R$ 1,12, -5,88%)
As ações da Oi viraram para forte queda após dispararem mais de 20% ontem. Na quinta-feira, os papéis da operadora de telefonia subiram forte, reagindo à aprovação do projeto de lei 3453 na Comissão de Ciência e Tecnologia na Câmara. Segundo o BTG Pactual, dos players listados na Bovespa, Oi e Telefônica (VIVT4, R$ 41,85, +0,60%) seriam as mais beneficiadas pela notícia. 

Os analistas do banco lembram que esse projeto de lei foi apresentado pelo Deputado Daniel Vilela do PMDB em novembro do ano passado e vai bem em linha com o que foi proposto pela Anatel/Minicom sobre uma solução para as concessões de linha fixa no Brasil. Segundo eles, caso seja convertido em Lei, a Anatel estaria autorizada a mudar o modelo atual de concessão para o de autorização em todo o território nacional, se duas condições básicas forem respeitadas: 1) competição efetiva (não somente em telefonia fixa, mas também em serviços e aplicações substitutos – o que é bastante importante uma vez que a competição na telefonia móvel está presente em quase todas as regiões do Brasil); e 2) cumprimento das metas de universalização na prestação das diversas modalidades do Serviço Telefônico Fixo Comutado – STFC.

Além disso, se aprovado, os analistas comentam que isso traria uma outra importante discussão para a mesa – bens reversíveis. E ao menos pela diretriz proposta pelo projeto de lei, o cálculo do valor dos bens reversíveis seria feito de uma maneira bastante amigável para as concessionárias e revertido em investimentos em infraestrutura de alta capacidade.   

PUBLICIDADE