Responsável pelo IPO da Totvs fala sobre possível chegada da NetShoes na Bovespa

José Rogério Luiz, vice-presidente de planejamento da NetShoes fala do cenário para o varejo online e sobre as diferenças entre os e-commerces brasileiro e norte-americano

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SÃO PAULO – Após ficar 10 anos na Totvs (TOTS3) como diretor financeiro e de relações com investidores e liderar o processo de abertura de capital da companhia, José Rogério Luiz agora é vice-presidente de planejamento da NetShoes. Com um faturamento de R$ 1,2 bilhão em 2012, ante um resultado de R$ 700 milhões em 2011 e de R$ 370 milhões em 2010. Com isso, Luiz e a companhia já começam a pensar em também realizar o IPO da empresa.

A NetShoes surgiu como uma loja física em 2000 na cidade de São Paulo, e, após dois anos, o fundador da companhia, Marcio Kumruian, resolveu levar a companhia para internet, criado a primeira loja virtual de artigos esportivos da América Latina. Com as diversas mudanças ocorridas neste setor, crescem as notícias de que a empresa pode abrir seu capital.

Em entrevista para a Rio Bravo, Luiz falou um pouco sobre a evolução do cenário de varejo online e suas diferenças entre Brasil e EUA. Ele explica que não só no Brasil, mas também no exterior, diversas empresas de ecommerce (vendas online) ainda não conseguem registrar lucro líquido, mas que o faturamento dessas companhias tem crescido de forma muito rápida.

Durante a entrevista, o executivo também afirma que a racionalidade está começando a aumentar dentro deste setor. Mudanças de pensamento, como aplicar frete grátis apenas acima de um determinado valor ou não aceitar um parcelamento muito alto estão entre as mudanças que estão alterando a forma como o varejo online atua.

Diferenças entre Brasil e EUA
Um dos principais temas comentados na entrevista está na diferença entre os mercados norte-americano e brasileiro. Luiz começa explicando que existem o marketplace, o ecommerce e o serviço, sendo que Amazon, por exemplo, seria uma combinação desses três elementos, enquanto o Mercado Livre ou o Ebay seriam apenas marketplace.

No caso do ecommerce, o executivo afirma que nos EUA esse mercado surgiu das lojas físicas, com as grandes redes de varejo abrindo suas versões online para venderem fim de estoque ou fazerem promoções. Ou seja, apesar dos preços bastante abaixo do visto no mercado, as linha de produtos seria mais limitada que nas lojas físicas.

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Além disso, lá, as companhias trabalham com um capital de giro do fornecedor, ou seja, quando um cliente paga por um produto à vista, a loja só vai pagar o seu fornecedor após 90 ou 120 dias, criando o chamado ciclo de capital de giro. “E por conta disso até há uma demanda maior dos investidores para fazer com que as empresas de ecommerce cresçam o mais rápido possível, porque quanto mais rápido elas crescerem mais funding geram para o próprio crescimento”, explica Luiz

No Brasil o processo foi um pouco diferente. Primeiro surgiram lojas de varejo online, nos anos 2000, o que Luiz chama de “as pioneiras”. Inspiradas pela Amazon, elas começaram a fazer as vendas de produtos no Brasil e começaram a crescer rapidamente, tanto que algumas se tornaram empresas públicas em 2005.

Foi então, que muitas redes de varejo viram nesse negócio uma oportunidade, passando a vender os mesmo produtos das lojas físicas em um ambiente online, com maior comodidade, permitindo ainda um parcelamento em até 12 vezes e frete grátis universal.

Atualmente, com a forte migração da população para a classe média, o ecommerce começa a repensar sua forma de agir. “A mudança de comportamento do consumidor é, ‘Eu entendo a conveniência que vocês me dão e preço não é o ponto mais importante para mim'”, afirma Luiz. Segundo ele, hoje, o preço está em terceiro lugar como fator mais importante para o consumidor.

“O SLA, o Service Level Agreement… ou seja, o serviço prestado passa a ser o primeiro ponto. O segundo ponto, sortimento. E preço no terceiro lugar. Portanto, já não começa a existir a necessidade de uma loja de ecommerce ter o preço mais barato do que a loja física”, explica. Essa mudança de pensamento do consumidor e das lojas é um passo importante para o futuro das varejistas, que ainda tem boas receitas e fracos lucros, fato que pode começar a mudar daqui pra frente.

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.